Try Better, Fail Better leva quatro estreias ao Teatro Taborda
A 19.ª edição do festival do Teatro da Garagem apresenta a 26 e 27 de setembro quatro criações nascidas de uma open call e de um mês de residência artística.
O Teatro Taborda, em Lisboa, recebe no sábado e no domingo, 26 e 27 de setembro, a 19.ª edição do Try Better, Fail Better, o festival e plataforma de apoio à criação do Teatro da Garagem. Em estreia absoluta estão quatro projetos nas áreas do teatro, da performance e da criação multidisciplinar, escolhidos através de uma open call realizada entre abril e maio e desenvolvidos em residência artística ao longo de setembro. Um festival onde o erro, o risco e a experimentação são os principais motores.
Errar como forma de criar
Mais do que um festival, o Try Better, Fail Better é uma plataforma de apoio à criação emergente nas áreas do teatro, da dança e da performance. Sem júri, prémios ou vencedores, afirma-se através de um modelo que contraria um contexto cultural frequentemente marcado pela lógica da avaliação e da competição. Cabe ao Teatro da Garagem criar as condições para que a experimentação aconteça sem a pressão do resultado final.
Cada projeto selecionado recebe um apoio financeiro de 1750 euros, acompanhamento técnico e de produção e um período de residência artística distribuído entre o Teatro Taborda e espaços parceiros.
“O ciclo TRY BETTER, FAIL BETTER regressa em 2026 com quatro propostas que atravessam territórios distintos da criação contemporânea — da palhaçaria ao teatro físico, da autoficção ao imaginário onírico — unidas por uma mesma convicção: o erro, a dúvida e a fragilidade são matéria de afirmação humana e de reforço comunitário.”
— Carlos J. Pessoa, direção artística do Teatro da Garagem

Quatro projetos, quatro linguagens
Desafinada no Coração, de Miriam Freitas, cruza palhaçaria contemporânea, teatro físico e experimentação vocal. Inspirada no conceito de sincronização espontânea do físico Steven Strogatz e na obra de György Ligeti para cem metrónomos, a criação faz do ritmo a matéria viva de uma cartografia sentimental que recusa os regimes contemporâneos de sincronização. A encenação é de Naomi Silman, que assina a criação com Miriam Freitas.
dis-far-ce, de Mariana Magalhães, é uma criação multidisciplinar que parte da investigação sobre o ato de disfarçar e a construção da identidade. Inspira-se nas figuras do universo da fotógrafa Cindy Sherman e no poder da representação, recorrendo a maquilhagem, próteses, figurinos e dispositivos digitais, incluindo uma instalação tipo fotomaton que convida o público a um jogo interativo entre vídeo e cena.

Maria D. não sobe montanhas, de Gustavo Antunes, é uma performance tragicómica que parte de um exercício de autoficção para explorar o luto, o desejo de liberdade e a busca pela felicidade. A peça tece um relato íntimo, poético e bem-humorado sobre Maria das Dores, personagem inspirada na mãe do criador, e cruza teatro, dança e canto, em diálogo com referências como Laurie Anderson e Paula Rego.
Em Paradoxo Molotof, os intérpretes-criadores Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves mergulham em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, com a missão de encenar os sonhos de Alice. Todos são Alice, num exercício de meta-teatralidade que dialoga com o pensamento de Byung-Chul Han e dá corpo às inquietações de uma geração perante a incerteza de um futuro sem perspetivas otimistas.

Conversas, café e uma rede na cidade
Também nesta edição, o ator Rui Maria Pêgo conduz um conjunto de conversas com os artistas, sempre às 18h00, no Varandim do Teatro Taborda, pensadas como um espaço de encontro e de descontração entre as apresentações. O Café da Garagem adapta excecionalmente o horário para acompanhar a programação, das 13h00 à meia-noite.
O festival continua ainda a abrir-se à cidade, em colaboração com diferentes espaços e estruturas culturais de Lisboa, nomeadamente o La Rage e a Tasca das Artes, que integram a sua rede de cumplicidades institucionais e artísticas.
Programa e bilhetes
Os quatro projetos apresentam-se nos dois dias, entre as 15h00 e a meia-noite, no Auditório e na Sala de Ensaios do Teatro Taborda. Os bilhetes custam 15 euros por dia e dão acesso aos quatro espetáculos e à conversa com os artistas. Estão à venda na See Tickets e na bilheteira do Teatro Taborda, a partir das 13h00.
Sábado, 26 de setembro
- 15h00 – Desafinada no Coração, de Miriam Freitas – Sala de Ensaios
- 16h30 – dis-far-ce, de Mariana Magalhães – Auditório
- 18h00 – Conversa com Miriam Freitas e Mariana Magalhães, conduzida por Rui Maria Pêgo – Varandim
- 20h00 – Maria D. não sobe montanhas, de Gustavo Antunes – Sala de Ensaios
- 21h30 – Paradoxo Molotof, de Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves – Auditório
- 23h00 – Desafinada no Coração, de Miriam Freitas – Sala de Ensaios
Domingo, 27 de setembro
- 15h00 – Paradoxo Molotof, de Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves – Auditório
- 16h30 – Maria D. não sobe montanhas, de Gustavo Antunes – Sala de Ensaios
- 18h00 – Conversa com Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha, Zé Alves e Gustavo Antunes, conduzida por Rui Maria Pêgo – Varandim
- 20h00 – Maria D. não sobe montanhas, de Gustavo Antunes – Sala de Ensaios
- 21h30 – Desafinada no Coração, de Miriam Freitas – Sala de Ensaios
- 23h00 – dis-far-ce, de Mariana Magalhães – Auditório

Dezanove edições de novas vozes
Desde 2008, o Try Better, Fail Better tem construído um lugar ímpar para o surgimento de novas vozes no panorama contemporâneo nacional, e contribuiu para o percurso de artistas como John Romão, Tiago Cadete, Dai Ida, Cláudia Lucas Chéu, Daniel Gorjão, Dinis Machado, Solange Freitas e Wagner Borges. Os quatro nomes desta 19.ª edição juntam-se agora a essa história, num fim de semana que volta a provar que falhar melhor é, afinal, uma forma de avançar. Há mais informações no site do Teatro da Garagem.
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