Ler é o melhor remédio
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A minha terapia diária
de Débora Bento Correia
Contraponto (contrapontoeditores.pt)
Inserindo-se no campo da literatura dedicada ao bem-estar emocional e à saúde mental,
A Minha Terapia Diária, da psicóloga clínica Débora Bento Correia, propõe uma abordagem prática e acessível para lidar com os desafios psicológicos do quotidiano, partindo do princípio de que o cuidado da saúde mental não se limita ao contexto clínico, podendo, e devendo, ser integrado na rotina diária, através de pequenas reflexões e estratégias conscientes.
Ao longo de 11 capítulos, a autora aborda temas comuns à experiência contemporânea, como o stress, a ansiedade, a dificuldade em estabelecer limites, a pressão do desempenho e o cansaço emocional. A escrita próxima e empática, evita a linguagem técnica excessiva, o que facilita a identificação do leitor com as situações descritas, contribuindo para desmistificar o acompanhamento psicológico e aproximando-o de quem, muitas vezes, sente resistência ou receio em procurar ajuda especializada.
Um das mais-valias deste livro é a aposta em estratégias e exercícios práticos e momentos de autorreflexão, que convidam o leitor a parar, observar os seus padrões de pensamento e comportamento e a desenvolver uma relação mais consciente consigo próprio. E
em vez de apresentar soluções imediatas ou fórmulas universais, Débora Bento Correia propõe um caminho gradual, assente na consistência e na atenção ao presente.
No seu todo, estamos perante um livro que se assume como um complemento, e nunca um substituto, ao acompanhamento psicológico, funcionando como ferramenta de apoio para quem procura maior equilíbrio emocional e uma melhor gestão das exigências diárias. E pela sua abordagem clara, prática e humanizada, a obra contribui para a promoção da literacia em saúde mental e para a normalização do autocuidado psicológico no dia a dia.
Tome nota
«(…)mesmo a ansiedade considerada “normal” pode ser desconfortável e desgastante quando se torna frequente. Por isso, é fundamental aprender a geri-la de forma prática e saudável, desenvolvendo recursos que nos permitam recuperar o equilíbrio emocional antes de que o stresse do dia a dia evolua para uma espiral de ansiedade cada vez mais difícil de controlar.»

Mentes desesperadas
de Gabor Maté
Penguin (Penguin)
Reconhecido pelo seu trabalho na área do desenvolvimento infantil, dependência, stress e trauma, o médico canadiano Gabor Maté centra neste livro a sua reflexão na Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), que considera um exemplo paradigmático da forma como a sociedade contemporânea interpreta, e muitas vezes simplifica, o sofrimento psicológico, sublinhando que deve ser entendida como uma doença genética isolada, mas como uma resposta adaptativa a contextos precoces de stress emocional, trauma e insegurança afetiva.
Assim, ao logo desta obra essencial para pais, educadores e profissionais de saúde, Maté defende que a PHDA resulta de alterações no desenvolvimento neurológico associadas a experiências adversas na infância, como a ausência de vínculos seguros, ambientes familiares imprevisíveis ou elevados níveis de stress.
Estas experiências, acredita, interferem com o desenvolvimento das áreas cerebrais responsáveis pela autorregulação, atenção e controlo emocional, o que “justifica” os comportamentos característicos da PHDA – impulsividade, dificuldade de concentração e instabilidade emocional – como estratégias de sobrevivência, e não como falhas individuais.
Ao longo de Mentes Dispersas, o autor cruza evidência científica de muitos outros autores com casos clínicos para demonstrar a forte ligação entre PHDA e maior vulnerabilidade a dependências, ansiedade, depressão e comportamentos compulsivos na idade adulta, e desfazendo mitos relacionais com a doença, contribuindo esta perspetiva para ampliar o entendimento da PHDA além do contexto escolar ou laboral, revelando o seu impacto profundo na identidade, nas relações e na saúde mental ao longo da vida.
Conhecido crítico de abordagens exclusivamente farmacológicas, Maté não rejeita a medicação, mas alerta para os riscos de tratar os sintomas sem abordar as causas emocionais subjacentes. Defende intervenções centradas na relação terapêutica, na consciência emocional e na reparação de experiências precoces, sublinhando a importância da empatia e da compreensão no acompanhamento de pessoas com PHDA.
Tome nota
«A grande importância de compreender a contravontade na perturbação de hiperatividade e défice de atenção decorre da extrema sensibilidade da criança com PHDA, que nesta questão, como em muitas outras coisas, é afetada mais do que a média por estímulos mentais ambientais.»
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