Mark Eitzel no Black Balloon#11 by Pedro Ramos

“Em Dezembro de 2011, quando comecei a fazer os convites para esta aventura Black Balloon, o primeiro email que enviei foi para Mark Eitzel.

Gostava de ter uma explicação lógica para isto.

Talvez por ser sempre com palavras que se alojam cá dentro aqueles de que gosto. E poucos manuseiam as palavras como Eitzel. Talvez a voz tenha sido um factor, claro… A Voz.

Se Cohen é a voz de Deus e Dylan a do Diabo, então Eitzel é sério candidato à voz do Homem, dos seus medos e desequilíbrios. Não acredito em Deus nem no Diabo, por isso agarro-me a este miserável gay barbudo de São Francisco. Mesmo sabendo que uma grande queda está próxima, porque no fundo é das rasteiras que nascem as melhores canções, ele é o meu homem.

A resposta ao email foi um imediato SIM, que viria a Lisboa, mas só depois de acabar o disco que estava na altura a construir…

Chamou-lhe “Don’t Be A Stranger”.

É um álbum-milagre que apenas existe porque um amigo de Eitzel ganhou a lotaria e ofereceu-se para pagar os custos de estúdio. Escrito na ressaca de um ataque cardíaco e após o encerrar definitivo do capítulo American Music Club (tragicamente sublinhado pela morte do baterista Tim Mooney), “Don’t Be A Stranger” tresanda a obra-prima e tem sido justamente aclamado na recta final de 2012 como o seu melhor álbum a solo desde “The Invisible Man” de 2001, ao mesmo tempo que no classicismo dos arranjos se aproxima como nunca do auge que foi “California” da sua antiga banda.

É o documento que melhor consegue materializar o crooner que sempre morou dentro dele.

Em palco, acompanhado por três músicos, um homem que não deveria estar vivo construirá a mais improvável das realidades, mais de um ano depois daquele primeiro convite.

Será a 08 de Fevereiro, entre os balões.” (Pedro Ramos)

LUX
8 de Fevereiro

MARK EITZEL
PEDRO RAMOS | MR. MITSUHIRATO (BAR)
23h00 | 10€



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