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TRAÇA leva fotografia de alunos da António Arroio a Campolide

«Do Arquivo à Praça» mostra, ao ar livre e até 3 de novembro, o olhar de 24 jovens fotógrafos sobre um dos bairros mais carismáticos de Lisboa.

A TRAÇA – Mostra de Filmes de Arquivos Familiares inaugura a 8 de outubro, às 18h00, Do Arquivo à Praça, uma mostra de fotografia ao ar livre na Praça de Campolide, em Lisboa. Em exposição estão trabalhos de 24 estudantes do 12.º ano do curso de Comunicação Audiovisual | Fotografia da Escola Artística António Arroio, que podem ser vistos até 3 de novembro. A iniciativa, da Câmara Municipal de Lisboa através do Arquivo Municipal de Lisboa | Videoteca, serve de lançamento à 5.ª edição da TRAÇA, que decorre a 24 e 25 de outubro em Campolide.

Do arquivo para o espaço público

O projeto nasceu com o propósito de registar as metamorfoses urbanas de uma cidade em constante mutação. Rapidamente, porém, a qualidade estética e a sensibilidade das imagens captadas motivaram a passagem do arquivo para o espaço público.

As fotografias ocupam as várias estruturas de mupis existentes na Praça de Campolide, uma das principais portas de entrada da freguesia. A localização cumpre também uma missão: facilitar o acesso gratuito e democrático à cultura a quem vive, trabalha ou simplesmente passa por Lisboa.

Diogo Maître, «Escola Primária» — Escola Artística António Arroio / TRAÇA – Arquivo Municipal de Lisboa
Diogo Maître, «Escola Primária» — Escola Artística António Arroio / TRAÇA – Arquivo Municipal de Lisboa

24 janelas abertas sobre Campolide

Ao percorrer o circuito, o público é convidado a descobrir Campolide através de lentes que captam não apenas o território, mas também os rostos e a arquitetura do bairro. Mais do que um registo documental, a coleção é apresentada como um exercício de cidadania e sensibilidade: os jovens artistas não se limitaram a observar, integraram-se na comunidade, ouviram histórias e transformaram Campolide em luz e sombra.

Expõem Caroline Sousa, Dalila Pereira, Diogo Maître, Duarte Almeida, Érica Carriço, Eva Chabert, Fée Nunes Preziosi, Francisca Cavalheiro, Francisco Soares Mourato, Gabriel Bento Oliveira, Inês Cruz, Jay Rosendo, Letícia Santos, Lucas Blanco, Maria Rodrigues, Mariana Russo Segurado, Mariana Serra, Matilde Andrade Pereira, Matilde Silva, Miguel Díaz, Mike Silva, Miranda Gonçalves, Míriam Neves e Petra Nobre.

Entre os lugares fotografados contam-se o Teatro da Comuna, a Estrada da Serafina ou uma antiga escola primária — numa ponte entre o passado e o futuro, em que a TRAÇA e a António Arroio celebram a memória local através de uma nova geração de artistas.

Miguel Díaz, «291 C.C.A.» — Escola Artística António Arroio / TRAÇA – Arquivo Municipal de Lisboa
Miguel Díaz, «291 C.C.A.» — Escola Artística António Arroio / TRAÇA – Arquivo Municipal de Lisboa

Uma mostra que nasceu de filmes órfãos

A TRAÇA começou em 2014 com uma coleção de filmes órfãos — filmes antigos, sem nome nem dono, que chegaram à Videoteca do Arquivo Municipal de Lisboa. A pergunta «quem segurava a câmara?» deu origem a um projeto que procura devolver o olhar a quem esteve por trás das imagens e que, ao longo dos anos, ajudou a construir novas narrativas e chegou mesmo a reaproximar famílias.

Desde então, a mostra tem feito um mapeamento itinerante de Lisboa, passando pelos bairros do Castelo, da Madragoa, de Chelas, de Alvalade e do Rego. Nesta 5.ª edição, o foco está em Campolide, território onde convivem o Aqueduto das Águas Livres, Monsanto e o ritmo das grandes vias. Num momento em que a gentrificação ameaça redesenhar as ruas, a organização assume o cinema de arquivo como «um escudo de resistência cultural».

Míriam Neves, «Teatro da Comuna» — Escola Artística António Arroio / TRAÇA – Arquivo Municipal de Lisboa
Míriam Neves, «Teatro da Comuna» — Escola Artística António Arroio / TRAÇA – Arquivo Municipal de Lisboa

Rick e Megan Prelinger pela primeira vez em Portugal

A edição deste ano tem como tema Paisagens Perdidas e inspira-se no projeto Lost Landscapes, de Rick Prelinger. Um dos destaques é precisamente a presença, pela primeira vez em Portugal, de Rick e Megan Prelinger, arquivistas, historiadores e cineastas norte-americanos. Rick Prelinger traz a Lisboa o formato de visionamento comentado em que o público é convidado a identificar ruas, reconhecer rostos e partilhar memórias ao vivo, numa sessão marcada para 24 de outubro no Teatro da Comuna.

Com entrada gratuita, a programação inclui ainda seis salas de estar ao ar livre espalhadas pelo bairro, com mobiliário resgatado dos armazéns da Gebalis e televisões a exibir filmes de arquivo, conversas, passeios pelos bairros da Liberdade, Serafina, Bela Flor e Calçada dos Mestres, o espaço infantil Tracinha, a antestreia do documentário Vira do Avesso, de IVY, a exibição de 9 Rapazes e 1 Cão, de Constantino Esteves, filmado em Campolide em 1963, e uma performance de Ana Deus no Cosmos.CAC.

Mariana Serra, «Estrada Serafina» — Escola Artística António Arroio / TRAÇA – Arquivo Municipal de Lisboa
Mariana Serra, «Estrada Serafina» — Escola Artística António Arroio / TRAÇA – Arquivo Municipal de Lisboa

Até 3 de novembro, a Praça de Campolide funciona como antecâmara de uma edição que quer pôr o bairro a olhar para si próprio. O programa completo da TRAÇA está disponível a partir de 8 de outubro no site do Arquivo Municipal de Lisboa, e a 24 e 25 de outubro as memórias de Campolide saem dos arquivos para as ruas, as salas e os ecrãs da freguesia.



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