ZDB esta semana: Nisennenmondai + Lobster

Nisennenmondai

Com o trio japonês Nisennenmondai, a história é outra. Estas senhoras (Masako Takada, na guitarra, Yuri Zaikawa, no baixo e Sayaka Himeno, na bataria), embora igualmente adeptas do rock instrumental, deliram com a repetição, com a diversidade dos ritmos, com as cores que se escondem sob a distorção. A sua música existe entre a fruição e o prazer, onde todos os pormenores (o som dos címbalos, o ranger das cordas, o crescendo da guitarra e do baixa) reclamam atenção. Mas sem hierarquias ou virtuosismos (sem prejuízo dos solos).

Antes um processo que vai transformando sons, entre o reconhecimento e a estranheza, a experimentação curiosa e o groove mais desavergonhado. Será um riff? Não, não é. Parece que vão arrancar. Não, afinal planaram. Isto dá para dançar? Parece que sim. Ou não?

Convém lembrar que as Nisennenmondai sabem muito bem de onde vêm: do universo mais “vanguardista” do rock (“Sonic Youth” ou “This Heat”, são nomes de algumas das suas canções). E isso explica muita coisa. Os concertos com que têm alcançado notoriedade na Europa e nos Estados Unidos são ao mesmo tempo celebrações elegantes do rock (ao vivo, com o abandono todo, como deve ser) e palcos de uma experimentação livre e feroz com os sons. Fazem por isso uma síntese bonita do género. Mais: ousam rejuvenescê-lo. De pé, guitarras na mão, olhos na bateria.

Lobster

Este sim é um regresso aguardado, uma reunião festejada. Guilherme Canhão e Ricardo Martins desapareceram para perseguir outras aventuras, mas nunca esqueceram o apelo dessa coisa endemoninhada, irrequieta, gloriosamente adolescente que dá pelo nome de Lobster. Corre-lhes nas veias, numa montanha russa que, alimentada por riffs e espasmos de bateria, toma o corpo de quem ouve. Para o fazer subir, em nova corrida fustigada pela electricidade.

É isto o que os Lobster fazem. Ligam o som ao corpo das pessoas. Daí a irresistível alegria que contamina os seus concertos. Porque ver os Lobster ao vivo é quase mesma a coisa que tocar (com) a música dos Lobster. Nos somos os amplificadores, as guitarras a bateria ou, pelo menos, chegamos a pensar que somos.

Esta celebração pública tem o seu quê de catártico. Não se trata de música sombria, séria, delicada ou difícil. E sem palavras, a sua “poesia” faz-se nas possibilidades que o registo instrumental oferece. Sobre o que falam canções como “Dr. Phil” ou “Colours”? Sobre o primeiro beijo, a primeira bebedeira, a primeira noite. Sobre o que quiserem.

Nesse sentido, os Lobster inscrevem-se numa tradição que nunca esteve para literatices. A dos Sonics e dos Ramones, dos Blue Cheer e dos Dinosaur Jr., dos Lightning Bolt e dos Hella. Fazem música. Música bruta e terna, sempre pronta para mais uma correria. Com suor nos cabelos. Melodias no cérebro, peito entusiasmado.

Quarta, 7 de Dezembro às 23h. Entrada: €8 |  Bilhetes em venda antecipada nas lojas Flur e Matéria Prima, reservas@zedosbois.org ou 21 343 02 05



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