“Hooked” de Emily McIntire
“Tiquetaque. Tiquetaque. Tiquetaque”
Hooked, de Emily McIntire (Bertrand, 2024), é o primeiro livro da série Never After, um retelling de Peter Pan, de contornos obscuros, com um vilão sedutor, uma protagonista rebelde e um intenso e complexo dark romance.
Emily McIntire, autora bestseller internacional de romances slow burn e spicy, com personagens contraditórios e relações, habilmente tecidas, mas “proibidas”, oferece finais felizes aos vilões favoritos dos leitores.
A autora não se limita a um único subgénero, como se pode notar nos seus romances da série Sugarlake, igualmente de slow burn, só que focados nas segundas oportunidades.
A autora deixa bónus para os seus leitores, desde fornecer uma playlist, a um epílogo e epílogo alargado, com descrições ao detalhe das personagens.
– Quando as coisas parecerem desoladoras, lembra-te simplesmente de que todas as situações são temporárias. Não é a tua circunstância que determina o teu valor, é a forma como te ergues das cinzas depois de tudo ter ardido.
Hooked não é um romance típico, está repleto de gatilhos, não sendo uma leitura para todos os tipos de leitores. É adequada para aqueles que gostam de um bom retelling, máfia, protagonista malvado de alma atormentada e passado trágico, protagonista decidida, que não aguenta tudo calada.
Com temas como angústia, romance, mortes violentas, abusos e acima de tudo, a vingança, o tema geral acaba por ser um hino à liberdade.
Liberdade, essa, das correntes pesadas do passado que travam o presente, das responsabilidades filiais, a liberdade de escolha e expressão, de permitir-se ser quem são, de amar e ser amado.

James “Hook” Berrie, é um homem de negócios dúbios. Elegante com o seu fato de três peças e olhar azul cerúleo, é temido por muitos, alguém cujo nome, e mero olhar, faz estremecer quem se atravessa no seu caminho, exceto a bela e, em parte, ingénua Wendy.
Assassino brutal, possessivo, extremamente desconfiado e altamente sedutor, luta contra todas as fibras do seu ser, para evitar ceder aos sentimentos que tem para com Wendy.
Aos olhos de Hook, Wendy é a parceira perfeita, aquela a quem vê como a sua igual, o que o fascina e, ao mesmo tempo, atormenta.
Fisgado na sua beleza externa e interna, que tanto o estimula, o destino de Wendy foi selado pelos seus laços familiares com Peter Michaels.
Hook não é a favor de punir inocentes para atingir os culpados, mas neste caso específico, os fins justificam os meios, especialmente no que diz respeito a Peter Michaels, proprietário da NeverAirLand e o seu inimigo de longa data.
Wendy, é uma irmã e filha abnegada, outrora a “pequena sombra” de Peter, sofre pela ausência do pai e a tristeza do irmão. Wendy não é uma mulher frágil, é alguém que teve que crescer rápido e assumir responsabilidades por tudo e todos.
Tudo o que ela deseja é fazer com que a sua voz seja ouvida e que possa libertar-se das correntes que a limitam.
Quando conhece James, este é tudo o que ele precisa, charmoso, com um toque de perigo, arriscado, mas alguém que lhe permite ser ela mesma.
Porém, Wendy só conheceu James, e quando conhece o lado “Hook”, e a verdade é revelada, sente-se traída pelos homens da sua vida.
- Queres ver o mundo a arder?
- Deixa-me adivinhar, deitas-lhe fogo?
- Não, querida. Dou-te o fósforo e fico atrás de ti, a ver a tua transformação em rainha das cinzas.
Em Hooked, de Emily McIntire, a vingança pode ser o prato principal, mas é o amor gradual entre duas pessoas tão erradas, mas, ao mesmo tempo, tão certas, que se serve de sobremesa.
Um dark romance, abundante em sedução, uma espada de dois gumes, um jogo entre predador e presa escaldante, um retelling ousado e diferente.
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