ArtBeerFest: Caminha volta a ser a “meca” da cerveja artesanal
De 9 a 12 de julho, 350 estilos de cerveja e 46 marcas de 12 países transformam a vila alto-minhota na capital mundial da cerveja artesanal.
De 9 a 12 de julho, a vila de Caminha, no extremo Norte de Portugal, recebe a nova edição do ArtBeerFest, o festival que desde 2013 transformou o Alto Minho num destino de peregrinação para os apaixonados pela cerveja artesanal. Este ano, são 350 estilos de cerveja e 46 marcas — 23 nacionais e 23 internacionais — vindas de 12 países, acompanhadas por comida de rua selecionada para harmonizar com os rótulos e uma programação artística reforçada com concertos e DJs nacionais e internacionais.
Todos os caminhos vão dar a Caminha
Descrita como um “Mosaico de Paisagens”, Caminha volta a ser o palco de um fenómeno que já leva o nome da vila alto-minhota pelo mundo fora, atraindo marcas cervejeiras com listas de espera de vários anos. Segundo Octávio Costa, diretor do festival, “esta edição será inesquecível, porque elevamos a cada ano a qualidade do evento e a experiência do visitante, mas desta vez demos quatro passos à frente, para iniciarmos um ciclo memorável e cada vez mais consistente para o futuro do ArtBeerFest, e todos vão notar esse passo gigante!”
O contingente nacional foi escolhido “a dedo” e reflete a solidez do mercado: 23 nomes onde pontuam marcas experientes como a Dois Corvos, a Barona ou a Burguesa, ao lado de projetos mais recentes como a Ophiussa, a Pobeira ou a Trukka — esta última a jogar literalmente em casa.
Do lado internacional, juntam-se outras 23 cervejeiras de grande nível. Entre as novidades deste ano contam-se a Cervecera Bucareli, da Cidade do México, a incontornável Warpigs, e a força do setor cervejeiro polaco representada por três marcas “exóticas”: Funky Fluid, Tankbusters e Stu Mostow. Completam o leque marcas de Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Itália, Países Baixos, Suíça e Estados Unidos. O convidado “clássico” desta edição são as exclusivíssimas cervejas Kölsch de Colónia, um estilo único e original dessa cidade alemã, pela mão da marca Gaffel, cuja produção remonta ao ano de 1302.
Cervejas exclusivas e rituais de abertura
Prova da notoriedade do festival é o facto de várias marcas criarem cervejas exclusivas com rótulos e nomes fundidos com o evento: “Caminha é Minha”, da lisboeta Dois Corvos; “Caminha Devagar”, edição colaborativa entre a Wild East, de Nova Iorque, e a Barona, do Alentejo; “Caminha Madness”, da italiana Vetra; ou “Caminha From The Block”, homenagem da Frontaal, dos Países Baixos, a Caminha e a Jennifer Lopez.
A mística começa logo no arranque, com as tradicionais aberturas de barris exclusivos — martelos e torneiras cravados na hora para fazer jorrar a alegria coletiva, com os visitantes convidados a provar estas raridades em estreia. E porque nem só de bebida vive o povo cervejeiro, a curadoria selecionou uma proposta de comidas de rua especialmente confecionadas para harmonizar com as temáticas cervejeiras, somando-se à oferta gastronómica do centro histórico de Caminha.
Música do exotismo cabo-verdiano à cúmbia colombiana
Este ano há uma aposta ainda mais robusta na programação artística. A abrir o primeiro dia, um concerto dos míticos Fogo Fogo, em formato de banda com o DJ Red Mosquito, promete exotismo cabo-verdiano no centro da praça dos cervejeiros. Seguem-se Sergi Estella, one man band catalão que produz os seus próprios instrumentos, e uma novidade em Portugal: Hijos de Luzia, uma “Roda de Cúmbia” colombiana-mexicana que convida o público a participar. Há ainda os franceses Moz Drums, uma brass band divertida, e o cantor-autor Gonzalo Arca, colaborador de músicos como Björk, Kanye West, FKA Twigs, Rosalía, Kelela e Frank Ocean.
Como acontece desde a estreia em 2013, os incontornáveis Farra Fanfarra voltam a contagiar as ruas e praças, eternizando na meia-noite de sábado, 11 de julho, a famosa “Happy New Beer” — a passagem de ano cervejeira caminhense. Na programação mais eclética destacam-se encontros e provas com as marcas em bares e restaurantes da vila, o lançamento no Teatro Valadares de um livro sobre cerveja por um investigador da Universidade de Arezzo, a “Sessão Louca da Sexta” — onde cervejeiros e público trazem disfarces ao estilo carnavalesco — e uma sessão pública de partilha de cervejas raras em homenagem a Miguel Bilbo, colecionador adorado pelo movimento cervejeiro, recentemente desaparecido.
Para lá da cerveja
No programa paralelo, duas sugestões imperdíveis: um passeio pela vila em torno da iniciativa ArtVibe Caminha, com exposições de artistas plásticos de todo o mundo — incluindo a mostra em grande escala dos posters originais das edições do festival —, e a 7.ª edição da Mikkeller World Beer Run, uma prova em que correr ou caminhar dá direito a uma cerveja, num percurso de 10 km pelas margens do estuário do Rio Minho.
A organização implementa um modelo de boas práticas de sustentabilidade ambiental e tratamento de resíduos em todo o perímetro da zona histórica, recomendando ativamente a moderação no consumo de álcool. O festival sugere o acesso em bicicleta, com um parque próprio para as guardar, e é um evento pet friendly. Toda a informação está disponível no Instagram e no Facebook do festival.
Uma “meca” com história
Por detrás do ArtBeerFest está a OG&ASSOCIADOS, produtora portuguesa que em 2013 surpreendeu ao levar um festival de cerveja artesanal para fora dos previsíveis centros urbanos, num momento em que praticamente não havia produção nacional. Desde então, posicionou Caminha como a “meca” da cerveja artesanal em Portugal e local de romaria obrigatória na Europa, estando hoje por detrás de vários festivais noutros pontos do país, incluindo o Aveiro Craft Beer Fest. De 9 a 12 de julho, todos os caminhos voltam a dar a Caminha — e a espuma da vida promete correr como nunca.
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