Estripador de Lisboa chega ao teatro imersivo em Lisboa
Inspirado no podcast «A Caça ao Estripador de Lisboa», o espetáculo convida o público a entrar numa investigação que nunca foi resolvida.
O caso do Estripador de Lisboa, que entre 1992 e 1993 vitimou três mulheres e nunca chegou a ser resolvido, ganha agora uma nova abordagem em palco. A Caça ao Estripador de Lisboa é um espetáculo de teatro imersivo, produzido pela Kilt e baseado no podcast homónimo, que estreia a 28 de outubro na zona do Lumiar, em Lisboa. As sessões decorrem de quinta-feira a sábado, sempre às 21h00, até 26 de dezembro, nas instalações da Comunidade Hindu de Portugal. A proposta é colocar o espectador dentro dos locais, dos protagonistas e dos acontecimentos de uma investigação policial e jornalística que marcou o país.
Do podcast para o palco
O ponto de partida é o trabalho jornalístico que deu origem a A Caça ao Estripador de Lisboa, podcast narrativo do Observador que, segundo a produção, já foi ouvido um milhão de vezes. O guião do espetáculo assenta, no essencial, na informação factual investigada pela equipa de jornalistas responsável pelo podcast, que trabalhou depois em estreita colaboração com os guionistas e com o próprio elenco na construção das personagens.
O texto de apresentação resume o ponto de partida: Póvoa de Santo Adrião, 1992, uma mulher é encontrada morta, sem documentos, e não será a última. Em nove meses, três mulheres — Valentina, Fernanda e Maria João — morrem da mesma forma. A Polícia Judiciária investiga, o FBI traça um perfil e doze suspeitos passam pelo processo. O caso nunca foi resolvido.
Agora, propõe a produção, «a investigação reabre» e o público passa a fazer parte dela. O espetáculo reconstrói espaços e momentos centrais da investigação e acompanha as diligências dos vários protagonistas, prometendo revelar detalhes inéditos.
Lisboa nos anos 90, entre a modernização e as zonas de sombra
A sinopse situa a história numa década de viragem. O país modernizava-se, a televisão ganhava força e os jornais tinham um enorme impacto na forma como a realidade era vista e discutida. Lisboa transformava-se, mas continuava a deixar nas suas zonas mais escuras vidas que poucos queriam ver — as três vítimas eram mulheres ligadas à prostituição.
Mais do que reconstruir um crime, o espetáculo procura olhar para as várias camadas de uma história em que a verdade nunca chega inteira. A investigação avança entre pistas, relatos contraditórios e suspeitos improváveis; a imprensa transforma o caso em notícia; e as mulheres que trabalhavam na rua vivem entre o medo e a necessidade. No final, fica a pergunta lançada ao público: para além do assassino, quantos culpados houve nesta história?
“Para além do assassino, quantos culpados houve nesta história?”
— Sinopse de A Caça ao Estripador de Lisboa
Um percurso livre por mais de 1500 metros quadrados
O formato imersivo é a grande aposta. O espectador é convidado a circular livremente pelo espaço, a investigar cenas, a ouvir testemunhos e a interagir com personagens que viveram a tragédia. Cada sala revela um fragmento da história, permitindo a cada pessoa construir a sua própria experiência, num território onde se cruzam ficção e realidade, teatro e investigação.
Para isso, a produção ocupa um piso inteiro, com mais de 1500 metros quadrados, das instalações da Comunidade Hindu de Portugal, na Alameda Mahatma Gandhi, intervencionado arquitetónica e cenograficamente para o efeito. A narrativa é protagonizada pelas figuras ligadas ao processo que foram entrevistadas para o podcast, e reflete também contributos de investigadores da polícia e de outros especialistas ligados ao caso.
O elenco reúne Carolina Burnay, Ema Fonseca, Joana Ruela, Mariana Lencastre, Mariana Sardinha, Celso Pedro, Hugo Mestre Amaro, Hugo Nicolau, Leonardo Dias e Sérgio Moura Afonso.
A Kilt fora da comédia
A produção é da Kilt, empresa criada em 2019 para criar, produzir e promover conteúdos de comédia, conhecida pela gestão de carreiras de humoristas como Diogo Batáguas, Guilherme Geirinhas e Luana do Bem, e por projetos como o Worten Mock Fest, o programa Bom Partido ou as sessões KILT Test.
Ricardo Soares, da Kilt, descreve o projeto como «a concretização de um sonho». «Conseguimos reunir um conjunto de parceiros que permitem pegar numa história sem paralelo no nosso imaginário coletivo e transformá-la num espetáculo com as características ideais para este universo», afirma.
Sessões, bilhetes e informações práticas
A Caça ao Estripador de Lisboa tem sessões às quintas, sextas e sábados, sempre às 21h00, entre 28 de outubro e 26 de dezembro de 2026. Segundo a página oficial de venda, o espetáculo tem a duração aproximada de 1h45, destina-se a maiores de 18 anos e o espaço não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida.
Os bilhetes já estão à venda na Fever. Mais informações estão disponíveis na conta oficial do espetáculo no Instagram.
Mais de três décadas depois dos crimes, o caso do Estripador de Lisboa continua sem resposta. Depois de ter levado a investigação a um vasto público em formato áudio, a história segue agora para um palco que pede ao espectador que se mova, observe e tire as suas próprias conclusões — com a memória das três vítimas no centro de uma pergunta que permanece em aberto.
There are no comments
Add yoursTem de iniciar a sessão para publicar um comentário.

Artigos Relacionados