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Emoções em Perigo: Tim Flach expõe em Lisboa

A exposição fotográfica do britânico Tim Flach chega ao Parque das Nações e transforma animais ameaçados em retratos de uma humanidade partilhada.

A exposição “Emoções em Perigo”, com fotografias de Tim Flach, está patente na Alameda dos Oceanos, no Parque das Nações, em Lisboa, entre 15 de abril e 18 de maio de 2026. Organizada pela Afundación, Obra Social ABANCA, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, a mostra apresenta 34 retratos de animais em perigo de extinção distribuídos por 18 painéis ao ar livre. Com um olhar inovador e emotivo, Flach coloca as espécies ameaçadas sob fundos neutros, conferindo-lhes uma expressividade habitualmente associada aos seres humanos. A entrada é gratuita e acessível a todos os visitantes.

Um fotógrafo entre a arte e o conservacionismo

Tim Flach nasceu em Londres em 1956 e tornou-se um dos fotógrafos de animais mais reconhecidos a nível mundial. O seu trabalho distingue-se não apenas pelo rigor técnico e pela beleza estética, mas também pela profundidade da mensagem que transporta: a urgência de preservar a biodiversidade do planeta. Flach investiga a forma como as imagens moldam as emoções humanas, e aplica essas descobertas à promoção da sustentabilidade das espécies e dos seus habitats.

Ao longo da sua carreira, Flach colaborou com entidades de prestígio como o National Media Museum no Reino Unido, o Museu de História Natural da Suécia, a National Geographic e o jornal The New York Times. É membro honorário da Royal Photographic Society, recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade das Artes de Londres e é atualmente presidente da Associação de Fotógrafos Britânicos e Europeus (AOP). A sua trajetória é a de alguém que usa a câmara como instrumento de consciência ambiental.

“O nosso futuro depende disso”, afirma Flach, resumindo numa frase a filosofia que guia cada fotografia que produz. Para ele, documentar a ameaça de extinção de uma espécie não é apenas um exercício artístico — é um ato de responsabilidade perante as gerações futuras.

Retratos que humanizam o reino animal

O projeto fotográfico que serve de base à exposição lisboeta chama-se “Amenazados” (Ameaçados) e resultou de uma viagem pelo mundo em busca das espécies mais vulneráveis do planeta. Flach percorreu florestas tropicais, savanas africanas, mares polares e grandes recifes de coral, construindo um arquivo visual poderoso sobre o estado atual da biodiversidade global.

A opção de retratar os animais sobre fundos neutros, afastados do seu habitat natural, é uma escolha deliberada e profundamente simbólica. “Tentei lançar uma ponte e convidar à igualdade, criando retratos de animais com um estilo de representação geralmente associado aos humanos, para enfatizar o seu caráter e personalidade”, explica o fotógrafo. O resultado são imagens que parecem olhar diretamente para o espectador — e que raramente o deixam indiferente.

Cada retrato na exposição de Lisboa é acompanhado por uma ficha informativa elaborada pela UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), a maior organização ambiental do mundo. Essa ficha indica o nível de risco de extinção segundo a Lista Vermelha da UICN, o nome científico da espécie, a zona geográfica de origem e um texto explicativo sobre os perigos que a ameaçam.

Alameda dos Oceanos: um percurso ao ar livre

A escolha da Alameda dos Oceanos como palco para esta exposição não é acidental. O Parque das Nações, bairro nascido do legado da Expo 98, tem na sua génese uma ligação simbólica ao oceano e à natureza. É um espaço de passagem quotidiana para milhares de lisboetas e visitantes, o que transforma a exposição num encontro inesperado entre a arte, a natureza e a vida urbana.

Os 18 painéis estão distribuídos ao longo da alameda, criando um percurso que pode ser feito a pé, com paragens contemplativas diante de cada retrato. A dimensão dos painéis e a qualidade das impressões garantem que o impacto visual das fotografias de Flach se traduz plenamente no espaço exterior. Cada painel é uma pequena janela para o universo frágil de uma espécie que luta para sobreviver.

“Fotografei algumas das espécies mais ameaçadas da Terra para este projeto”, disse Flach. “Algumas icónicas, outras menos conhecidas. Várias são reconhecidas em todo o mundo e é surpreendente encontrar estes animais emblemáticos à beira da extinção — animais ainda representados com orgulho em filmes e livros ou como peluches na coleção de animais selvagens no quarto de uma criança.”

Um sucesso que viajou de Madrid até Lisboa

Antes de chegar a Portugal, a exposição percorreu um itinerário extenso pela Galiza — com passagens por Vigo, Pontevedra, A Corunha, Santiago de Compostela, Ourense e Lugo — e pelo Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid, onde reuniu mais de 160.000 visitantes. No total, entre a Galiza e a capital espanhola, a mostra recebeu mais de 146.000 visitantes e envolveu mais de 8.000 alunos no seu programa didático.

A Afundación é a primeira entidade a produzir em Espanha uma exposição deste fotógrafo britânico, numa iniciativa desenvolvida em parceria com a editora Lunwerg. A chegada a Lisboa representa a internacionalização de um projeto que tem vindo a crescer em ambição e impacto, e que agora encontra na capital portuguesa um cenário à sua altura.

A colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa inscreve a exposição na agenda cultural da cidade, reforçando o compromisso de Lisboa com a arte e a sensibilização ambiental. A Afundación, por seu lado, consolida com esta iniciativa a sua vocação de promover projetos expositivos que combinam cultura, sustentabilidade e responsabilidade social.

Arte ao serviço da consciência ambiental

“Emoções em Perigo” é mais do que uma exposição fotográfica: é um manifesto visual pela preservação da biodiversidade. Tim Flach não se limita a documentar a beleza dos animais — convida o espectador a reconhecer neles uma subjetividade, uma vulnerabilidade e uma dignidade que obrigam a repensar a relação entre a espécie humana e o mundo natural.

Com esta mostra, a Afundación reforça o seu compromisso com a cultura e a sustentabilidade como instrumentos de coesão social. Os projetos expositivos da Obra Social do ABANCA nascem com a vocação de fomentar o conhecimento e a criatividade, e “Emoções em Perigo” enquadra-se numa linha programática que procura gerar colaborações com instituições de referência em todo o território peninsular.

Para quem visita o Parque das Nações nas próximas semanas, a Alameda dos Oceanos oferece uma experiência que fica na memória: um encontro silencioso com os olhos de criaturas que partilham connosco este planeta e que precisam, urgentemente, que não as esqueçamos.

“Emoções em Perigo” permanece na Alameda dos Oceanos até 18 de maio de 2026. A entrada é livre. Num tempo em que as crises ecológicas se sucedem e a extinção de espécies avança a ritmo acelerado, a obra de Tim Flach lembra-nos que a consciência começa no olhar — e que cada fotografia pode ser o início de uma mudança.



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