“A Segurança Social é Sustentável” | Raquel Varela

“A Segurança Social é Sustentável” | Raquel Varela

Uma luz ao fundo do túnel

As mudanças sociais provocadas por profundas crises económicas assolam o mundo principalmente desde as primeiras décadas de 1900. Ainda que ocorrida há cerca de um século, “A Grande Depressão” deixou marcas que dificilmente vão ser esquecidas.

Ainda que inserida num contexto diferente, a Europa de hoje vive uma das maiores tempestades económicas e sociais da sua existência e, países que eram sinónimo de estabilidade, estão hoje no epicentro da uma avalancha de dificuldades totalmente inesperadas.

Portugal está entre os países da chamada Nova Europa a sentir na pele uma conjuntura completamente desfavorável e, sentindo-se encurralado, viu os seus dirigentes governativos apelarem à ajuda financeira internacional, algo que sucede pela terceira vez depois da presença do FMI por terras lusas em 1977 e 1983.

Perante um país desgastado pelo desemprego, precariedade e com a sociedade civil em autêntica combustão, a investigadora Raquel Varela, responsável pela coordenação do grupo de estudos de trabalho e dos conflitos sociais do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, lança “A Segurança Social é Sustentável”, uma obra escrita em conjunto com mais de uma dezena de colaboradores cujo propósito é ressalvar a capacidade de Portugal ainda ser um país com um apoio social competente.

Para além de identificar os problemas das alegadas ingerências governamentais, este pertinente livro lançado pela Bertrand vai mais longe e apresenta soluções. Segundo a historiadora não é possível, por exemplo, conseguir uma sociedade estável quando a precariedade substitui a ideia do pleno emprego, defendendo ainda que a massa ativa em Portugal é sinónimo de maior riqueza afastando os fantasmas de um cenário negro sem salvação.

Ao longo das mais de quatrocentas páginas de “A Segurança Social é Sustentável” respira-se um sentimento de esperança, ainda que não se negue que vivemos tempos que roçam a tragédia grega em termos económicos. E são algumas das maiores vítimas deste ajustamento social que têm honras de dedicatória no prefácio do livro: reformados, desempregados e trabalhadores precários são apontados como os mais prejudicados desta barbárie financeira e é, principalmente, a esta gente que Raquel Varela e seus pares dedicam a sua obra.

A muito pertinente leitura de “A Segurança Social é Sustentável” dá-nos uma outra visão do cenário de crise de um país que pode, e deve, arregaçar mangas para sair de um buraco que cresce desde a década de 1980. Mais que apontar responsáveis, este livro contra corrente indica um caminho, uma saída, ainda que a mesma seja uma ténue luz ao fundo do túnel.



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