Festival Futurama 2026 regressa ao Baixo Alentejo pela quinta vez
Três fins-de-semana de arte contemporânea, entrada livre, em Beja, Mértola e Alvito.
O Festival Futurama chega à sua quinta edição com um programa que atravessa o Baixo Alentejo entre 15 e 30 de Maio de 2026, reunindo artes visuais, música, performance, teatro e palavra em espaços culturais e patrimoniais de Beja, Mértola e Alvito. A entrada é livre em todos os momentos, e o resultado de meses de residências artísticas e do programa Artistas nas Escolas torna-se agora visível ao público. Com financiamento da Direção-Geral das Artes e da Fundação Millennium BCP, entre outros apoiantes, o Futurama consolida-se como um ecossistema cultural de referência no interior de Portugal.
Um festival construído no território
O Futurama não é apenas um festival de programação importada: nasce, cresce e apresenta-se no próprio território que o acolhe. Ao longo de meses, artistas em residência trabalham lado a lado com comunidades locais — alunos do Instituto Politécnico de Beja, da Escola Secundária Diogo de Gouveia e da Escola Profissional de Alvito —, transformando processos de criação em obras que o público vai agora descobrir. Esta dinâmica de imersão territorial distingue o Futurama de outros eventos culturais e justifica a fidelidade crescente das comunidades do Baixo Alentejo ao projeto.
Este ano, destaca-se igualmente o trabalho da coreógrafa e bailarina Mariana Tengner Barros, que desenvolveu uma residência com os desportistas da Ginástica Acróbática da Escola Secundária de S. Sebastião em Mértola e com os alunos da Escola de Música da ALSUD. Paralelamente, as residências com a CerciBeja e a Universidade Sénior da ALSUD resultaram em novas obras de Horácio Frutuoso e Ana Baleia — criadores com percursos muito diferentes que o Futurama soube reunir em torno de um propósito comum.
Beja abre o festival com exposições, concertos e performance
O arranque acontece em Beja nos dias 15 e 16 de Maio, com um programa denso que combina inaugurações, workshops e espectáculos noturnos. A 15 de Maio, às 11h30, abre a exposição de fotografia de David Infante com alunos do Instituto Politécnico de Beja. Às 17h00, no Espaço Futurama, inaugura a exposição de artes visuais de Horácio Frutuoso, criada em residência com a CerciBeja, onde palavras e imagens funcionam como superfícies de resistência à banalização da cultura visual contemporânea. Ao final do dia, às 18h30, o projeto a solo t.204 de João Spencer apresenta Vale, primeiro álbum de um processo criativo iniciado em 2012.
No dia 16, o Espaço Futurama acolhe de manhã um workshop de artes visuais com Horácio Frutuoso, aberto à comunidade. À tarde, a artista natural de Beja Carincur apresenta, no Clube UNESCO, uma instalação visual e sonora com alunos da Escola Secundária Diogo de Gouveia — uma investigação sobre corpos, voz e tecnologia. A noite pertence a Sara Inês Gigante, que apresenta Popular às 21h00 no Teatro Municipal Pax-Julia, um espectáculo que parte da autoficção para interrogar os limites entre cultura de elite e cultura de massas.
Mértola e Alvito completam o mapa do festival
A 22 de Maio, Mértola recebe o festival na aldeia de Algodôr, onde Ana Baleia apresenta a instalação desenvolvida em residência com a Universidade Sénior da ALSUD. A coreógrafa Mariana Tengner Barros estreia a performance criada com os alunos da Escola Secundária de S. Sebastião e da Escola de Música da ALSUD — um trabalho que parte do corpo e do espectáculo da vida social, assinatura reconhecida internacionalmente desta criadora. O dia fecha com o Cantexto interpretado por grupos de cante alentejano do concelho de Mértola.
O encerramento acontece a 30 de Maio em Alvito, com três momentos distintos: uma Constelação de debate público em torno da liberdade de criação artística em democracia, a propósito do Artigo 42.º da Constituição no seu 50.º aniversário; a instalação de Filippo Fiumani com alunos da Escola Profissional de Alvito, que cruza expressionismo abstracto com materiais descartados; e o concerto final do Cantexto nas Grutas do Rossio, com a participação especial do grupo Rama Verde de Vila Nova da Baronia.
O Cantexto: poesia viva no coração do Alentejo
Projeto âncora do Futurama, o Cantexto estreia este ano seis novos poemas assinados por Yara Nakahanda Monteiro, Bruno Vieira Amaral, Nástio Mosquito, Patrícia Reis, Hugo van der Ding e Cristina Taquelim. Os textos são musicados e interpretados ao vivo com grupos corais do Baixo Alentejo, numa fusão entre poesia contemporânea e tradição de cante alentejano que percorre todas as geografias do festival. O encontro entre estas vozes literárias e as vozes coletivas das comunidades locais é um dos momentos mais singulares de todo o programa.
O Cantexto apresenta-se nas três cidades — Beja, Mértola e Alvito —, adaptando-se aos espaços e aos intérpretes locais, mas mantendo uma coerência artística e conceptual que o torna num dos projetos mais reconhecíveis do Futurama.
O Espaço Futurama: centro nevrálgico todo o ano
Para além dos fins-de-semana de festival, o Espaço Futurama em Beja funciona como centro operacional do projeto ao longo de todo o ano, acolhendo residências artísticas, encontros de investigação e ações com escolas e associações locais. É aqui que se constroem, ao longo dos meses, as ligações entre práticas contemporâneas e saberes do território que o festival torna visíveis em Maio.
O festival conta com o financiamento da Direção-Geral das Artes / Ministério da Cultura, da Fundação Millennium BCP, do Fundo do Fomento Cultural e das Câmaras Municipais de Beja, Mértola e Alvito, com apoio institucional da Comissão Nacional da UNESCO e do Plano Nacional das Artes, e Alto Patrocínio da Presidência da República. A programação completa está disponível em www.futurama-alentejo.com.
Cinco anos de presença ininterrupta no Baixo Alentejo são, por si só, uma declaração de intenções: o Futurama não é um projeto de passagem, mas um compromisso duradouro com um território que tem muito para dar — e que, com o apoio certo, tem ainda mais para mostrar.
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