Maripool anuncia estreia com “Rotten Luck”
Álbum chega em 28 de Agosto e inclui o novo single «Crossing».
Maripool anunciou o lançamento do álbum de estreia “Rotten Luck”, com edição marcada para 28 de Agosto de 2026 pelas editoras Smoking Room e Lost Wisdom, revelando em simultâneo o single «Crossing», inspirado em memórias de infância ligadas à travessia entre Lisboa e Almada.
Nascida em Lisboa e atualmente radicada em Londres, Natacha Simões apresenta neste primeiro longa-duração uma abordagem mais expansiva e emocional, cruzando shoegaze com indie alternativo. «Crossing» surge como um dos momentos mais pessoais do disco, evocando viagens de verão com os pais e a ligação afetiva à ponte sobre o Tejo, elemento visual que marcou também o processo criativo durante uma residência artística em Lisboa.
Foi precisamente durante essa residência, em Janeiro de 2025, que “Rotten Luck” começou a ganhar forma. Instalado num antigo edifício de pescadores, o isolamento e a paisagem ribeirinha influenciaram a escrita, alternando entre dias de silêncio e introspeção e noites de regresso à cidade. Este contraste entre afastamento e reconexão tornou-se central no disco, que explora temas como identidade, migração e memória.
Ao longo do álbum, Maripool confronta a relação entre passado e presente, refletindo sobre o impacto de ter deixado Lisboa ainda adolescente e o significado de regressar. A artista descreve o disco como um processo de reencontro com partes de si própria que permaneceram latentes, num equilíbrio entre aceitação e confronto emocional. O título “Rotten Luck”, retirado de uma das canções, sintetiza essa jornada, marcada por um acerto de contas com experiências passadas.
Em termos sonoros, este trabalho representa uma mudança face aos lançamentos anteriores. Gravado no sul de Londres com o produtor Joseph Futak, “Rotten Luck” contou pela primeira vez com a participação da banda ao vivo de Maripool. As canções foram desenvolvidas de forma orgânica em estúdio, muitas partindo de esboços que evoluíram através da experimentação, resultando num registo mais imediato e imprevisível.
O álbum integra ainda elementos do passado da artista, como gravações em VHS e memórias fragmentadas, incorporados diretamente nas composições. Essa abordagem reforça a tensão temática do disco, ao cruzar diferentes camadas temporais e emocionais. Entre as influências apontadas encontram-se nomes como Alex G, Feeble Little Horse, Wednesday, Duster e Sonic Youth, embora o resultado final se afirme com identidade própria.
Paralelamente à música, Maripool mantém uma forte componente visual no projeto. A artista desenvolveu a estética de “Rotten Luck” em colaboração com a irmã, Carina Simões, e um círculo próximo de amigos, preservando uma lógica DIY que acompanha o percurso desde os primeiros lançamentos.
Desde a estreia com «Blindness», em 2021, Maripool tem vindo a afirmar-se no circuito alternativo, com os EPs “It All Comes At Once” (2022) e “a day that feels like nothing at all” (2024) a consolidarem uma linguagem sonora introspectiva. Após atuações em Londres ao lado de bandas como Feeble Little Horse, Squirrel Flower e They Are Gutting a Body of Water, a artista apresenta agora um álbum que marca simultaneamente um ponto de chegada e um novo começo na sua trajetória.
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