You Can’t Win, Charlie Brown tocam Velvet Undergroung & Nico na íntegra – Lux, 12 Out

“O álbum The Velvet Underground & Nico (1967) é tanto um começo como um fim.

Não só porque foi o único registo composto por esta formação, como desenhou muito do que hoje tomamos como adquirido. Os drones, dissonância no violino de John Cale, referências explícitas a droga e sexo nas palavras de Lou Reed, a percussão “less is more” de Moe Tucker, a fusão dos mundos por vezes distantes do rock com as artes plásticas personificada na figura do produtor Andy Warhol e até uma ligação à moda, na presença de Nico.

Se é justo afirmar que neste disco encontramos o primeiro aglomerar sério de muitas ideias dispersas na NYC dos 60’s, o modo como se concretizam e como resistem década após década à frente de tudo o que vai sendo editado, justifica afirmar que este é também o documento definitivo de muitas dessas ideias. Todas os dias uma banda tenta emular o som da “Waiting For The Man” ou da “Sunday Morning”, mas não vale a pena.

Daí que na hora de convidar a banda capaz de levar a cabo a impossível tarefa de homenagear este colosso, sabia que teria de abordar músicos em que a linhagem VU não fosse assim tão evidente, pelo menos à primeira.

Sem pestanejar, a ideia de conseguir os You Can’t Win Charlie Brown apoderou-se de mim, acima de tudo escutando na minha cabeça os coros angelicais deles e como poderiam de um modo natural transportar The Velvet Underground & Nico até outras paragens.

Tendo já escutado alguns ensaios, acredito que estão a conseguir um equilíbrio perfeito entre passado e futuro, entre a devoção pelas canções e ao mesmo tempo engenho e arrojo na hora de mexer na História.

Criaram um universo paralelo. E estou morto para que o ouçam…

No 45º aniversário do álbum dos álbuns, e na semana em que chega às lojas uma reedição luxuosa que espalhará o gospel a uma nova geração, os prodígios lisboetas atiram-se de cabeça ao quebra-cabeças narcótico de Warhol, Reed, Cale, Nico, Morrison e Tucker, interpretando-o na íntegra, num concerto irrepetível.

Por uma noite o Lux será a Factory em 1967.

E, entre os fantasmas, vou tentar arranjar o número de telefone da Edie Sedgwick.”

Pedro Ramos



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