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MOTELX celebra 20 anos com 11 dias de terror em Lisboa

A 20.ª edição do festival de terror de Lisboa decorre de 3 a 13 de Setembro, com Monica Bellucci, RZA e Solveig Nordlund entre os destaques.

O terror volta a bater à porta de Lisboa — e desta vez a festa é redonda. A 20.ª edição do MOTELX – Festival Internacional de Terror de Lisboa decorre de 3 a 13 de Setembro de 2026, pela primeira vez ao longo de 11 dias, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa. A antevisão da programação, apresentada a 15 de Julho, revela dez longas-metragens na secção principal, duas novas secções em parceria com a Cinemateca Portuguesa e o Goethe-Institut Portugal, e a atribuição do Prémio Noémia Delgado à cineasta Solveig Nordlund. A programação completa será anunciada em Agosto.

Serviço de Quarto: de Monica Bellucci a RZA

A secção principal do festival, o temível Serviço de Quarto, recebe desde já dez longas-metragens internacionais. Do Festival de Cannes chegam «Species» (Bélgica/França), um body horror de Marion Le Correller, e «The Birthday Party» (Bélgica/França), thriller psicológico de Léa Mysius com Monica Bellucci no elenco. Com passagem pela Berlinale, o J-Horror «AnyMart» (Japão), de Yusuke Iwasaki, expõe o lado sombrio do mundo laboral japonês.

A música invade o grande ecrã com «Game» (Reino Unido), de John Minton, interpretado por Jason Williamson (Sleaford Mods) e com argumento e produção de Geoff Barrow (Portishead), e com «One Spoon of Chocolate» (EUA), o quarto filme de RZA (Wu-Tang Clan), um revenge thriller com produção executiva de Quentin Tarantino. Completam a lista «Fuck My Son!», comédia X-rated de Todd Rohal, a comédia sci-fi neozelandesa «Mum, I’m Alien Pregnant», da dupla Thunderlips, «The Furious» (Hong Kong), de Kenji Tanigaki, «Our Effed Up World» (Austrália/Canadá), de Alice Maio Mackay, e «Poultry Farm» (Irão), de Mohammadreza Ardalan.

Solveig Nordlund recebe o Prémio Noémia Delgado

Depois de ter consagrado a produtora norte-americana Gale Anne Hurd, o Prémio Noémia Delgado para Mulheres Notáveis no Terror é atribuído em 2026 à cineasta sueca, naturalizada portuguesa, Solveig Nordlund. O MOTELX distingue assim uma das mulheres pioneiras no cinema fantástico e de terror e uma das figuras mais inovadoras da cinematografia portuguesa, cujo universo autoral é profundamente contaminado por H. P. Lovecraft e J. G. Ballard.

Novas secções: da Cortina de Ferro à morte

Uma das grandes novidades é a secção Lost in Europe: O Terror por Detrás da Cortina de Ferro, um ciclo em parceria com a Cinemateca Portuguesa que pretende resgatar cinematografias europeias esquecidas. Serão exibidos seis filmes, entre os quais «The Singing, Ringing Tree» (RDA, 1957), «Werewolf» (URSS, 1968), de Leida Laius, «Ferat Vampir» (Checoslováquia, 1981), de Juraj Herz, e «Possession» (1981), de Andrzej Żuławski.

Em conjunto com o Goethe-Institut Portugal nasce a secção Falar sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém), uma reflexão sobre a única certeza da vida através de vários painéis e de três obras centrais do cinema de género germânico: «Nosferatu: O Vampiro da Noite» (1979), de Werner Herzog, e «Nekromantik» (1988) e «The Death King», de Jörg Buttgereit.

Quarto Perdido, Suite 13 e Sala de Culto

O Quarto Perdido debruça-se este ano sobre José de Sá Caetano, realizador nascido em Leiria em 1933 e membro do grupo fundador da cooperativa Cinequanon, ao lado de José Fonseca e Costa, Luís Galvão Teles e António de Macedo. Serão revisitadas «As Ruínas no Interior» (1976), «Um S Marginal» (1983) e «Azul Azul» (1984), a tríade de filmes comunicantes de uma das figuras mais esquecidas do cinema português.

A Suite 13 ergue um programa idealizado pelo programador convidado Carlos Alberto Carrilho, intitulado «Sergio Martino e Acid Giallo: Atmosferas que Turvam os Sentidos», dedicado ao cineasta italiano recentemente redescoberto através de restauros em 4K e de menções de Quentin Tarantino e Guillermo del Toro. Já a Sala de Culto, sob o subtítulo Lost in Translation, apresenta «Kung Fu à Portuguesa» — exibido em Portugal em 1974 com legendas criativas de Raúl Solnado e Pedro Bandeira-Freire — e a raríssima versão inglesa de «A Teia de Gelo» (2012), de Nicolau Breyner, com Diogo Morgado, Margarida Marinho e Paula Lobo Antunes.

Competições com curtas e guiões portugueses

O Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa, que atribui 5.000€, terá dez títulos em competição, entre eles «amordemoura», de Tiago «Ramon» Santos, «A Hora do Chico», de João Severo e Rafael Sá Carneiro, e «Bruno, o Boneco», de Diogo dos Santos Oliveira. No Prémio Méliès d’argent – Melhor Curta Europeia destacam-se as curtas portuguesas «Sweet Hearts», «Calhau», de Paulo Abreu, e «Quietud», de Gonçalo Almeida, entre outras.

Regressa também o Prémio MOTELX – Melhor Guião de Terror Português, com 2.000€ e sete argumentos de longas-metragens ainda não produzidas em competição, e a SectionX, a secção mais experimental do festival, que traz «Chronovisor» (EUA), «Variations on Violence» (EUA), de um antigo colaborador de David Lynch, e a alegoria kafkiana iraniana «Sunshine Express».

Monster Day, Hotel Pastiche e um Warm-Up que aquece a cidade

Entre as novidades dos 20 anos conta-se o Monster Day (5 de Setembro), um dia dedicado ao monstro com workshop para os mais novos, Concurso de Monstros com prémio de 500€ e festa no Lounge do MOTELX. A exposição «Hotel Pastiche», de João Telmo (Nova Companhia), reinventa 10 cenas de filmes clássicos de terror passadas em hotéis, de «The Shining» a «Psycho». A secção infantil Lobo Mau regressa com o tradicional Peddy Paper no Cinema São Jorge, o Atelier Sensorial ALMA e sessões de Sustos Curtos.

O Warm-Up estende-se por Julho e Agosto: a 31 de Julho, «Saccharine», de Natalie Erika James, à meia-noite no Cinema Nimas; a 1 de Agosto, sessão de curtas com DJ set na Casa do Comum; a 14 de Agosto, Cinema ao Ar Livre no Jardim das Amoreiras com «The Guest» (2014), de Adam Wingard; e a 27 de Agosto, «The Others» (2001), de Alejandro Amenábar, no Palácio do Grilo, em parceria com o Black Cat Cinema.

Vinte anos só se fazem uma vez, e o MOTELX parece decidido a provar que o terror português nunca esteve tão vivo. Com a programação completa a ser revelada em Agosto, ficam garantidos 11 dias em que Lisboa volta a ser a capital do medo — e as chaves do quarto já estão ao balcão.



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