PARTERRE de Volmir Cordeiro

Transborda regressa a Almada com dança internacional e laboratórios abertos ao público

A 6.ª edição da Mostra Internacional de Artes Performativas decorre entre 29 de abril e 23 de maio de 2026, pela primeira vez com programação também em Lisboa.

Entre 29 de abril e 23 de maio de 2026, Almada volta a ser palco de uma das mostras de artes performativas mais relevantes do país. A 6.ª Transborda traz à margem sul do Tejo — e, pela primeira vez, também a Lisboa — seis espetáculos de companhias internacionais, dois workshops gratuitos no Dia Mundial da Dança e laboratórios abertos a bailarinos, artistas e curiosos. A organização é da Casa da Dança e do Núcleo de Artes Performativas de Almada, com apoio da Câmara Municipal de Almada, da Direção-Geral das Artes e do programa Iberescena.

Uma Edição Que Transborda para Lisboa

Esta edição consolida uma ambição que vem crescendo desde as edições anteriores: alargar o alcance da Transborda para além de Almada. Pela primeira vez, parte da programação decorre em Lisboa, nomeadamente no Teatro do Bairro Alto (TBA) e na Sala Estúdio do CAM — Centro de Arte Moderna Gulbenkian. A expansão geográfica não dilui o carácter da mostra, antes reforça a sua vocação de aproximar públicos diversificados a obras de coreógrafos internacionais.

Os principais espaços de acolhimento em Almada mantêm-se: o Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB), o Fórum Municipal Romeu Correia (FMRC) e a Casa da Dança — Ponto de Encontro, em Cacilhas. A programação ocupa ainda o Largo do Farol de Cacilhas, levando a performance para o espaço público.

A direção artística da 6.ª edição é de Adriana Grechi e Amaury Cacciacarro, que construíram um programa orientado para a investigação e o intercâmbio, com especial atenção à fisicalidade, à memória do corpo e às relações entre indivíduo e comunidade.

Seis Espetáculos, Seis Visões do Mundo

A abertura da Transborda coincide com o Dia Mundial da Dança, a 29 de abril, mas é a 30 que sobe ao palco o primeiro espetáculo: ORAGE, da coreógrafa franco-argelina Dalila Belaza, na Sala Estúdio do CAM Gulbenkian (bilhete: 10 €, 45 min). Com o torso e os braços a rasgarem a escuridão ao som da guitarra elétrica de Serge Teyssot-Gay, ORAGE é uma viagem ao limite entre o íntimo e o infinito, entre o corpo e o transcendente. Dalila Belaza, que foi nomeada ao prémio SEDA 2024 da Fundação Gulbenkian, fundou a sua companhia em 2020 e chegou a este espetáculo após quatro criações anteriores.

A 2 de maio, o Teatro Municipal Joaquim Benite recebe PARTERRE, do coreógrafo francês de origem brasileira Volmir Cordeiro (bilhete: 10 € adultos, 45-70 min). Em cena, cinco intérpretes constroem um ‘salão vivo’ onde gestos marginalizados ganham dignidade e potência. Cordeiro — doutor em dança pela Universidade Paris 8 e vencedor do Prémio SACD de Jovem Talento Coreográfico em 2021 — concebe o palco como metáfora de reconciliação com as próprias origens no interior do Brasil.

No dia 8 de maio, o FMRC acolhe AMINA, da coreógrafa portuguesa Cláudia Dias (bilhete: 5 €, 60 min), o segundo capítulo do ciclo ‘A Coleção do Meu Pai’. Inspirada no livro ‘Cerromaior’, de Manuel da Fonseca, a peça imagina uma cidade fictícia situada na Margem Sul — território periférico, mas carregado de memória e resistência. No dia 9 de maio, a Sala Principal do TMJB recebe MANERAS DE SALIR, da coreógrafa chilena Varinia Canto Vila.

A 16 de maio, a Casa da Dança é o ponto de partida para CARAVANSERÁ, de Gustavo Ciríaco — uma processão urbana com 30 performers locais que percorre as ruas de Cacilhas até ao Largo do Farol, inspirada nos caravanserais da Rota da Seda. No mesmo dia, ao serão, CHAMA CHAMA CHAMA de Josefa Pereira ocupa a mesma Casa da Dança. Por fim, a 22 e 23 de maio, o TBA em Lisboa apresenta 3 CONTRA 2: PSICO TRÓPICOS, das brasileiras Marcela Levi e Lucía Russo.

Oficinas e Laboratórios Gratuitos

No Dia Mundial da Dança, 29 de abril, o FMRC abre portas a dois workshops gratuitos. Das 15h às 17h, Rafael Alvarez conduz ‘Dança Contemporânea 55+’, uma oficina de improvisação e criação especialmente pensada para maiores de 55 anos — mas aberta a todas as idades. Das 17h30 às 19h30, Cláudia Dias orienta ‘Composição em Tempo Real’ (CTR), uma metodologia de improvisação criada por João Fiadeiro que opera sem guião pré-definido.

Ao longo do mês de maio, decorrem também laboratórios de dois a quatro dias, abertos a bailarinos profissionais, artistas e estudantes de artes performativas: ‘Distâncias e Proximidades’ com Varinia Canto Vila (7 de maio), ‘Montar, Desmontar, Remontar’ com Marcela Levi e Lucía Russo (18 e 19 de maio) e o Lab/Performance ‘Caravanserá’ com Gustavo Ciríaco (11 a 15 de maio). Todos são gratuitos, sujeitos a inscrição prévia em www.casadadanca.pt.

Um Festival Construído em Almada, Para o Mundo

A Transborda — Mostra Internacional de Artes Performativas de Almada existe desde a sua primeira edição com uma missão clara: ser um espaço de encontro entre a excelência coreográfica internacional e um público que nem sempre tem acesso a este tipo de programação. A opção pelo preçário acessível (entre 5 € e 12 €, com descontos para jovens e seniores) e pelos eventos gratuitos é uma afirmação dessa vocação.

O financiamento público — República Portuguesa através da Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Almada — garante a base de sustentabilidade que permite manter esta ambição. O apoio do programa Iberescena e do Institut Français de Portugal reforça a dimensão ibero-americana e franco-portuguesa da programação, visível na diversidade das origens dos artistas convidados: França, Brasil, Portugal, Chile.

Para os moradores da margem sul e para quem esteja disposto a fazer a travessia do Tejo, a 6.ª Transborda é uma oportunidade rara de ver em cena um conjunto de criadores que normalmente só circulam nos grandes festivais europeus. E desta vez, há razão acrescida para ir: parte da programação está mesmo em Lisboa.

Transborda 2026: Agenda Resumida

30 Abril — ORAGE | Dalila Belaza | CAM Gulbenkian, Sala Estúdio | 20h | 10 €

2 Maio — PARTERRE | Volmir Cordeiro | TMJB, Sala Principal | 21h | 10 €

8 Maio — AMINA | Cláudia Dias | FMRC, Auditório Fernando Lopes-Graça | 21h | 5 €

9 Maio — MANERAS DE SALIR | Varinia Canto Vila | TMJB, Sala Principal | 21h | 10 €

16 Maio — CARAVANSERÁ | Gustavo Ciríaco | Casa da Dança, Cacilhas | 17h | Entrada livre

16 Maio — CHAMA CHAMA CHAMA | Josefa Pereira | Casa da Dança | 21h | Entrada livre

22-23 Maio — 3 CONTRA 2: PSICO TRÓPICOS | Marcela Levi & Lucía Russo | TBA, Lisboa | 19h30 | 12 €

Mais informações e inscrições nos workshops: www.transborda.org | www.casadadanca.pt



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