“O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares” | Ransom Riggs

“O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares” | Ransom Riggs

Uma nova "Ilha do Tesouro"

Primeiro aviso à navegação. “O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares” é um livro para ser lido à velocidade de uma carroça puxada por um burro com as patas engessadas, já que o virar da página derradeira irá provocar, em muito bom leitor, uma sensação de melancolia da qual se torna difícil recuperar.

O surto de adrenalina começa com um simples folhear: a capa num preto-e-branco fantasmagórico, o cheiro do papel que recorda a infância, os pormenores artísticos inscritos nos rodapés – por momentos vem à ideia uma edição portuguesa para “A História Interminável” -, os separadores entre capítulos que, além de belos, permitem recuperar o fôlego antes do virar de página e as fotografias antigas que, naquelas folhas, ganham o aspecto de um tesouro que não queremos partilhar como ninguém. Fotografias que Ransom Riggs, o autor, foi coleccionando entre feiras e lojas de antiguidades e que serviram de ponto de partida para a construção da história.

"O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares"

Uma tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos e o narrador desta aventura, a viajar até Cairnhom, uma remota ilha na costa do País de Gales. A sua missão, secreta para o pai que o acompanha, é tentar encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares criado pela senhora Peregrine. Isto se o lar existir, pois Jacob desconhece se não se tratará apenas de uma história de encantar inventada pelo seu avô, que lhe descreveu crianças que poderiam ter estudado na Academia criada um dia por Charles Xavier: uma cospe fogo, outra levita e um outro tem abelhas a viver na sua barriga.

Cruzamento feliz entre “A Ilha do Tesouro” e “O Senhor das Moscas”, e tendo no alphavillesco «Forever Young» um dos possíveis temas para a banda sonora, “O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares” é um livro magnífico, original e com uma boa percentagem de susto, que agradará a todos aqueles que procuram num livro o transporte para uma grande e inesquecível aventura. No cinema, segundo rezam as crónicas, o livro será adaptado por Tim Burton, o que quer dizer que a coisa está muito bem entregue.

O final, de tom poético e em jeito de épico, pode ser decepcionante para alguns, já que Ransom Riggs pode ter metido os pés pelas mãos. Um mistério que poderá ser desvendado na Primavera do próximo ano, quando for lançado o segundo volume desta grande aventura. Até lá, arrumem a vossa mochila e façam-se à estrada.

Uma edição Contraponto



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