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Men I Trust @ LAV (02.06.2026)

Seguros numa melancolia delicodoce.

Sala esgotada para receber a banda canadiana, do Quebeque, e composta por Emma Proulx, Jessy Caron e Dragos Chiriac, que pensávamos vir apresentar o seu díptico equestre, “Equus Asinus” e “Equus Caballus”, duas faces da mesma moeda, mas cada um, com uma entidade própria. O primeiro é o nome científico do burro doméstico e segundo o do cavalo doméstico. E como é que isto se reflecte em cada uma das obras, poderão algumas mentes inquietas e mais curiosas indagar? O primeiro remete-nos para canções folk, já o segundo apresenta uma toada mais electrónica. Em ambos paira no ar uma melancolia delicodoce, mas se no primeiro a introspecção impera, o segundo dá lugar a força e movimento, mas sendo justo dizer que, uma vez escutados, não fazem sentido existir um sem o outro, mas aqui o Caballus será largamente dominante.

Antes do trio canadiano, é a vez de Evan Wright, acompanhado por dois elementos em palco, apresentar as suas canções, onde as guitarras formam sucessivas camadas de melancolia, interligadas por uma voz suave, por vezes quase num registo de falsete, que pavimenta o caminho que será percorrido a seguir, onde o pop surge doseado entre uma suave electrónica e uma dose de sonho, que se procura auto equilibrar.

Pontuais, o trio sobe ao palco acompanhado de mais dois elementos e ao som de «To Ease You», com os teclados a pincelar sonhos desde logo. Já em «Come Back Down» é a guitarra a levar-nos em direcção ao pôr do sol. As canções de “Equus Caballus” levam o corpo a mexer, mas não conseguimos deixar de pensar que na Sala 2 estas canções brilhariam ainda mais, fruto da acústica da sala, quando comparada com a Sala 1.

Resistindo à vontade de recorrer a adjectivação equestre, as canções de “Equus Caballus” vão desfilando sobre o palco, guiadas pela voz de Emma, sempre bem secundada pela sua banda. «Husk», «Another Stone», «In My Years» e «Ring of Past», esta última com um toque de funk, onde o baixo faz a sua parte e os teclados encarregam-se do resto. As canções são sempre acompanhadas pelo pelo público, muito dele conhecedor da obra que por ali se vai escutando. Pelo meio surgem, quase inesperadamente «Sugar» e «Serenade of Water», ambas as canções de “Untourable Album”. «I Come With Mud», sensivelmente a meio do concerto, marca a única passagem por “Equus Asinus”.

Estas canções são herméticas. Seguras. Podemos esquecer tudo quando as ouvimos. Estaremos bem. Mas o desafio que estas canções colocam a si próprias, é se conseguem acompanhar-nos para além da zona de conforto em que existem. Quando não estamos seguros, seja com nós próprios, seja com quem nos rodeia. Mas aqui há sempre um aspecto pessoal e subjectivo. Quando decidem expandir os seus horizontes, as canções dos Men I Trust crescem, no melhor dos sentidos, com a bateria e a guitarra manifestamente por cima dos teclados. Mas também podemos inverter um pouco a abordagem com resultados igualmente agradáveis; peguem-se nuns teclados desconcertantes, antes de o dream-funk dar o passo em frente, por exemplo, ou quando tornam o etéreo denso quando a guitarra surge a solo, carpindo lágrimas em diferentes amplitudes.

Observamos toda esta diversidade em «Humming Man», «All Night», «Seven», «Tailwhip» ou «Say, Can You Hear», que fecha o concerto, antes do encore, mui celebrado e que tem início com «Show Me How», canção de “Oncle Jazz” e termina onde começou, em Caballus, primeiro com «Worn Down» e, por último com «Billie Toppy» e o seu dedilhado acelerado entre as cordas da guitarra e do baixo, que deixou os presentes felizes.



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