Janeiro na ZDB

Janeiro traz-nos uma excelente programação musical na ZDB. O primeiro concerto é dos Silence is a Boy, este sábado.

Sábado, 7 de Janeiro às 23h
Silence is a Boy

“Paladinos insuperáveis e propagadores temerários do “cylon folk”, género maior dachanson ligeira. Silence Is A Boy é um eggcorn do verso “silence is a bore”. Em português, silêncio é um substantivo masculino singular. Silence Is A Boy é um malapropismo musicado que celebra mas não só.”

Entrada: €6 | Entrada livre para sócios ZDB

Sexta, 13 de Janeiro às 23h
Aquaparque | Holy Strays | Cankun

Aquaparque (Pedro Magina e André Abel) são uma banda que exige pausas, tempo, distância. Há um sentido melodramático na sua música, um excesso de expressão, uma languidez intensa. A atmosfera em que enleiam o ouvinte menos avisado embriaga e sufoca. É música pop, dirão. Dançável, sensual, ambígua, sinuosa..

E é mais do que isso, sobretudo quando a escutamos no silêncio, sem ruído de fundo. Quando estamos preparados para ela. Os sons ganham materialidade e volume, as melodias vertem uma energia seca. E a voz de Pedro Magina soa livre de outras vozes e fantasmas, como simples e forte manifestação de personalidade e estilo.

Por estas razões, regressar aos Aquaparque em disco ou ao vivo é (re)descobrir uma grande banda portuguesa que calhou viver em Lisboa e canta em português. Ouçam “Ultra Suave” ou “Para além do Bronze”: irrompem com elegância no quotidiano, como fragmentos de uma soul melancólica. As palavras projectam-se com harmonia e intensidade sobre os instrumentos. Os ritmos desenham-se numa geometria flexível, aberta à repetição e aos intervalos.

Os Aquaparque evocam coisas distintas dependendo de quem ouve – Animal Collective, Sade, pop portuguesa e britânica (temporalmente situada na década de 1980), techno, drum and bass, house. Mas as influências estão em sempre em movimento. Não é possível fixá-las. E é nesse processo que nasce a música sedutora, catártica, irresistivelmente “adolescente” do duo que o ano passado assinou “Pintura Moderrna”.

A abrir a noite da banda portuguesa, vão estar dois projectos da americana Not Not Fun. Holy Strays, pseudónimo de um misterioso produtor, manipula de forma magistral linhas de baixo e batidas e faz recordar DJ Shadow circa “Entroducing”. Cankun, de Vincent Caylet, sugere outras imagens. Imaginem Sun Araw a fazer música enquanto recupera de uma overdose provocada por “Loveless”, dos My Bloody Valentine. JM

Holy Strays

Cankun

Entrada: €6 | Entrada livre para sócios ZDB

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Quinta, 19 de Janeiro às 21h
Phill Niblock na Igreja de St. George

Igreja de St. George ao Jardim da Estrela

Phill Niblock c/ David Maranha, Manuel Mota, André Gonçalves e Yvan Etienne

Programa da mais invulgar excelência na igreja anglicana St. George traz de volta a Lisboa as experimentações transdisciplinares em música e vídeo do compositor norte-americano Phill Niblock. Figura da mais crucial importância no evoluir da estética minimalista ao longo dos últimos cinquenta anos, explora, normalmente através da incorporação de um conjunto de instrumentos convencionais como a guitarra eléctrica, o violino ou a flauta, as possibilidades microtonais do drone – aquilo a que Charles Ives chamou em tempos “as notas entre as ranhuras” –, criando um corpo de trabalho absolutamente singular, de permanente reequacionamento, sem paralelo na música contemporânea.

O programa que a ZDB apresenta na Estrela prevê a estreia nacional de três composições de Niblock: “Hurdy Hurry”, “Organ” “2 Lips”. Entre os intérpretes, três improvisadores portugueses em permanente estado de graça, André Gonçalves, David Maranha e Manuel Mota (em guitarras e, no caso de Maranha, também em órgão da igreja), e o artista sonoro francês Yven Etiene, que também irá a apresentar uma peça sua, UNUN (em hurdy gurry, instrumento de cordas, espécie de realejo mutante de potencial infinito). O próprio Niblock providencia a vertente vídeo da noite, com excertos manipulados das suas gravações “movement of people working”, resultado de olhares laboriosos na China, em Portugal e no Lesoto.

Programa:

Música de Phill Niblock

Hurdy Hurry (15:21, 1999)
Yvan Etienne: hurdy gurdy , ao vivo
Jim O’Rourke: hurdy gurdy, samples pré-gravados

Organ (ou Nagro) (20:00, 2007)
David Maranha; orgão de igreja.
Emanuel Schmelzer-Ziringer: orgão pré-gravado

2 Lips (2009 / 11, 22 minutes)
Manuel Mota, David Maranha, Andre Goncalves: guitarras com e-bowe, ao vivo
the Zwerm and Dither Guitar Quartets, pré-gravado.

Música de Yvan Etienne
UNUN, uma peça para hurdy gurdy & gravações

Imagens de Phill Niblock
De “Movement of People Working series”, Filme/Vídeo – China 88, Portugal, LesothoEntrada: €6

Quinta, 26 de Janeiro às 22h
Rec Brutus | Pão c/ Hernâni Faustino e Filipe Felizardo

Formação:
Marco Franco: bateria transformada
Manuel Mesquita: teclados

Formação:
Tiago Sousa: teclado, harmónio e percussão
Pedro Sousa: saxofone tenor
Travassos: electrónica analógica
Hernâni Faustino: contrabaixo
Filipe Felizardo: guitarra eléctrica

Entrada: €6 | Entrada livre para sócios ZDB

Sexta, 27 de Janeiro às 23h
Gary Lucas
Luís Lopes

Entrada: €15



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