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“O Último Caso de Trent” de E.C. Bentley

Um detetive autodidata enfrenta um crime curioso

O Último Caso de Trent, de E.C. Bentley (Livros do Brasil, 2022), é um mistério policial eduardiano, com todos os ingredientes de um enredo digno do século XXI.

Considerado como um dos três grandes policiais de sempre por Agatha Christie, ‘O Último Caso de Trent’ é, acima de tudo, uma resposta a Gilbert Keith Chesterton (‘Father Brown’), em troca do ‘O Homem de Quinta-Feira’.

É devido a esta “batalha” de engenhos e sagacidade entre os dois, que “nasce” o artista/jornalista Philip Trent, uma nova vertente de detetive para rivalizar com os detetives perfeitos de QI superior incontestável, como Sherlock Holmes, muito em vogue naquela época.

Quando o cérebro privilegiado de Sigsbee Manderson foi trespassado por uma bala, disparada por mão desconhecida, o mundo nada perdeu que valesse uma lágrima sequer; pode mesmo dizer-se que aprendeu uma lição (…) Porém, quando se espalhou a notícia do seu trágico fim pareceu àqueles que com ele viviam nos pináculos do templo do negócio que a própria Terra estremecia sob aquele golpe.

Pintor e detetive amador, Philip Trent já não é estranho a investigações criminais, tendo resolvido, com sucesso, vários casos no passado.

Quando recebe o pedido para investigar, apesar de alguma relutância inicial, Trent lança-se à caça do assassino do magnata Sigsbee Manderson.

Já em White Gables, munido apenas através do que leu pelos jornais e dos depoimentos de empregados e conhecidos do morto, vai reunindo os detalhes que crê necessários para uma rápida e eficaz resolução do crime.
Sendo o morto ‘persona non grata’, a lista de suspeitos é vasta, mas algo na cena do crime levanta dúvidas na mente de Trent. Passo a passo, entre a cena do crime e os detalhes daquela noite fatídica, Trent começa a entender a esquemática do assassinato de Manderson.

Entre algumas deduções corretas e outras, talvez, mal direcionadas, Trent descobre o que mais ninguém conseguiu fazer, a verdade. Mas a verdade pode ser algo para o qual ninguém, muito menos Trent está preparado.

Pegou no envelope que se encontrava em cima da mesa e lançou-o às chamas, com um suspiro. – Não há nada mais estúpido que um homem julgar-se invulgarmente inteligente.

O Último Caso de Trent, de E.C. Bentley é um mistério policial, com um detetive que pensa fora da caixa, que usa métodos muito próprios e, frequentemente, falíveis, que derivam em resultados imperfeitos. Um personagem esperto, mas com falhas, num enredo satisfatório e agradável, num jogo interessante e inteligente. Uma investigação com muitas curvas e contra curvas, especialmente rumo ao final, onde o culpado não é assim tão óbvio como aparenta ser.

Prefiro imaginar-me encarnando o anjo da vingança, que vem para apurar culpas, para defender a honra da sociedade.



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