O Salgado Faz Anos Fest celebra o futuro da música nacional
O Maus Hábitos volta a receber, a 31 de Janeiro, o festival que junta mais de 17 nomes da nova geração portuguesa.
No próximo Sábado, 31 de Janeiro, das 21h00 às 06h00, o quarto andar do Maus Hábitos, no Porto, volta a encher‑se de música, convívio e promessas sonoras com mais uma edição d’O Salgado Faz Anos Fest. A festa de aniversário que se tornou um marco na agenda cultural portuguesa mantém‑se fiel ao lema de celebrar o futuro proletariado da música nacional, abrindo o calendário de festivais de 2026 com uma programação diversa e surpreendente.
O evento, que se estende madrugada dentro, é descrito como uma “rambóia teoricamente desaconselhável a partir de certa idade”, mas a vitalidade do público e da organização prova o contrário. O espírito de celebração vive lado a lado com uma curadoria exigente: um cartaz fresco, com mais de 17 atuações, que atravessa gerações, estilos e regiões, mostrando que a música nacional amadurece sem nunca perder o ímpeto juvenil.
Entre os nomes confirmados para esta edição destacam‑se os regressos de Pluto e Them Flying Monkeys, que partilham o alinhamento com projetos emergentes como Esquerda, OKA e miaw. Há também espaço para a experimentação de Alomorfia, Redoma e Aquele Gajo Que Vem Sempre, bem como para colaborações singulares, como o duo Inês Gouveia + Frederica Campos.
O Porto, como sempre, marca presença forte no evento, com as carrinhas a subir desde o antigo Centro Comercial STOP até à Rua Passos Manuel, conduzidas por artistas locais como Cat Soup, Scatter e Marquise. É este espírito comunitário, misto de bairrismo e irreverência, que confere ao festival um carácter único no panorama musical português.
A programação estende‑se também à pista e aos visuais: a fechar a noite, o coletivo MAQUINA troca os instrumentos pelos CDJs num DJ set que promete energia até ao amanhecer, seguido da dupla IBSxJAUR, que levará o electro‑clash ao limite do que 2026 pede. No campo das artes visuais, a Mupi Gallery acolhe as propostas de Eufémia, reforçando o cruzamento entre música e imagem que caracteriza o evento.
Entre os habitués, regressa ainda DJ A Boy Named Sue, responsável por animar várias edições anteriores e símbolo do ADN prolongadamente festivo d’O Salgado Faz Anos Fest. Ao longo dos anos, esta festa nasceu como um aniversário pessoal, mas transformou‑se num ponto de encontro da cena independente portuguesa, onde coexistem nostalgia e descoberta.
No fim, o que se celebra é mais do que o soprar de velas: é a continuidade de um espaço de liberdade criativa, resistência cultural e partilha entre gerações. Porque, como o próprio festival prova, há festas que nunca envelhecem — apenas ganham ritmo e sabedoria.
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