fOsqa: a nova marca portuguesa que faz da luz objeto de autor
Criada pela KATOA Lighting e pelo arquiteto Pedro Geraldes, a plataforma curatorial apresenta uma primeira coleção de cinco peças assinadas.
Chama-se fOsqa e é a nova marca portuguesa dedicada a objetos de iluminação de autor. Nascida da ligação entre a KATOA Lighting e o arquiteto portuense Pedro Geraldes, apresenta-se como uma plataforma curatorial em que cada peça parte do gesto artístico e da identidade de quem a assina. A primeira coleção, desenhada pelo próprio Pedro Geraldes, reúne cinco criações — TOBU, MIES, NEIL, UNSYM e ÍCARO — e já pode ser descoberta e adquirida online, em fosqa.com.
Entre a técnica e a liberdade criativa
Mais do que criar luminárias, a fOsqa propõe peças pensadas para contar histórias, provocar emoções e transformar a forma como vemos, sentimos e habitamos a luz. Na origem do projeto está o encontro entre a experiência da KATOA Lighting na produção de soluções de iluminação e a visão de Pedro Geraldes, profundamente ligado à arquitetura e ao design e à forma como estas disciplinas podem despertar mais emoção e menos neutralidade.
Formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, Pedro Geraldes fundou em 2017 o Pedro Geraldes Studio, dedicado a projetos de arquitetura residencial e industrial e ao desenvolvimento de objetos que aproximam beleza, função e experiência humana. Já a KATOA Lighting é uma marca portuguesa de iluminação para espaços interiores, exteriores e industriais, com forte componente técnica e capacidade de personalização. É na fábrica da KATOA que as peças fOsqa são produzidas, garantindo que cada conceito se transforma num objeto funcional.

Cor, assimetria e humor
A coleção inaugural materializa a visão com que a marca se apresenta: objetos de iluminação que não começam necessariamente na função, mas num gesto artístico com uma base de pensamento arquitetónico. As cinco peças exploram a cor, a assimetria, o equilíbrio, o humor e a relação entre luz, corpo e espaço.
“A alegria pode ser desenhada. O silêncio também.”
— Pedro Geraldes, arquiteto e designer
A frase resume uma coleção que oscila entre objetos expressivos, coloridos e provocadores e peças que quase desaparecem para dar o protagonismo à luz. Para o arquiteto, a cor não é acabamento, mas matéria ativa, capaz de alterar a perceção do objeto e a atmosfera de um espaço; a assimetria introduz tensão, curiosidade e descoberta. Num momento em que grande parte do design converge para linguagens neutras e seguras, Pedro Geraldes prefere explorar os extremos: o objeto que se impõe e o objeto que sussurra.
Cinco peças, cinco personalidades
TOBU é uma família de luminárias composta por volumes retangulares alongados e elementos estruturais em aço. Entre a precisão arquitetónica e uma dimensão lúdica, as várias versões exploram a verticalidade, a simetria e a assimetria, criando luz direta, rasante ou difusa — e a cor dá-lhe a capacidade de transformar um espaço mesmo quando está apagada. MIES, uma homenagem à linguagem de Mies van der Rohe, faz emergir a luz da distância entre dois planos deslocados. Pode ser orientada a 90, 180, 270 ou 360 graus, e cada plano pode receber uma cor, um material ou um acabamento diferente: não se escolhe apenas uma MIES, constrói-se a sua.

NEIL, inspirada no primeiro ser humano a pisar a Lua, traz o astro para o nível do olhar, combinando uma grande forma circular luminosa com uma estrutura mínima em negro profundo. Apagada, quase se anula; acesa, oferece uma luz envolvente, contínua e quase tátil. UNSYM parte da relação entre formas distintas para alcançar um equilíbrio inesperado e desafiar a ideia de que este depende da simetria — apresentada neste lançamento, só deverá chegar ao mercado nos próximos meses.

ÍCARO é a peça mais performativa e bem-humorada do conjunto: o abat-jour abandona o espaço e coloca-se sobre a cabeça, transformando quem o usa numa fonte de luz e numa escultura viva. Tal como a figura mitológica que lhe dá nome, escolhe aproximar-se da luz e assumir o risco, a vertigem e o absurdo desse gesto.

Uma plataforma aberta a novos autores
A primeira coleção é apenas o ponto de partida. A fOsqa quer convidar artistas, arquitetos, designers, escultores, ilustradores e artesãos, nacionais e internacionais, a interpretar a luz a partir dos seus próprios universos. A consistência da marca não estará numa estética única, mas no olhar curatorial de Pedro Geraldes e na seleção de autores, com cada coleção a funcionar como uma voz diferente dentro do mesmo espaço.
Os próximos capítulos já estão em preparação: entre as colaborações anunciadas estão a artista multidisciplinar dinamarquesa Tilde Grynnerup e o designer austríaco Stefan Sagmeister. As peças dirigem-se ao público final, mas também a arquitetos, designers de interiores, colecionadores, hotéis, restaurantes, lojas e projetos culturais que procurem objetos com autoria e identidade.
Com um catálogo pensado para crescer de forma plural, a fOsqa entra no mercado com uma ambição clara: provar que uma luminária pode acrescentar emoção, curiosidade e significado ao espaço que ocupa, tenha ou não a luz acesa. Os próximos nomes dirão até onde pode ir essa conversa entre arte, arquitetura e luz.
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