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“A odisseia de Homero – novela gráfica” de Gareth Hinds

Clássico reinventado a aguarela

Se há títulos que estão na cabeça da maioria dos leitores e amantes de histórias épicas, A Odisseia de Homero, é uma referência incontornável desse imaginário. No entanto, o seu texto original, longo, repleto de figuras míticas, deuses, monstros e discursos complexos, afasta muitos dos potenciais leitores.

Ciente desse desafio, Gareth Hinds, um dos nomes maiores do universo das novelas gráficas, vem exatamente resolver esse “problema” ao pegar num clássico denso e transformá-lo numa leitura mais acessível, visual e atual, sem desrespeitar a história original, sob a forma, claro está, de novela gráfica.

Foi assim que nasceu A Odisseia de Homero (Bertrand Editora, 2026), ilustrada por Hinds, uma excelente adaptação para novela gráfica que mantém o todo da obra, nomeadamente os episódios principais – Ulisses, a guerra de Troia, o regresso difícil a Ítaca, o Ciclope, Circe, as Sereias –, respeitando a ordem e o sentido da narrativa de Homero, e evitando, felizmente, a tentação de fazer um resumo apressado.

Com uma delicada toada colorida à base de aguarela, que dá um ar (quase) cinematográfico à história, é instantâneo o fascínio e deleite com que folheamos o livro e somos levados por cenas no mar, tempestades e monstros, com os momentos mais tensos a causar um impacto que ajuda o leitor a sentir o perigo constante da viagem de Ulisses e o fluir da ação.

Um dos principais desafios de Hinds foi conseguir encaixar “tanto” texto numa novela gráfica, mas, em praticamente toda a obra, consegue-o sem descurar o espírito mais espartano no que toca ao uso da palavra, mesmo que isso possa tornar a leitura deste livro mais demorada do que a maioria das histórias desenhadas. 

Também por isso, acreditamos que este livro possa ser uma porta de entrada para o clássico e não um substituto do mesmo, sublinhado a qualidade da adaptação sólida de Gareth Hinds, podendo ser particularmente interessante para leitores jovens, estudantes ou a quem nunca tenha tido coragem de abraçar o texto original.



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