“Isto Não Acontece Nos Filmes” de Lynn Painter
Meloso como algodão doce
‘Isto Não Acontece Nos Filmes’, de Lynn Painter (Marcador, 2023), é o livro perfeito para os amantes do romance jovem-adulto, que apreciam uma história simples, agradável, repleta de momentos de constrangimento adolescente, crescimento pessoal, romance doce, muita implicância, e personagens adoráveis e reais.
Ainda antes de eu chegar ao segundo ano, a minha mãe ensinou-me a regra de ouro do namoro.
Autora ‘bestseller’ do New York Times e do USA Today, Lynn Painter escreve comédias românticas para adolescentes e adultos, e é colaboradora no Omaha World-Herald. Além de Isto Não Acontece nos Filmes, Painter é também autora de ‘Mr. Wrong Number’, ‘The Do-Over, ‘The Love Wager’ e ‘Betting on You’. Quando não está a ler nem a escrever, está a assistir a comédias-românticas.
Foi esse interesse por comédias românticas que a fez criar este hino às comédias românticas, com todos os ingredientes habituais do género em questão: vizinhos, com a possibilidade de passarem de inimigos a amantes, e um amor idealizado (um pouco ao estilo de ‘Duff’, o filme), segunda hipótese no amor, uma ‘makeover’ a la ‘She’s All That’ (sem a aposta), namoro falso como em ‘O Duque e Eu’, triângulo (ou quadrado) amoroso, momentos ridículos no secundário, protagonista presa na sua rede de mentiras, que podem derrubar o seu, periclitante, castelo de cartas (um pouco como Melanie em Sweet Home Alabama), alguns mal entendidos, seguidos de um merecido, e esperado, final feliz.
‘Isto não Acontece nos Filmes’ é, do início ao fim, uma comédia romântica leve, de rápida leitura, cheia de referências da cultura ‘pop’, desde as músicas nas ‘playlists’, às ‘rom-coms’ referidas e frases usadas, que segue uma estrutura típica dos clichés presentes em todas as comédias românticas: amor idealizado por meio de um número sem fim de ‘rom-coms’; fixação romântica em criar ‘playlists’ com canções populares; cegueira em relação ao que está mesmo à frente dos seus olhos; amizades fraturadas por omissões, mentiras e segredos, bem como sobre a dor da perda de um progenitor, em tenra idade e adaptação a uma nova vida com o pai e madrasta (mesmo que não seja uma madrasta má).

Enquanto todos os meus conhecidos se entusiasmavam com estas etapas de secundário, eu tinha dores de cabeça devido ao stress de nada ser como eu planeara que fosse…
Parecia tudo… solitário.
Liz Buxbaum, de 17 anos, está no ano final do secundário, prestes a começar uma nova fase da sua vida. Mas o que para muitos se trata de uma fase emocionante, repleta de partilha de bons momentos e criação de recordações, para Liz, é só mais uma lembrança dolorosa da ausência da mãe, quem perdeu aos 10 anos.
Enquanto os amigos contam com o apoio da família para os últimos preparativos e importantes marcos da sua jovem vida, Liz sente que sem a mãe, nada faz sentido.
A Helena era fantástica – lembrava-me uma Lorelai Gilmore loura -, mas ela e o meu pai por vezes eram de mais.
Nem mesmo o facto de ter uma madrasta simpática, a ajuda na sua angústia, só a agrava.
Vendo Helena como uma ameaça, apesar desta não o ser, Liz não consegue aceitá-la e incluí-la nas atividades que crê serem direito exclusivo da mãe.
Atividades essas, como a escolha do vestido para o baile.
Jocelyn, a sua melhor amiga, continua a marcar o encontro para irem com a mãe dela comprar os vestidos para o baile de formatura, mas Liz não pára de arranjar desculpas descabidas.
A sua fuga destes momentos difíceis? Refugiar-se nas suas benditas ‘rom-com’ e nas músicas que tanto conforto lhe trazem.
A minha paixão de infância deslocava-se em câmara lenta, com passarinhos azuis e chilreantes a esvoaçar-lhe em redor da cabeça cujo cabelo dourado ondeava sob uma brisa cintilante.
Acho que o meu coração é capaz de ter parado.
Como se não bastasse o drama pessoal, Liz ainda tem uma luta ininterrupta, desde a infância, com o seu vizinho do lado, Wes Bennett, agravada agora pela luta pelo lugar de estacionamento na rua deles.
Mas eis que como para trazer alguma luz àquele coração romântico, entra em jogo, o seu amor secreto da infância, Michael Young. Liz encara a sua volta, como um sinal do destino e da mãe, em como terá direito ao seu final feliz, digno de uma boa comédia romântica.
Só que para “seduzir” Michael, Liz terá que unir forças com o seu arqui-inimigo, Wes, isto se quer que Michael a leve ao baile.
A minha mente sacudiu-me, regressando à sala dele. O Michael. O Lugar. Precisar da ajuda do Wes.
Apesar de estarem sempre a implicar um com o outro, Wes é dedicado a Liz, comportando-se como um autêntico cavaleiro andante, mas com a tendência de a irritar à morte.
Em meio a tanta picardia e ajuda, Liz começa a conhecer uma nova faceta de Wes, além da de vizinho irritante. Mas Michael é o seu amor perfeito. Não é?
O Senhor Certo – a versão simpática e fiável – podia estar ao virar da esquina e era por isso que eu estava sempre a postos.
Era apenas uma questão de tempo até que isso finalmente me acontecesse.
Em suma, ‘Isto Não Acontece Nos Filmes’, de Lynn Painter, revela os desafios mentais da vida de uma adolescente prestes a tornar-se adulta, um processo de auto-descoberta repleta de erros, envolvido por uma névoa doce e cor-de-rosa, típica das comédias românticas.
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