ATR apresenta: novo álbum dos dSCi

É díficil perceber como é que um grupo que surgiu de maneira acidental e improvisada, baptizado primeiro com um símbolo e depois com um nome impronunciável e incompreensível, cuja formação se manteve sempre em permanente mudança e com uma sonoridade bizarra tenha sobrevivido até aqui. De facto, não deixa de ser supreendente que os dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, ainda existam e que continuem a não se levar demasiado a sério.

Em quase 5 anos de actividade intensa e frenética, nos quais foram escrevendo um percurso único entre as margens e entrelinhas do panorama musical português, os dSCi lançaram dois EPs em edição de autor (“I” em 2008 e “II” em 2009) e uma cassete pela editora A Giant Fern (“SADITREVNiSAIEHCLOcIMEsSAUd“ em 2010), participaram em diversas compilações, fizeram quatro digressões europeias e deram perto de 200 concertos nas mais variadas situações e lugares (incluindo bares, discotecas, okupas, associações, auditórios, festivais, manifestações, benefits, praças, descampados, tendas, lavadouros, fábricas, centros comerciais, conventos, palácios, jardins, cinemas, teatros, museus, livrarias, restaurantes, sótãos, caves, cozinhas, etc.).

No meio disto tudo ainda arranjaram tempo para organizar dezenas de eventos com bandas portuguesas e internacionais um pouco por todo o país através da Associação Terapêutica do Ruído (entidade siamesa dos dSCi que se dedica à promoção de concertos dentro do espírito DIY e mais recentemente à edição e distribuição de discos) e também para formarem outros projectos paralelos como os Gan Gan Gan (com o poeta Tiago Gomes), os PPCM (com o pianista americano Thollem Mcdonas), o colectivo de djs Kafunfo noSoundsystem, os Cena 28 ou a Orquestra do Ruído.

Agora estão prestes a lançar o seu primeiro longa-duração numa parceria entre a Associação Terapêutica do Ruído e as editoras portuguesas A Giant Fern e Experimentáculo e as editoras italianas Another Shame, Eclectic Polpo, Fooltribe e Human Feather.

O álbum vai ser editado em vinil numa edição limitada e exclusiva, mas será mais tarde reeditado digitalmente pela netlabel portuguesa Enough Records para download gratuito, como aliás tem acontecido com o resto da discografia do grupo até agora.

Intitulado “4”, não só por ser o quarto registo discográfico da banda, mas também pelo seu significado numerológico e por ser uma espécie de homenagem a álbuns míticos da história do rock como “IV” dos Led Zeppelin, “Vol. 4” dos Black Sabbath ou “4” de Beyoncé, o disco divide-se em dois lados bem distintos que incorporam ambas as vertentes principais do grupo: no lado A seis temas estruturados e já bastante rodados ao vivo e no lado B uma longa improvisação gravada em directo no estúdio com sete membros do colectivo (incluindo duas baterias, dois saxofones e um malabarista/performer).

O artwork, remotamente baseado nos testes psicológicos de Rorschach, é constituído por 4 capas diferentes criadas por Mariana M. e 4 inlays desenhados por 4 artistas convidados: Bárbara Assis Pacheco, Carlos Batalha, Katafu e Lucas Almeida.

As gravações decorreram em 4 dias em pleno verão lisboeta no Garden Studios, local onde aconteceram os primeiros ensaios deste colectivo e foram feitas pelas mãos sábias do mestre António Gil, assistido pelo Carlos “Ramón” e pelos ouvidos experientes do amigo e cúmplice João Buga, que pacientemente as misturou e editou na actual sala de ensaios dos dSCi, com a supervisão atenta dos próprios.
Por fim foram masterizadas pelo maestro Milo Gomberoff nos estúdios La Pausa de la Mirada em Barcelona, onde também tinha sido gravado o EP “II”.

O lançamento será feito no dia 25 de Fevereiro no Musicbox em Lisboa, com a primeira parte a cargo do projecto de spoken word Tapete e dará depois lugar a uma nova digressão em que irão dar uma volta à Europa em 80 dias, começando no final de Março e acabando em meados de Junho e passando por cerca de 17 países.

O álbum pode ser escutado na íntegra aqui.

corta_unhas from mundods on Vimeo.



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