“Sobreviver a Esta Noite”, de Riley Sager
Uma longa noite, uma passageira e um assassino em série
Sobreviver a esta Noite, de Riley Sager (Guerra e Paz, 2024), é um hino, “uma declaração de amor ao cinema”, com os ingredientes certos para causar desconforto, dúvida e aguçar os sentidos.
Riley Sager, é um dos vários pseudónimos de Todd Ritter, autor norte-americano de vários thrillers mais vendidos mundialmente. Ritter trabalhou como jornalista, editor e designer gráfico, antes de dedicar-se por inteiro à carreira de escritor. Tem, atualmente, publicados seis livros sob o pseudónimo Riley Sager:
- Vidas Finais (2017), publicada em 30 países e vencedora do Prémio ITW Thriller para Melhor Romance
- Duas Verdades e Uma Mentira (2018)
- Lock Every Door (2019)
- Home Before Dark (2020)
- The Only One Left (2023)
Sobreviver a Esta Noite, segue o sucesso de A Casa do Outro Lado, sendo publicado neste mês, pela editora Guerra e Paz.
À medida que a cena se desenrola frame a frame, como um filme num projector, ela sabe exactamente como tudo aconteceu.
Sabe, porque isto não é um filme.
É o aqui e o agora.
Ela é a rapariga dentro do carro.
O homem ao volante é um assassino.
E Charlie sabe, com certeza de alguém que já viu este tipo de filme milhares de vezes, que apenas um deles viverá para ver o Sol nascer.
Este livro é, segundo o autor, uma manifestação do seu apreço pelo cinema, e a uma época específica e conturbada da sua vida, novembro de 1991.
São notórias as influências de alguns dos cineastas que inspiram o autor, nomeadamente Hitchcock, De Palma, Spielberg e Wes Craven, já que toda a atmosfera é regida por um tom de nostalgia, sombrio, de um suspense que deixa uma sensação latente de angústia e ansiedade, devido a um jogo constante de dualidades: vida e morte, real vs imaginário, noite e luz, entre incerteza e desconfiança.
Incerteza essa, sobre o destino da personagem principal, a motivação e identidade do assassino, o que é real e imaginário, e do que é real, o quanto é genuinamente como foi descrito.
De início um pouco lento – espelho da apatia e resignação da protagonista -, começa a ganhar força à medida que a situação se torna mais arriscada, e a protagonista decide reagir e dar luta.
A ação decorre numa noite calma, escura, quase assustadoramente silenciosa, e aborda as consequências de atos defeituosos, impensados e impulsivos.

Charlie é uma universitária, prestes a abandonar o namorado e o semestre, após a morte macabra de Maddie, a sua amiga, às mãos de um serial killer, o Assassino do Campus.
Com um sentimento de culpa a corroê-la por dentro, tenta afastar-se do foco do seu mal-estar.
Quando aceita partilhar uma viagem de carro com um jovem que encontrou ao pé do mural dos avisos, Charlie não poderia imaginar as aventuras daquela noite.
A pessoa ao seu lado, o condutor com quem acordou viajar, tem toda a pinta de boa pessoa, mas conforme avança a noite, todas as campainhas tocam em alerta na mente de Charlie.
Será ele quem realmente diz ser? Terá ela entrado de livre e espontânea vontade no carro do Assassino do Campus? Ou estará a mente dela a pregar-lhe partidas?
Sobreviver a Esta Noite, de Riley Sager, é um thriller psicológico alucinante, com as sensações intensas de um filme noir.
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