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Realizadoras britânicas em destaque na Cinemateca de 15 a 30 de junho

Um ciclo que percorre dezasseis cineastas, dezassete sessões e os grandes temas sociais da Grã-Bretanha do século XX.

A Cinemateca Portuguesa apresenta, de 15 a 30 de junho, o ciclo Realizadoras Britânicas – do Esforço de Guerra ao Free Cinema (1940-1964), com 16 cineastas, 17 sessões e programas temáticos que percorrem o feminismo, a luta operária e os grandes debates sociais da Grã-Bretanha do século XX.

Um ciclo que resgata vozes silenciadas

A história do cinema britânico foi escrita, em grande medida, por homens. O ciclo que a Cinemateca Portuguesa inaugura a 15 de junho propõe uma leitura alternativa: entre 1940 e 1964, mulheres construíram uma filmografia de enorme vitalidade, movendo-se com liberdade entre o documentário e a ficção, entre o cinema de propaganda e o realismo social. São 17 sessões distribuídas por programas temáticos como “Esforço de Guerra”, “Horror Hospitalar”, “Mulheres Trabalhadoras” e “Desesperos Existencialistas”.

O programa inclui tanto curtas como longas-metragens, reunindo perspetivas que raramente chegaram às grandes salas e que, décadas mais tarde, ganham uma nova urgência. A programação é também uma oportunidade de redescobrir géneros e tendências do cinema britânico vistos pelo ângulo de quem estava, então, fora do centro da indústria.

As cineastas em destaque

Entre as 16 realizadoras representadas, destacam-se alguns perfis de excecional relevância histórica. Ruby Grierson, irmã de John Grierson — considerado o pai do documentário britânico —, construiu uma obra própria que merece ser conhecida para além da sombra do nome de família. Kay Mander especializou-se nos documentários de cariz social e nos filmes educativos, deixando um arquivo que reflete as preocupações da sociedade do pós-guerra.

Wendy Toye é outro caso singular: realizadora com curtas-metragens premiadas em Cannes e nomeadas ao Óscar, estreou-se na longa-metragem com uma voz inconfundível. O ciclo apresenta cinco dos seus filmes. Jill Craigie, por sua vez, ficou conhecida pelos documentários de pendor feminista e socialista, dos quais se destaca a sua única longa-metragem, Blue Scar.

A programação reserva ainda espaço para Muriel Box, a mais prolífica das cineastas inglesas do século XX e a primeira mulher a receber um Óscar na categoria de Melhor Argumento Original. Das suas 13 longas-metragens, o ciclo apresenta sete, entre comédias mordazes como Simon and Laura e The Happy Family, o noir de Eyewitness e o seu último filme, Rattle of a Simple Man.

Margaret Tait, Lorenza Mazzetti e o Free Cinema

Num dos momentos mais ricos da programação, a cineasta experimental Margaret Tait e a jovem italiana Lorenza Mazzetti partilham uma sessão dedicada a “Parelhas – Casais”. One Is One, um dos filmes iniciais de Tait, e Together, um dos primeiros títulos associados ao movimento Free Cinema, surgem lado a lado numa sessão que antecipa uma retrospetiva completa dedicada a Margaret Tait, prevista para outubro.

O Free Cinema foi um dos movimentos mais influentes do cinema britânico do final dos anos 50 e início dos 60, defendendo um olhar documental e independente sobre a realidade quotidiana. A presença de Mazzetti neste contexto reforça a dimensão internacional e a pluralidade de vozes que o ciclo pretende celebrar.

Programação e acesso

O ciclo decorre na Cinemateca Portuguesa, na Rua Barata Salgueiro 39, em Lisboa, entre 15 e 30 de junho de 2026. As sessões estão organizadas em programas temáticos, permitindo ao público seguir os fios condutores que atravessam toda a programação — do feminismo ao direito à habitação, da luta de classes ao quotidiano do pós-guerra.

A retrospetiva de Margaret Tait, anunciada para outubro, promete aprofundar a exploração da sua obra experimental e poética, que este ciclo apenas introduz. Uma razão a mais para regressar à Cinemateca nos próximos meses.

Conclusão

O ciclo Realizadoras Britânicas – do Esforço de Guerra ao Free Cinema chega num momento em que a reavaliação das histórias do cinema — demasiado centradas em homens e em certos países — é cada vez mais urgente. A Cinemateca Portuguesa faz um trabalho de fundo ao trazer para o grande ecrã uma filmografia que existiu, resistiu e continua a ter muito a dizer. Quinze dias, dezassete sessões, dezasseis mulheres: uma oportunidade rara de ver o cinema britânico com outros olhos.



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