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Vodafone Paredes de Coura | Dia 2 (13.08.2026)

Um dia marcado por contrastes. Do imaginário do western de Hermanos Gutierres à festa no "submundo".

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Texto por Beatriz Veloso e fotografia por Rui de Freitas.

Passa pouco das 15h da tarde, no palco está Miguel Marôco que em 2021 apresentou o tema da sua autoria «Girassol» no Festivalda Canção. Estamos no segundo dia do Festival Paredes de Coura, o bom tempo continua (este ano não chove) e a música também. À procura de sombrinhas ou a banharem-se ao solo os campistas e demais visitantes aproveitam a tarde para relaxar e, quem sabe, bater um pezinho de dança.

A bateria está a dar ritmo às palmas enquanto o baixo e a guitarra apimentam os temas líricos do cantautor Miguel Maroco. A formação profissional em piano clássico que como não poderia deixar de ser foi o fio condutor deste concerto marcado por arranjos únicos e que nos apanham de surpresa, não fosse este o placo Jazz na Relva. É neste cenário musicado que começa o segundo dia no couraíso com um público bem composto, visto que quem estava nas toalhas não tardou a aproximar-se do palco, bem como quem passava. Os êxitos passaram e é tempo de um mergulho, a seguir entra Salvador Sobral e André Santos — que no dia anterior já se haviam apresentado: Sobral no palco principal com First Breath After Coma e André Santos a acompanhar Joana Alegre no mesmo palco em que atua hoje.

Vamos dar um salto ao vale do Couraíso onde sobe ao palco A Garota Não que começa o espetáculo com a temática da maternidade. “Este país não é boa mãe”, canta no tom político de sempre e que carregam as suas letras. Temos em Portugal muito tema para “escrever canções” e a cultura é naturalmente dos mais sublinhados. A extrema-direita é também referenciada na personificação de André Ventura que é o “boneco” da crítica social à corrupção entre outros “crimes” que afogam o país.

O momento poético-político da tarde termina com uma má-língua poética invocando Saramago, um texto introdutório ao tema «Ferry Gold» com uma letra que coloca em cheque a privatização e que por outro lado exalta este nosso festival Courense e atividades que a ele se assemelham.  “A puta que os pariu a todos”, uma síntese perfeita da abordagem que a música de Cátia Oliveira (Garota Não) propõe e por isso volta a gritar: ”a todos que procuram a privatização do espaço que é do público, … (já sabem o que se segue) 

Voltamos a mudar de lado e regressamos ao Coura Sem Paredes com Tomode para uma receita de eletronica e pop que juntou bastante público até à Regi. Uma boa escolha para seguir a crítica Garota Não, agora os temas focam-se mais na sociedade e no indivíduo temáticas como o vício do telemóvel e outros problemas geracionais são aclamados nas letras desta banda revelação que não desiludiu 

No mesmo palco, os Friko apresentam-se num anoitecer que encheu o pequeno espaço do Coura sem paredes. As transições entre a sonoridade agressiva e os momentos do vocalista criaram um equilíbrio que contagiou o público. De um lado para o outro, de cima para baixo as guitarras passearam-se no espaço contido que havia, os jovens artistas que se davam a conhecer presentearam-nos assim com um espetáculo intensamente energético.

A seguir chega-nos um concerto leve com o recinto cheio e que pedia uma contemplação calma no relvado, um momento introspectivo em que o vocalista (e criador deste projeto) mais parece conversar do que cantar. É este o conceito de Kurt Vile & The Violators que trazem autenticidade na sua forma mais simples e sons reflexivos. No palco ao lado começa Pale Jave de braços abertos num cenário cor de laranja parece tentar seduzir o público com melodias low-fi num tom slow que podem encaixar perfeitamente em cinemáticas de amor.

Com as boas vindas dadas por Estevan e a guitarra apoiada no colo de Alejandro entoam-se os primeiros acordes do concerto dos Hermanos Gutiérrez numa viagem ao deserto do Sudoeste dos Estados Unidos. A sonoridade que lembra os filmes de cowboys não muda muito ao longo do tempo, é constante em todos os seus sentidos, ou seja, uma proposta que cabe muito bem em Coura, mas talvez num outro dia ou numa outra hora.

No decorrer apresentam duas novas “histórias” musicais que estão por vir e dedicam «Tres Hermanos» ao terceiro irmão emprestado do grupo, Dan Auerbach (vocalista e guitarrista dos The Black Keys), que quase atuou como um “terceiro membro” na moldagem do som da banda.

No palco secundário o contraste faz-se sentir com Wu Lyf, uma atuação que tenta ressuscitar a energia que estes corpos dançantes vão precisar a seguir com a chegada do concerto da noite: Underworld. Depressa se passa mais uma hora e é tempo de procurar os óculos escuros. Se não soubéssemos o artista que se seguiria a Hermanos Gutiérrez e Kurt Vile, não diríamos que era o duo britânico Karl Hyde e Rick Smith, aqueles que deram música ao “Trainspotting” (1996) com o tema «Born Slippy» — a música que lhes trouxe o reconhecimento global. Com o nome Underworld levaram-nos, efetivamente, a um submundo onde as luzes dos robós disparam feixes que hipnotizam e criam imagens psicadélicas. Este foi o nome principal de uma noite feita de contrastes, Coura trouxe assim um espetáculo de sons e luzes que na essência trouxe uma espécie de aroma a Neopop que se prolongou no palco secundário ao som de Show Me The Body. 

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Leiam aqui as reportagens do primeiro, terceiro e quarto dia do festival.



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