Queer Porto 12: 37 filmes entre 3 e 7 de novembro
O festival de cinema queer regressa ao Porto com Garance na abertura, a antestreia de La Bola Negra e uma estreia no Cinema Trindade.
O Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer regressa à Invicta para a sua 12.ª edição, entre 3 e 7 de novembro. O festival volta a ocupar o Batalha Centro de Cinema, a Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto e o Passos Manuel, e chega este ano também ao Cinema Trindade. São 37 filmes, numa programação que reflete uma colheita forte de cinema queer, com uma parte substancial vinda da última edição de Cannes. A abertura faz-se com Garance, de Jeanne Herry, e o encerramento com Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul, de Bruno Santamaría Razo.
Uma edição embalada pelo recorde de Lisboa
A edição portuense chega depois de um momento histórico para o festival-irmão. Em setembro, o 30.º aniversário do Queer Lisboa registou um recorde de 11.666 espectadores, o maior número da sua história e um crescimento de 55% face a 2025.
Com uma programação independente da de Lisboa, o Queer Porto 12 traz títulos que estão a fazer sucesso no circuito internacional, a habitual competição de curtas-metragens nacionais, vários convidados e eventos paralelos. Além da Competição Oficial e da Competição de Curtas-metragens Portuguesas, regressam as secções Resistência Queer, Panorama e Queer Focus, a que se juntam duas Sessões Especiais.
Abertura com Garance, encerramento vindo da Semana da Crítica
Apresentado na competição de Cannes em maio, Garance abre o festival em antestreia nacional. A quarta longa-metragem de Jeanne Herry é protagonizada por Adèle Exarchopoulos e retrata uma jovem e talentosa atriz cuja dependência do álcool começa, silenciosamente, a dominar a sua vida, ainda que atenuada por uma terna história de amor.
A Noite de Encerramento traz Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul, vindo da Semana da Crítica de Cannes e que marca o regresso ao festival do mexicano Bruno Santamaría Razo. A ação passa-se na Cidade do México no início dos anos 90: os sentimentos que Bruno, de 11 anos, começa a nutrir pelo melhor amigo colidem com o anúncio repentino de que o pai contraiu VIH.
Nas Sessões Especiais, o festival homenageia o realizador alemão Rosa von Praunheim, falecido em dezembro, com It Is Not the Homosexual Who Is Perverse, but the Society in which He Lives (1971). Em parceria com o Cinema Trindade, apresenta ainda a antestreia de La Bola Negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi, Prémio de Melhor Realização em Cannes, inspirado numa obra inacabada de Federico García Lorca e que acompanha três homens em 1932, 1937 e 2017.
Oito filmes na Competição Oficial
A Competição Oficial reúne oito ficções e documentários. Entre eles estão What Will I Become?, de Lexie Bean e Logan Rozos, sobre a vulnerabilidade da comunidade trans masculina; Mouse, de Alex Thompson e Kelly O’Sullivan, olhar tragicómico sobre a adolescência apresentado na Berlinale; e Something You Should Know About Me, de Andy Fidoten, comédia romântica que mistura imagem real e animação, com produção executiva de Lilly Wachowski.
Completam a seleção Lesbian Lines, de Cara Holmes, sobre as linhas de apoio telefónicas clandestinas criadas por lésbicas na Irlanda de 1979; Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco, em estreia internacional; Du fioul dans les artères, de Pierre Le Gall, vencedor da Queer Palm Révélation em Cannes; o documentário Mickey & Richard, de Ryan A. White e A.P. Pickle; e a animação Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani. O júri é composto por Joana Ferraz, Joana Gusmão e Juan Luis Toboso, e o prémio consiste na aquisição de direitos de exibição pela RTP, no valor de 3.000€.
A 5.ª Competição de Curtas-metragens Portuguesas apresenta dez filmes, entre eles No Azul Penumbra, de Tomás Basílio, This Feminine Side, de Alice Siniscalchi, A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, de Stella Carneiro e Ary Zara, Abril de Helena, de Maria Moreira e Victor Hugooli, e Éramos Só Putos, estreia na realização do ator João Nunes Monteiro. O prémio tem o valor de 500€.
Panorama, Resistência Queer e Figuras da Literatura Queer
No Panorama destaca-se Acting Like Women, de Cheri Gaulke, sobre a performance art em Los Angeles nos anos 70 em torno do Woman’s Building; a realizadora e a coargumentista Anne Gauldin estarão no Porto para uma conversa moderada por Carla Cruz. A secção inclui ainda The Education of Jane Cumming, de Sophie Heldman, com Fiona Shaw, It’s Dorothy!, de Jeffrey McHale, Mineshaft: the Cruising Murders, de Jeffrey Schwarz, e a animação francesa Jim Queen, de Marco Nguyen e Nicolas Athané.
A Resistência Queer olha para atos de resistência pessoais e comunitários em quatro filmes: A Culinary Uprising: the Story of Bloodroot, A Song Without Home, Gays Against Guns e Fucking Different Generations. Já o Queer Focus, dedicado às «Figuras da Literatura Queer» e com sessões na Casa Comum, mostra documentários sobre Paul Bowles (Cinq regards), Mary Oliver, Agustín Gómez Arcos (Un Hombre Libre) e McKenzie Wark (Life Story), este último seguido de uma conversa organizada pela livraria aberta.
Noites no Passos e festas
O Passos Manuel acolhe uma sessão conjunta com a curta 21st Century Nuns (1994), protagonizada pelas Sisters of Perpetual Indulgence e com aparição de Derek Jarman, e Hunky Jesus, de Jennifer M. Kroot. Quatro das Sisters estarão no Porto para apresentar o filme e animar uma noite de Queer Bingo na Hunky Jesus Party, a 5 de novembro, no Bar of Soap. A programação noturna inclui ainda a festa de abertura, a 3 de novembro, no Bar of Soap, e a festa de encerramento, a 7 de novembro, no Pérola Negra.
Os bilhetes para as sessões do Batalha estão à venda a partir de 20 de outubro, na bilheteira e na BOL. Os ingressos para o Passos Manuel são vendidos no próprio dia, uma hora antes da sessão, e as sessões da Casa Comum têm entrada livre, mediante a lotação da sala. Os bilhetes para La Bola Negra já estão à venda no site do Cinema Trindade. O programa completo pode ser consultado no site do Queer Lisboa.
Com quatro salas, uma nova parceria com o Cinema Trindade e uma seleção onde Cannes pesa a sério, o Queer Porto 12 confirma-se como uma das paragens obrigatórias do outono cinematográfico no Porto. Depois do recorde histórico em Lisboa, a expectativa é que a Invicta responda à altura.
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