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BONS SONS volta a Cem Soldos em Agosto

Festival cumpre 20 anos com novos palcos, mais programação e cartaz que cruza tradição, experimentação e comunidade.

O BONS SONS regressa à aldeia de Cem Soldos, em Tomar, de 6 a 9 de Agosto de 2026, para a 13.ª edição e para celebrar 20 anos de existência, numa edição assumida pela organização como um manifesto de resistência. O festival mantém a sua ligação à aldeia e à comunidade local, mas amplia o perímetro com concertos fora do centro de Cem Soldos e reforça uma programação que vai além da música.

A edição de 2026 é apresentada como um marco de persistência e adaptação, com o BONS SONS a afirmar-se como um festival comunitário, enraizado no território e no desenvolvimento local. A organização, a cargo do SCOCS – Sport Club Operário de Cem Soldos, volta a defender a ideia de que o projecto cruza cultura portuguesa, espaço rural, cidadania participativa, sustentabilidade e criação de espaço público.

O cartaz reparte-se por vários palcos e mistura nomes ligados a diferentes territórios da música portuguesa. No dia de recepção, 5 de Agosto, o campismo recebe 800 Gondomar e Ana Markl em DJ set, enquanto 6 de Agosto junta, entre outros, Quinta do Bill, Miss Universo, Jonas – Maçã de Adão, Mães Solteiras, Xullaji, Luca Argel, Yakuza, Fidju Kitxora, TT Syndicate, Luta Livre, Jorge Cruz, Rita Redshoes e MXGPU.

Nos dias seguintes, o programa continua com propostas como Líquen, O Marta, Claiana, Pedro da Linha, ACID ACID, Suma, Rossana, O Mau Olhado, Brandos Costumes, Natércia Lameiro, Sons do Lagar com Coro da Cura, Lisa Sereno, Marquise, Alarido – Coro Feminista e LGBT, CRUA, Calcutá, Serigosa, Catarina Silva, Seara e outros projetos que mostram a diversidade estética do festival.

O BONS SONS distribui-se por dez palcos com identidades próprias, cada um ligado a uma homenagem e a uma linha de programação. O Lopes-Graça acolhe música de raiz tradicional e música do mundo; o Zeca Afonso privilegia concertos mais descontraídos; o António Variações abre espaço ao pop rock, ao hip hop, ao punk e a sonoridades electrónicas. O Giacometti destaca projectos mais intimistas, enquanto o Amália recebe propostas muito diversas e próximas do público.

Há também o Rosa Ramalho, em plena natureza, com lotação limitada e inscrição prévia; o Aguardela, dedicado a DJs e live acts no fecho das noites; o MPAGDP, programado com A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria; e ainda o Auditório Agostinho da Silva, com cinema, documentários, espectáculos para crianças e, pela primeira vez, uma proposta para o público juvenil.

A edição de 2026 volta a ir além dos concertos e mantém parcerias já habituais. Com o Festival Materiais Diversos, o BONS SONS apresenta espectáculos de dança num palco ao ar livre, enquanto o Curtas em Flagrante assegura a programação de curtas-metragens no auditório, lado a lado com documentários sobre música portuguesa.

Há ainda oficinas para famílias, programação para crianças no Armazém e no Quintal das Histórias, e um enfoque forte em actividades que ajudam a manter a aldeia viva durante o festival. O Estúdio de Vídeo de Cem Soldos surge como novo projecto educativo e artístico, pensado com as crianças das escolas locais para explorar a história da aldeia através da criação audiovisual.

Na vertente prática, o festival mantém o modelo cashless, transfer entre Tomar, Paialvo e o recinto, zonas de restauração, posto médico avançado, campismo, parque de caravanas e opções de glamping. O transfer funciona entre 5 e 10 de Agosto e é acessível a pessoas com mobilidade reduzida.

Os bilhetes incluem o Passe 4 Dias com campismo, nas fases de 60 e 70 euros, e o bilhete diário, a partir de 35 euros, sendo o acesso pago a partir dos 12 anos. A venda decorre no site do festival, nas lojas Worten e no SCOCS, e os bilhetes diários ficam disponíveis a partir de 9 de Abril.

A imagem gráfica de 2026 inspira-se na ideia de resistência, entendida como persistência e flexibilidade, e recupera tipografias usadas em edições anteriores para sublinhar os 20 anos do festival. A organização liga essa estética à noção de vento favorável, de movimento e de adaptação, como uma forma de traduzir o percurso do BONS SONS ao longo de duas décadas.

Também o projeto Aldeia Cultura continua no centro da identidade do festival, com eixos ligados à educação, envelhecimento, cultura, desporto, turismo e urbanismo. No fundo, o BONS SONS insiste na mesma ideia desde o início: fazer de uma aldeia um espaço contemporâneo, vivo e partilhado, onde a música portuguesa encontra público, contexto e comunidade.



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