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Pedra Dura: festival de dança volta a Lagos de 4 a 14 de novembro

A 5.ª edição do Festival de Dança do Algarve traz Alessandro Sciarroni, Vera Mantero, Clara Andermatt e Tales Frey.

O Pedra Dura – Festival de Dança do Algarve regressa a Lagos de 4 a 14 de novembro para a sua 5.ª edição, ocupando vários espaços da cidade com dança, cinema, música e masterclasses. Alessandro Sciarroni, Vera Mantero, Clara Andermatt e Tales Frey estão entre os destaques de uma programação que cruza criadores nacionais e internacionais. Sob o mote “Voltamos atrás sem repetir o momento”, o festival propõe revisitar o que ficou para trás e perceber o que ainda permanece em movimento.

Entre memória e reinvenção

É a partir desse gesto de olhar de novo, a partir do presente, que se constrói a nova edição do Pedra Dura: reconhecer o que deixou marca, reencontrar memórias e trabalhar no espaço entre memória e mudança, permanência e reinvenção.

Alessandro Sciarroni traz a Lagos Save the Last Dance for Me, que recupera a polka chinata, antiga dança de cortejo bolonhesa, e a transforma num dueto contemporâneo marcado pela intimidade, pela tensão e pela confiança. Vera Mantero apresenta uma misteriosa Coisa, disse o e.e. cummings, solo estreado em 1996 para a “Homenagem a Josephine Baker”, uma iniciativa da Culturgest, em Lisboa.

uma misteriosa Coisa, disse o e.e. cummings, de Vera Mantero
uma misteriosa Coisa, disse o e.e. cummings, Vera Mantero © Jorge Gonçalves (1996)

Clara Andermatt mostra O Cansaço dos Santos, obra de forte carga simbólica em que ícones ritualísticos e religiosos são atravessados por uma intensa fisicalidade e por uma sexualidade latente.

O Cansaço dos Santos, de Clara Andermatt
O Cansaço dos Santos, Clara Andermatt © Andrea Couceiro

Os convidados internacionais

Tales Frey, um dos artistas internacionais convidados, apresenta Be (on) you, espetáculo que investiga a relação entre identidade, desejo e alteridade no espaço público. Leva ainda a instalação Zona de Contacto ao Museu de Lagos e dá uma masterclass sobre indumentos performativos.

Be (on) you, de Tales Frey
Be (on) you, Tales Frey © Elyes Esserhane

Em Megastructure, Sarah Baltzinger e Isaiah Wilson exploram a relação entre dois corpos em permanente coabitação, partindo da sua experiência enquanto casal; Chiara Corbetta, intérprete do espetáculo, dará a conhecer a prática coreográfica dos criadores numa masterclass. Bruno Senune surge em dois momentos: Nácar, sobre o esquecimento e a ficção das memórias de infância, e Melancolia, um ritual no espaço público entre fragilidade e potência. A programação internacional completa-se com Celebration, de Polina Kanis, que recorre ao vídeo e à performance para questionar as estruturas de poder.

Criação nacional em palco

Entre as criações nacionais está Final Girl, de Rina Marques e Rui Paixão, solo inspirado no cinema de terror que parte da figura da sobrevivente para refletir sobre medo, resistência e sobrevivência, e SECO, de Bernardo Chatillon, sobre a dificuldade de traduzir em palavras a experiência contemporânea, encontrando no corpo uma possibilidade de expressão.

A programação inclui ainda This is Not a Love Story, This is A & B, de Maurícia | Neves; Grief in progress, de BULLYACHE; e An embodied exploration of human manipulation, de Ioanna Anousaki, sobre as dimensões psicológicas, emocionais e sociais das relações tóxicas.

Cinema, música e um concerto num barco

O cinema volta a integrar o festival com cinco propostas. Pele Nómada, de Aline Belfort e João Fiadeiro, acompanha o percurso de Fiadeiro por lugares ligados à sua trajetória e à do atelier RE.AL, em diálogo com Crying Cycle III, de Daniel Matos e João Catarino. Para as escolas, O Corpo que Atravessa, de Mário J. Negrão, parte de Sensorianas, de Clara Andermatt. Bull’s Heart, de Eva Stefania, acompanha Dimitris Papaioannou e a sua equipa durante a criação e digressão de Transverse Orientation, e HURLE, de Flora Détraz, explora o inconsciente através da figura de uma mulher-oráculo.

Na música, ANTERA apresenta Delíria, concerto-performance que reinventa a tradição portuguesa através da eletrónica e da canção de autor, num barco junto ao Forte da Bandeira. REZMORAH traz HÍBRIDA, entre música e poesia eletrónica, e alga, projeto de Cláudia Simões, propõe uma experiência sonora performática. Há ainda DJ sets de Von-Cente, João Melgueira e Tiago Assis, no âmbito da Mad Roller Disco, que cruza a tradição da patinagem de Lagos com a Roller Dance, além de Guilhotina, com Cumbia Sunset, e VNHQ.

Exposições, residências e conversas

O festival renova a parceria com o Centro Ciência Viva de Lagos, onde se apresenta Aqui há um buraco, visita performativa de José Ferreira. Inaugura uma nova exposição do CenDDA – Centro de Documentação de Dança do Algarve, com a Biblioteca Municipal Dr. Júlio Dantas e o Município de Lagos, e mostra Roommates, de Ruben Bellinkx, no Centro Cultural de Lagos. Será também lançada a mais recente edição da Coreia, com a performance Reverberações de um corpo-tela, de Wura Moraes, e regressam as residências artísticas, em parceria com os Estúdios Victor Córdon, o Centro Ciência Viva de Lagos, a Kultur | LX e a TROIS C-L.

Para o debate, Rita Rodrigues dirige o projeto Corpo Crítico, Tiago Mansilha conduz conversas pós-espetáculo e o podcast Podemos tratar-nos por tu?, e haverá uma conversa sobre os desafios da programação cultural no Algarve.

Com direção artística de Daniel Matos e Joana Flor Duarte, o Pedra Dura é uma coprodução da Cama – Associação Cultural e do Município de Lagos, com apoio da Direção-Geral das Artes. O programa completo está disponível no site oficial do festival e no Instagram e Facebook do festival. Durante dez dias, Lagos volta a afirmar-se como um ponto de encontro da dança contemporânea no sul do país.



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