Television

A revolução que se fez na televisão.

“Nós somos os The Plot, obrigado por terem vindo ver os Television” disse às tantas o vocalista dos portugueses The Plot, a banda que fez a abertura do concerto dos Television, no passado dia 2 na Aula Magna em Lisboa. E numa frase conseguiu resumir toda a prestação da sua banda, quatro rapazes num fato rock que pareceu sempre desajustado aos seus tamanhos e que por isso soou quase sempre a falso, perante uma (meia)casa totalmente à espera dos norte-americanos.

Foi cerca de meia-hora de um rock gasto e, consequentemente, inóquo, que serviu sobretudo para passar o tempo.

Os Television já não são a banda que revolucionou a música no agitado panorama musical nova-iorquino dos anos 70, a sua música já não é “a mais supreendente da actualidade”. No entanto, durante o concerto entendemos perfeitamente porque é que bandas como os Sonic Youth, os Interpol ou os Strokes continuam a mencionar os Television como uma das suas principais influências (mesmo que Tom Verlaine continue a dizer que não entenda porquê).

Os Television deixaram um legado incontornável na barra cronológica musical chamado “Marquee Moon” que, mesmo assim, não foi suficiente para criar um hype suficientemente visível neste recente revivalismo new-wave. Por isso, esta reunião dos Television assoma-se como quatro velhos rapazes que continuam a divertir-se por tocar em palco e por tocarem juntos.

Perante uma plateia de fiéis, os Television apresentaram de maneira descontraída e competente o seu reportório, com passagens pelos seus três álbuns. O público vibrou sempre que se ouviu “Marquee Moon”, principalmente com músicas como «See No Evil» ou «Venus». Mas o concerto não se fez só pelas deambulações punk-new wave; músicos virtuosos, embarcaram sempre em improvisações demoradas pelo psicadelismo (com direito a versão de «Fire Engine», original dos 13th Floor Elevator), pelo rock progressivo (a lembrar os King Crimson),  pelo experimentalismo (a recordar os Velvet Underground) ou pelo free-jazz.
No fim, o público pediu que regressassem ao palco e os músicos fizeram a vontade; no encore começou a notar-se que a energia começava a esvair-se. Os Television sabiam-no e a actuação ficou por ali, por onde tinha de ficar, sem artifícios nem caprichos.

Não foi um mau concerto, antes pelo contrário, mas foi sobretudo um exercício de nostalgia; quarenta anos depois, o panorama é diferente, Tom Verlaine já não tem o mesmo para dizer, mas continua a ser sempre agradável escutar os Television, cujo som continua tão actual como nos anos 70. E pelo menos apagaram a imagem baça que deixaram na última passagem pela Fundação Serralves, no Porto.



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