IndieLisboa 2026
O CINEMA INDEPENDENTE REINVENTA-SE.
A 23.ª edição do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema regressa a Lisboa entre 30 de abril e 10 de maio de 2026, com uma programação de 241 filmes entre curtas e longas-metragens, distribuída por salas emblemáticas como a Culturgest, o Cinema São Jorge, a Cinemateca Portuguesa, o Cinema Ideal e o Cinema Fernando Lopes. Onze dias de cinema independente que voltam a transformar a capital portuguesa num território de descoberta cinematográfica.
Esta edição afirma-se desde já como uma das mais ambiciosas da história do festival, com a maior seleção de curtas-metragens de sempre na Competição Nacional (21 obras), 16 estreias mundiais confirmadas e uma programação que atravessa géneros, geografias e linguagens cinematográficas.
Competição Internacional
A Competição Internacional reúne este ano 10 longas-metragens e 33 curtas-metragens, num programa marcado por traumas familiares irresolúveis e impasses da intimidade. Os filmes atravessam fronteiras de género, forma e geografia, apresentando algumas das vozes mais distintivas do cinema independente mundial.
Destaques da Competição Internacional
Blue Heron — Sophy Romvari · Canadá/Hungria
A estreia de longa-metragem de Sophy Romvari acompanha a mudança de uma família húngara para a Ilha de Vancouver, no Canadá, vista pelos olhos da filha mais nova. Premiado em Locarno (Swatch First Feature Award) e no TIFF, este drama semi-autobiográfico recolheu elogios universais da crítica, com 100% no Rotten Tomatoes. A Variety descreveu-o como ‘uma peça de memória estilhaçada e devastadora’.
Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha — Janaína Marques · Brasil
Do Brasil, este filme propõe uma viagem imaginada com o propósito de criar memórias felizes, que Rosa, deitada numa marquesa em plena ressonância magnética, não encontra dentro de si. Uma obra que explora a fronteira entre imaginação e memória.
Dry Leaf — Alexandre Koberidze · Geórgia
O realizador georgiano narra a busca de um pai por uma filha que partiu para fotografar campos de futebol consumidos pelo tempo e pela vegetação. Um road movie poético sobre ausência e distância.
Competição Nacional
Uma das secções mais importantes do IndieLisboa reúne em 2026 um total de 29 filmes em competição, dos quais 16 estreias mundiais. Esta é também a maior seleção de curtas da história da Competição Nacional, com 21 obras. Novas vozes erguem-se ao lado de nomes já consolidados do cinema português.
Destaques da Competição Nacional
A Providência e a Guitarra — João Nicolau · Portugal
Escolhido para a sessão de abertura do Festival de Roterdão, o novo filme de João Nicolau apresenta-se no IndieLisboa numa divertida deambulação entre tempos. O cantor Salvador Sobral integra o elenco deste projeto que combina música e cinema de forma singular.
Fordlândia Panacea — Susana de Sousa Dias · Portugal
O segundo longa-metragem de Susana de Sousa Dias leva-nos a um complexo industrial da Ford na Amazónia brasileira, uma cidade que recusa o rótulo de cidade-fantasma. Uma exploração documental fascinante sobre memória industrial e natureza.
18 Buracos para o Paraíso — João Nuno Pinto · Portugal
Uma propriedade rural em Portugal serve de cenário a este filme que aborda questões familiares através de uma estrutura narrativa invulgar: a mesma história é contada de diferentes perspectivas, criando um mosaico de pontos de vista.
Vivomorto — André Santos e Marco Leão · Portugal
O duo que já por várias ocasiões marcou presença no IndieLisboa regressa com esta comédia do absurdo: a filha vai de férias e o pai fica encarregue do seu gato — mas o animal não está em lado nenhum. Um retrato terno e cómico da solidão contemporânea.
Dois e Um Gato — Patrícia Saramago · Portugal
Homenagem póstuma a Patrícia Saramago, relevante nome da montagem do cinema nacional, falecida em outubro de 2025. Esta primeira obra terá uma especial ressonância emocional, complementada por um ciclo de homenagem na Cinemateca Portuguesa no final de abril.
Silvestre — Competição para Cineastas Estabelecidos
A secção Silvestre encontra na singularidade a sua norma. Reúne obras de cineastas com mais de três filmes de carreira que rejeitam fórmulas estabelecidas e despertam novas linguagens cinematográficas. Em 2026, apresenta 7 longas-metragens e 16 curtas-metragens.
By Design — Amanda Kramer · EUA
Uma sátira brilhante à objetificação feminina. Camille (Juliette Lewis) troca de corpo com uma cadeira numa loja de design e descobre que toda a gente prefere esta sua nova versão. Narrado por Melanie Griffith, este filme surrealista estreou em Sundance 2025 e conquistou pela sua irreverência e profundidade inesperada.
My Wife Cries — Angela Schanelec · Alemanha
A realizadora alemã Angela Schanelec, uma das vozes mais distintivas do Cinema de Berlim, apresenta um filme sobre uma fenda relacional entre um casal na Berlim contemporânea. Uma obra que explora o silêncio e a comunicação falida com a elegância formal que caracteriza o seu cinema.
Rizoma — Filmes de Relevo Atual
A secção Rizoma reúne 12 longas-metragens, uma série e quatro curtas-metragens, com cineastas de relevo e temáticas que remetem para a atualidade. Esta edição inclui também uma homenagem a João Canijo, com a exibição de Noite Escura – Versão do Realizador, integrado na 1.ª edição do IndieLisboa.
Rose — Markus Schleinzer · Áustria
Com Sandra Hüller no papel principal — a atriz distinguida com o Urso de Prata para Melhor Interpretação na Berlinale — este filme promete ser um dos momentos altos do festival. Uma prestação de exceção numa produção que não passa despercebid
The Blood Countess — Ulrike Ottinger · Alemanha
Isabelle Huppert numa versão vampírica da Condessa de Báthory. A realizadora veterana Ulrike Ottinger reinventa o mito histórico com a sua marca autoral inconfundível, numa colaboração que promete ser inesquecível.
A Rizoma destaca ainda um conjunto significativo de filmes portugueses, entre os quais Auto da Casa (Tiago Bartolomeu Costa), Esse Olhar que é só teu (Luísa Sequeira), Mulheres de Abril (Raquel Freire), Não Desviar o Olhar (Júlio Alves) e O Velho Salazar (João Botelho) — um amplo painel sobre a memória e o presente de Portugal.
Boca do Inferno — Cinema de Género e Experimental
A secção Boca do Inferno regressa como espaço de liberdade absoluta, acolhendo 14 filmes — sete longas e sete curtas-metragens — que desafiam convenções e exploram territórios mais radicais. O programa abre no primeiro dia do festival com Obsession, de Curry Barker, um thriller sobre uma amizade que deriva para uma paixão sinistra.
Dracula — Radu Jude · Roménia
O realizador romeno Radu Jude apresenta uma releitura contemporânea do mito de Bram Stoker numa Transilvânia marcada por tensões laborais. Uma das obras mais aguardadas desta secção, que promete conjugar a irreverência política habitual de Jude com o imaginário clássico vampírico.
IndieMusic — Cinema e Música em Diálogo
A ligação entre cinema e música está no epicentro desta secção competitiva. Em 2026, o IndieMusic apresenta 13 filmes — 10 longas e 3 curtas-metragens — que cruzam géneros, geografias e sonoridades. Uma nota de destaque: todas as sessões desta secção incluem audiodescrição, numa parceria com a Fundação MEO que reforça a acessibilidade do festival.
Sun Ra: Do The Impossible — Christine Turner · EUA
Um retrato da figura maior do jazz cósmico e da música free jazz. Sun Ra, compositor, pianista e poeta visionário, é aqui revisitado numa obra que promete ser tão inclassificável quanto o próprio músico.
Quem tem medo de Zurita de Oliveira? — Francisca Marvão · Portugal — Estreia Mundial
Documentário sobre uma das mulheres pioneiras do rock português — guitarrista, cantora e compositora, considerada a ‘mãe do rock português’. Uma homenagem em estreia mundial a uma figura central e pouco conhecida da música nacional.
Rua (Isto não é um filme, é um cometa) — João Bigos Campaniço · Portugal — Estreia Mundial
Documentário em torno de Vítor Rua, músico vanguardista e co-fundador dos GNR — que acabaria por se demitir publicamente num manifesto. Uma obra sobre talento singular e escolhas radicais.
Massa Funkeira — Ana Rieper · Brasil — Estreia Internacional
Uma imersão nas origens, história e nuances do funk brasileiro, com participação de artistas como MC Carol, Valesca Popuzuda e Deize Tigrona. Um filme que desfaz ideias feitas sobre um dos géneros musicais mais populares do Brasil.
Newport and the Great Folk Dream — Robert Gordon · EUA
Uma viagem ao histórico Newport Folk Festival, o festival de música norte-americano que marcou gerações e onde Bob Dylan ‘ligou as guitarras elétricas’. Um documento sobre um momento de viragem na história da música popular.
Retrospectiva — «Isto não é um documentário»: O Mockumentary
Construída em parceria com a Cinemateca Portuguesa, a Retrospectiva desta edição dedica-se ao universo do mockumentary — o género que se constrói como um universo ficcional sob a lógica do documentário. Sob o mote ‘Isto não é um documentário’, a secção percorre diferentes épocas e linguagens para explorar a fronteira difusa entre realidade e ficção.
O programa inclui obras de Rob Reiner, Christopher Guest, Peter Watkins, Ruben Östlund, Woody Allen, Sergio Oskman e Kirsten Johnson, entre outros — um panorama rico de um sub-género que tem ganho cada vez mais relevância no cinema contemporâneo.
Novíssimos — As Novas Vozes do Cinema Português
A secção Novíssimos tem sido a casa comum de jovens cineastas em arranque de carreira ou ainda a concluir os estudos. Em 2026, apresenta 13 curtas-metragens com linguagens muito distintas.
Onde Nascem os Pirilampos — Clara Vieira · Portugal
Um grupo de amigos adolescentes vai acampar. Amor e um enxame de pirilampos. Uma obra poética sobre o despertar da adolescência em plena natureza.
Éramos Só Putos — João Nunes Monteiro · Portugal
O ator João Nunes Monteiro estreia-se na realização com este coming-of-age queer passado num campo de férias em 2007. Uma obra de iniciação que cruza humor e emoção.
A culpa é da água — Ana Leonor Guia, Marta Quintanito Roberto, Ruben Pinto e Tiago Magalhães · Portugal
Uma animação sobre Gisberta Salce, mulher trans brasileira assassinada em 2006, no Porto. Uma obra corajosa que transforma uma tragédia real em arte animada com intenção política e poética.
Director’s Cut e Redes Europeias
O Director’s Cut regressa dedicado exclusivamente ao cinema de herança, com cinco obras restauradas, muitas delas inéditas em Portugal. A edição destaca a realizadora búlgara Binka Jeliaskova, pioneira do cinema búlgaro e primeira mulher no país a dirigir uma longa-metragem.
A Smart7 — competição itinerante que liga sete festivais europeus — conta este ano com a representação portuguesa de Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete. Já a ESFN – European Short Film Network apresenta uma proposta de cinema expandido: a instalação imersiva it’s not the sun who is moving, do artista espanhol Luis Macías, com seis projetores de 16mm espalhados pelo Palácio Sinel de Cordes durante o Open House Lisboa.
Para Além do Ecrã — IndieJúnior, IndieByNight e Cinema na Piscina
O IndieLisboa é mais do que um festival de cinema. A secção IndieJúnior mantém a programação para os mais novos, com sessões para todas as idades (desde bebés), workshops, debates e atividades. Um espaço de formação de novos espectadores que é um dos pilares da identidade do festival.
O IndieByNight prolonga a festa pelo fim da noite com concertos e festas. E regressa o Cinema na Piscina — o aquatic cinema que permite ver filmes a flutuar na Piscina Municipal da Penha de França, uma das experiências mais únicas do festival.
As LisbonTalks completam a programação paralela com conversas temáticas sobre distribuição, criação e o futuro do cinema independente.
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