10ª Mostra de Música Moderna Portuguesa de Arcos de Valdevez

2012 traz consigo mais uma edição do “Sons”, desta feita numa versão verdadeiramente “histórica”, uma vez que são celebrados dez anos, contínuos, de realização desta Mostra dedicada a várias sonoridades exclusivamente nacionais. Volvida uma década, exatamente a que iniciou o novo século, as várias edições foram por isso mesmo um espelho das sensibilidades e perspetivas de abordagem musical de um país que não cessou de se transformar, com tudo o que isso tem de positivo e negativo, com repercussões óbvias na forma de entender e produzir música; de forma não consciente o “Sons de Vez” transformou-se, provavelmente, no único evento reincidente, “não veraneante”, de apresentação dos músicos e dos projetos “lusos” mais significativos da última década.

Também este ano contamos com a participação expositiva dos fotoresidentes Sérgio Neto e Jorge Silva, que trarão até ao foyer da Casa das Artes a sua captação, atenta, da edição 2010 da Mostra.

THE GIFT
3 de Fevereiro; 23h00

Os The Gift anunciam uma digressão de dois meses em Portugal e Espanha onde apresentam temas novos. A digressão chamar-se-á “Primavera/Explode – Mil cores possíveis”. Baseado em temas novos gravados recentemente numa jornada de 10 dias no Centro Cultural de Belém e os mais recentes do último disco Explode, esta digressão apresentará os The Gift nas principais salas nacionais e espanholas. Depois desta digressão, a banda estará parada alguns meses, período durante o qual Sónia Tavares dará à luz o seu primeiro filho.
A propósito do novo trabalho “Explode”, Nuno Gonçalves declarou: “é um disco de vida feito para toda a vida. O seu real significado? Uma explosão de cores, de luz, de vida, de nova vida. O disco feito e ouvido representa o disco que sempre sonhámos fazer. O disco onde juntámos tudo o que aprendemos, tudo o que lemos, tudo o que vimos, tudo o que ouvimos e em género de conclusão, começamos tudo outra vez. Do início. Como se hoje, dezassete anos depois do primeiro ensaio, sentíssemos a mesma energia, a mesma força, a mesma confiança, a mesma motivação. Gravámos a emoção como se fosse o primeiro disco. Gravámos a emoção como se fosse o último disco”.

JP SIMÕES
11 de Fevereiro, 23h00

Belle Chase Hotel e Quinteto Tati têm sido os habitats onde JP Simões tem concebido e produzido muitas das composições com que se foi distinguindo como magnífico escritor de canções e intérprete. Em 2006, preparou um novo espetáculo intitulado de “Canções do jovem cão” e anunciou o lançamento da sua carreira a solo. O seu primeiro disco em nome individual, com o título de “1970”, é editado no início de 2007. O disco recebeu elogios dos críticos. O público também se rendeu ao trabalho, tendo o álbum passado pelo top 30 de discos mais vendidos em Portugal durante 3 semanas, tendo chegado ao 12º lugar. No Outono de 2007, é publicado o livro “O Vírus da Vida”, contos de JP Simões, ilustrados por André Carrilho.

Em 2009 é editado o álbum “Boato”, registo do concerto ao vivo onde recupera canções gravadas pelos grupos por onde passou; é um disco sublime que pisca o olho ao passado como reflexo incondicional do seu autor, mas que na sua essência é um disco novo com temas inéditos. Conceptual e brilhante. Ou como alguém observou: “Não há uma melodia fraca, não há dicção que não seja imaculada. JP Simões tornou-se o grande escritor de canções”.

FRANKIE CHAVEZ
18 de Fevereiro, 23h00

Frankie Chavez é um dos mais promissores talentos da nova música portuguesa, tendo vindo a ser referido como a mais recente revelação blues do Sul da Europa. A sua música, conjuga diferentes tipos de sonoridades, resultando num Blues/Folk composto por ambientes limpos e por outros mais crus e psicadélicos. Apesar de se identificarem diferentes influências musicais (Robert Johnson, Jimi Hendrix, Kelly Joe Phelps, Ry Cooder), é difícil encontrar um único termo para definir a sua música, o que lhe garante um estilo único e inconfundível.
Ao vivo, Frankie Chavez atua em formato de one man band ou com um baterista. Mune-se de várias guitarras com diferentes afinações, de uma bateria improvisada e de vários pedais de efeitos. Ao sobrepor layers de frases de guitarra através de uma loop station, cria uma sonoridade corpulenta mas respirada, onde nada é feito ao acaso. Quando canta cria uma proximidade com o público pelo seu tom intimista e pela natureza pessoal das suas letras.

OSSO VAIDOSO + GODOT
24 de Fevereiro, 23h00

Ana Deus e Alexandre Soares, os Osso Vaidoso, cruzaram as suas experiências musicais nos Três Tristes Tigres. Para trás, nos anos 80, estavam os Ban e os GNR. Longe de serem novatos, procuram, no entanto, sempre uma perspetiva nova que oriente as suas criações e é neste Osso vaidoso que de novo se encontram. Canções simples onde o texto marca a pulsação e as guitarras fogem ao lugar-comum. As canções sempre foram o objeto de trabalho de Alexandre Soares. Guitarrista pop, de frases simples e melodias fortes, marcou o som dos GNR na década de 80 e mais tarde a identidade dos “Três Tristes Tigres” nos anos 90.

A NAIFA
2 de Março, 23h00

Nasceu em 2004 pela mão de João Aguardela e Luis Varatojo, músicos associados à pop portuguesa dos anos 80 e 90, aos quais se juntou uma nova voz, Maria Antónia Mendes. O repertório totalmente original resulta de letras de novos poetas portugueses e temas com base em referências da música de raiz lusa. Em cinco anos editaram três álbuns e realizaram espetáculos dentro e fora de Portugal. Com uma nova formação que inclui Sandra Baptista no baixo e Samuel Palitos na bateria, A NAIFA regressa mais afiada que nunca! O ano de 2011 foi dedicado em exclusivo à internacionalização da banda, com concertos em diversos países, com destaque para a Tour por vários países da África Austral e a presença na edição do vigésimo aniversário do reputado Festival criado por Peter Gabriel, WOMAD.

O ano de 2012 marcará a saída do seu 4º álbum de originais. A partir de Março o público português será o primeiro a conhecer o novo disco que originará uma tournée de apresentação nacional. O novo disco, com 11 canções compostas a partir de textos de Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Margarida Vale de Gato, Maria do Rosário Pedreira e Renata Correia Botelho, tem saída marcada para Fevereiro de 2012.

PAUS + TWO WHITE MONSTERS AROUND A ROUND TABLE
10 de Março, 23h00

Os PAUS são o Hélio Morais, o Joaquim Albergaria, o João Pereira e o Makoto Yagyu. Não gostam de biografias, nem têm paciência para elas. Por isso ficamo-nos por aqui: São estes quatro gajos, que gostam de fazer música juntos e que gostam de se meter em sítios estranhos. Editaram um EP no ano passado, considerado um dos discos do ano por uma série de publicações, fizeram um churrasco na sua garagem para o apresentar, correram uma data de festivais fixes de verão, como o Paredes de Coura, Optimus Alive ou o Milhões de Festa, fartaram-se de tocar as músicas do EP vezes sem conta e por isso mesmo criaram o Só Desta Vez – No Lux, onde tiveram a oportunidade de, ao longo de seis meses, convidar os seus amigos para reinterpretarem essas mesmas músicas. Em Outubro editaram o álbum de estreia “PAUS” pela Valentim de Carvalho.

Henrique Fernandes e João Filipe formaram os “Two White Monsters around a round table” em Setembro de 2009, após um convite para fazerem um concerto de improvisação livre com a formação de um duo de bateria e contrabaixo; decidiram com este projeto experimentar uma abordagem musical diferente da que tinha sido inicialmente proposta, a que passaram posteriormente a denominar por “BLACK SONIC JAZZ“. Esta è a expressão que os próprios usam para definirem o som que fazem, musica que vagueia entre a mais bela orquestra votada ao caos e o mais livre harsh-jazz. Lançaram entretanto pela editora “Latrina do chifrudo” o seu primeiro EP “ Two White monsters around a Round table”, estando para breve o lançamento de um segundo.

KUSSONDULOLA
17 de Março, 23h00

Ao fim de vinte anos de existência, Kussondulola sabe que está quase a ocupar o espaço deixado vazio pelo CD «Tá -se bem», de 1995. Mesmo sem ser uma obra de viragem na sua carreira, “AmaJah ”, o seu novo trabalho, é um álbum sem cedências. Kussondulola continua a fazer sentido, e essa é a principal lição a retirar destes discos. Se hoje o seu grito ecoa por milhões de ouvidos, é por mérito e não por a banda alguma vez ter cedido ao sistema.

Fiel aos seus princípios continua a comunicar através de palavras cortantes e sons originais, em que a exigência é ponto assente para os músicos. “AmaJah ” retrata a vida de um dos mais cortantes e interventivos grupos de reggae dos PALOP e não é especialmente diferente dos anteriores, o que, neste caso, é um bom sinal de fidelidade a ideias muito próprias; os grandes temas da humanidade complementam o que Kussondulola sempre fez: escrever, musicar e alertar a sociedade para os seus problemas mais profundos. Aliás, questões como o ataque às forças políticas são temas constantes, a par da erradicação da pobreza, como se pode escutar em “Custo de Vida”, um dos mais clarividentes depoimentos sobre o crescente fosso entre ricos e pobres que ocorre no mundo de hoje. O amor a Jah é, como sempre, a chave das letras.

B FACHADA
24 de Março; 23h00

Há três anos ninguém lhe sabia o nome, mas B Fachada, (Queluz, 1984), já se torna claro para muita gente (mesmo que não unânime – como sempre, com os grandes) que é o maior escritor de canções português da sua geração. Desde João Peste ou Variações que não havia esta “vibrância” e frescura que só quem canta com a verdade na voz consegue comunicar, ainda mais potente pelo deserto temporal e artístico que separa a década de 80 a 2010 neste campo de atividade artística.
O seu poder resulta, acima de tudo, como nos maiores da história da canção Ocidental moderna e contemporânea, de uma leitura de crítica e lucidez de ímpeto inquebrantável. Bernardo Fachada diz-nos que “há o cuidado de não substituir uma convenção por outra. Destruir sem fazer, sem ser moralista”.

Neste 2011 que agora finda salta à vista a sua recheada agenda ao vivo, a solo e com a sua aclamada banda, com destaque para a triunfal apresentação no Festival Super Bock Super Rock no Verão. Mas com certeza um dos pontos altos, mais recompensadores, foi o lançamento da sua polémica e ambiciosa opus ‘Deus, Pátria e Família’, um magnífico bilhete de vinte minutos para José Mário Branco e um verdadeiro manual (deliberadamente mal disfarçado) do que há para pensarmos neste momento tão particular do nosso país.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This