Pedro Catalão Moura | Entrevista
«Eu diria que as histórias “E se…?” me encontraram quase que por acaso do destino»
A Rua de Baixo esteve à conversa com uma das novas vozes da literatura nacional, o autor Pedro Catalão Moura, acerca das suas duas obras literárias, Quando o Vaticano Caiu, e o seu lançamento mais recente, Portugal Vermelho, ambos lançados pela editora Saída de Emergência.
O escritor transmontano, é o criador de distopias/thrillers históricos de gabarito, e já habitou os seus leitores a um estilo detalhista, e algo poético, que apresenta aos leitores cenários hipotéticos, mesclando realidade e ficção com mestria.
Nesta conversa falou-nos um pouco sobre as suas escolhas, o seu processo criativo, e os possíveis desafios que deles advêm.
RDB – O que te levou a escrever histórias What If?
PCM – Eu diria que as histórias “E se…?” me encontraram quase que por acaso do destino. É verdade que sempre tive um particular apreço por livros históricos, por thrillers, por realidades paralelas, mas nunca foi uma verdadeira intenção ou algo planeado tornar-me autor deste género literário. Por exemplo, a premissa do “Quando o Vaticano Caiu”, que é o meu primeiro livro, surgiu-me durante uma qualquer outra leitura, cujo título já não consigo precisar, e atraiu-me tanto, causou-me tanta curiosidade, que me vi na necessidade de ir pesquisar sobre o tema. Quando percebi que pouco havia sido escrito sobre os planos de Hitler para o Vaticano, desafiei-me a mim próprio a tentar passar para o papel uma qualquer história em que isso se tornasse realidade. E assim foi. Passados dois anos, tinha o manuscrito do livro escrito.
Apesar da causalidade com que me cruzei com este género literário, devo dizer que há algo de muito belo, de fascinante, nisto de brincar com a História. Poder criar acontecimentos novos por de entre os reais, desafiar figuras históricas a viver ações que nunca enfrentaram, dar um rumo diferente a multidões, a países, ao mundo, é um exercício de profunda satisfação. É talvez por isso, por gostar tanto, que, quando me surgiu a premissa do “Quando o Vaticano Caiu”, não hesitei e avancei com a escrita do livro.
RDB – Por norma, quanto tempo, mais ou menos, levas a pesquisar sobre os temas?
PCM – Embora tratando-se de livros de História alternativa, os meus livros têm uma base de História real muito forte. Quero com isto dizer que faço tanta ou mais pesquisa para escrever este género literário como faria caso escrevesse romance histórico. Alterar a História e criar um enredo paralelo requer um grande conhecimento sobre os acontecimentos reais. Assim, antes de escrever um livro, passo por um período de largos meses durante o qual pesquiso afincadamente sobre a época que quero explorar, sobre as principais efemérides da altura e sobre as grandes figuras que se passeavam pela sociedade sobre a qual pretendo escrever.
Indo a números concretos, a investigação para o “Quando o Vaticano Caiu” ter-me-á demorado cerca de ano e meio, com a escrita a estender-se para lá dos dois anos. A verdade é que, apesar de eu até ter algum histórico religioso na família, nunca tive acesso aos meandros da Igreja Católica, nunca soube mais do que qualquer outro ser humano, nem nunca estudei para padre, como algumas pessoas aventaram. Portanto, para conseguir o nível de detalhe que eu pretendia dar ao enredo, para garantir que o leitor se sentia imerso na trama, foi-me crucial pesquisar durante largos meses para que até o mais ínfimo detalhe fosse tido em conta.
No caso do “Portugal Vermelho”, por me ser um tópico mais próximo, mais recente, mais conhecido de todos os portugueses, a pesquisa demorou cerca de um ano, com a escrita a terminar seis meses depois disso. Apesar de tudo, todos nós temos uma ideia consolidada sobre os acontecimentos da altura, conhecemos as principais figuras e sabemos que rumo o país poderia ter tomado; portanto, a pesquisa para o segundo livro revelou-se menos desafiante, menos demorada.
Independentemente do quão demorada, fastidiosa ou até assustadora a empreitada de escrever um livro possa parecer, sempre que começo a preparar um novo manuscrito mantenho em mente a famosa frase de Horácio: “O bom começo é meio caminho andado”.
RDB – Para a tua estreia, escolheste um tema, de si, potencialmente problemático, religião, mais concretamente o Vaticano. Não tiveste receio das possíveis repercussões?
PCM – É curiosa esta pergunta. Curiosa porque se tem vindo a tornar frequente. Não raras vezes, as pessoas dizem-me que “há coragem” nos meus livros, que “é preciso algum atrevimento” e que os temas “podem dar azo a repercussões negativas”. É compreensível pensar que escrever sobre religião, ou até sobre política, possa colocar o autor “na mira” das instituições abordadas ou das pessoas que as seguem, mas “Quando o Vaticano Caiu” não é um livro de crítica ou ataque à Igreja, nem “Portugal Vermelho” pretende julgar a extremidade mais à esquerda do espetro político.
Os meus livros são, acima de tudo, a materialização de uma História que, não tendo acontecido, esteve muito perto de tal. O “Quando o Vaticano Caiu”, por exemplo, é isso mesmo: o concretizar de uma possibilidade histórica que não esteve assim tão distante de se tornar realidade. É um livro que conta uma trama, explora uma possibilidade histórica e, em paralelo, contrapõe o que a Igreja tem de bom e de mau em todo o seu esplendor factual. Depois, a avaliação desses lados, o bom e o mau, cabe ao leitor. A opinião sobre a instituição compete a cada um de nós, enquanto seres atentos. E ainda bem que assim é, que temos todos ideais diferentes e interpretações distintas da sociedade. Que aborrecido seria um mundo imerso em plena e constante concordância.
Finalmente, e ao contrário do que se possa pensar, nunca tive qualquer repercussão negativa, crítica ou sequer abordagem por parte de algum representante da Igreja Católica. No máximo, quando tentei contacto com alguns deles, recebi silêncio.
RDB – “Quando o Vaticano Caiu” já vai na 3ª edição, e agora, eis que surge a edição espanhola “Cuando Cayó el Vaticano”. Parabéns por estes triunfos. Como te sentes ao ver o teu livro entrar no mercado espanhol?
PCM – Muito obrigado! Realmente, jamais acreditei que o “Quando o Vaticano Caiu” pudesse chegar à 2ª edição em meros 10 dias e à 3ª edição ao fim de três meses de lançamento. E acreditei ainda menos que eu veria um livro meu ser traduzido e acabar em todas as prateleiras das livrarias de um outro país. Quanto aos meus sentimentos perante isto, não é fácil descrevê-los. Esta minha passagem pelo mundo dos livros tem sido uma catadupa de acontecimentos inesperados e que nem no mais feliz dos sonhos eu poderia vê-los tornarem-se realidade. Começando logo pela própria publicação do meu primeiro livro, algo que me parecia demasiado utópico para se concretizar, o anúncio de novas edições, a publicação de um segundo livro volvidos 18 meses ou até mesmo a tradução são acontecimentos que me parecem saídos de um daqueles livros em que tudo corre bem e as personagens vivem felizes para sempre. Portanto, não consigo sentir nada mais do que profundo espanto, além de muita alegria e uma enorme gratidão.
Importa ainda frisar que todos estes acontecimentos têm nome, têm responsáveis. São eles todos os leitores que, por de entre tantas possibilidades, escolhem levar os meus livros para casa e decidem lê-los quando poderiam ler qualquer outro. São eles todos os divulgadores literários que, amavelmente, se têm desfeito em divulgações, sugestões e publicações nas redes sociais. São eles todos quantos me têm convidado para os seus clubes de leitura, para as suas rúbricas, para os seus podcasts e tanto mais. Na impossibilidade de agradecer pessoalmente a cada uma destas pessoas, deixo aqui o meu mais profundo e sentido obrigado!
RDB – Após habituares os teus leitores a What Ifs de temática sensível, escolheste como alvo para o teu mais recente livro Portugal Vermelho, a política, abordando um período conturbado da História de Portugal, numa altura em que o cenário político atual está fervilhante. Porque escolheste o 25 de Abril, e consequentemente, Otelo e o mundo da espionagem CIA/KGB, como temas do teu segundo livro?
PCM – A expressão “escolheste como alvo” talvez seja ligeiramente forte. Isto porque, como referi atrás, os meus livros não são escritos com um propósito específico de atacar instituições ou melindrar crenças, sejam elas religiosas ou políticas. Ainda assim, é verdade o que a pergunta refere e há, de facto, algumas curiosidades quanto à altura de lançamento do livro. Ele surge numa altura de muito conturbação política em Portugal, numa altura de profunda polarização e de crescente divisão social. Depois, o livro é lançado, por fruto do acaso, precisamente no ano em que se celebra o quinquagésimo aniversário do período quente de abril, do período que se situou entre abril de 1974 e novembro de 1975. E, finalmente, o livro chega ao mercado português na semana em que acontecem as eleições legislativas para escolher o novo governo. Tudo isto criou um certo misticismo em torno do “Portugal Vermelho”.
Apesar das curiosidades mencionadas, nenhuma delas foi planeada ou sequer antecipada por mim ou pela Saída de Emergência, a editora que publicou o livro. Quando a data de lançamento foi definida, largos meses antes, seria impossível adivinhar que o governo cairia e que novas eleições seriam marcadas precisamente para essa semana. Já quanto à celebração dos 50 anos da Revolução dos Cravos e do período volátil que se seguiu, é claro que eu estava ciente disso, mas não foi motivo único ou suficiente para eu escrever o livro. A verdade é que, talvez por intercessão divina, todos esses fatores se conjugaram e acabaram por ajudar ao lançamento do livro.
Relativamente à premissa, ela surge depois de um exercício demorado de ponderação que eu próprio fiz quando decidi escrever um segundo livro. Depois do lançamento do “Quando o Vaticano Caiu”, senti a necessidade de escrever um segundo (além da reescrita do “Quando o Vaticano Caiu” para o mercado espanhol e da escrita de um conto para o livro “Lisboa Noir”, do Luís Corte Real). Esta necessidade obrigou-me a definir um tema; coisa difícil. Sabia que gostaria de manter-me no género da realidade alternativa, mas não sabia ao certo que tema explorar. Depois da dita demorada ponderação, optei então por escrever sobre o mais recente acontecimento da nossa História cujo desenlace poderia ter sido tão diferente e ter levado o país por um rumo totalmente oposto: o 25 de Abril.
Depois de definida a premissa, e mantendo-me fiel ao meu estilo, quis arrastar para o enredo figuras históricas que se passeavam pela sociedade portuguesa aquando do acontecimento dos factos. Assim, figuras como Otelo Saraiva de Carvalho, Mário Soares ou mesmo Álvaro Cunhal foram elementos incontornáveis e que tinham mesmo de se tornar personagens principais do livro. Depois, e também graças à grande preponderância que agências de informação, vulgo espionagem, tiveram no desenrolar dos acontecimentos de abril, tornou-se obrigatório incluir figuras como Frank Carlucci, embaixador dos Estados Unidos da América em Portugal, e demais agentes da CIA, e também representantes da União Soviética e, em concreto, da KGB. Foi assim que surgiu a ideia de trazer um jovem Vladimir Putin, então agente dos serviços de informação soviéticos, até esta Lisboa comunista.
RDB – Aliando a ficção à realidade, recorreste a personagens históricas tais como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Otelo e Spínola. Como equilibraste o respeito pelas figuras históricas com a liberdade de ficção?
PCM – Tratando-se de ficção, e vivendo nós numa sociedade democrática livre, é permitido a um autor poder escrever sobre figuras históricas sem ter necessariamente de evitar a sua persona pública. Tal como não se impõem limites ao humor, também a literatura goza de semelhante estatuto. Caso assim não fosse, jamais se poderiam publicar, por exemplo, biografias não autorizadas, e o que não faltam no mercado são livros deste género. Ainda assim, por forma a manter algum respeito pelas figuras históricas, é bom equilibrar a trama.
Este equilíbrio é, talvez, um dos maiores desafios que eu enfrento quando escrevo um livro. Como gosto de incluir no enredo figuras históricas, corro frequentemente o risco de ofender a memória dessas figuras, de desagradar aos descendentes ou até de caricaturá-los em demasia e, por inerência, desagradar ao leitor mais atento, ao leitor que tem essas figuras bem presentes na sua memória. Para evitar isso, o que tento fazer é pesquisar tudo quanto existe sobre essas figuras. Leio artigos sobre elas, vejo entrevistas, leio textos que deixaram escritos, … como forma de me inteirar das suas posições na vida, da sua forma de estar, dos trejeitos de fala, das relações interpessoais. Acredito que, sendo o mais fiel à sua real persona, consigo manter o respeito por elas e evito macular a sua memória.
Destas quatro figuras, Soares, Cunhal, Spínola e Otelo, a que foge mais à sua real persona, no livro, é o senhor Otelo Saraiva de Carvalho. Infelizmente, o livro precisava de ter um “mau da fita”, digamos, e essa fava acabou por calhar-lhe a ele. É verdade que, na sua História pessoal, viu-se envolvido em inúmeras situações nada abonatórias. Refiro-me a acusações de terrorismo, envolvimento com organizações criminosas e até assuntos mais fortes que agora não vêm ao caso, mas não acredito que, na vida real, ele se pudesse tornar no monstro que é no “Portugal Vermelho”.
RDB – Tiveste algum contacto com familiares dos intervenientes do teu enredo? Se sim, como reagiram à tua caracterização dos seus familiares no livro?
PCM – Familiares dos intervenientes no “Quando o Vaticano Caiu” não. A esmagadora maioria das personagens deste livro são, ou eram, cardeais e, como tal, não deixaram descendência direta. Além disso, não são portugueses, o que dificulta ainda mais receber eventuais contactos de familiares deles.
Já no que ao “Portugal Vermelho” diz respeito, sim, tive a chance de falar com pessoas próximas e descendentes diretos de algumas das personagens já depois do lançamento do livro. Em específico, falei com diversas pessoas que privaram de perto com o Otelo Saraiva de Carvalho e que me garantiram que, apesar da sua figura forte e controversa, era um verdadeiro senhor e alguém muito simpático no trato pessoal e diário. Quero acreditar que, caso ele fosse vivo, adoraria ver-se retratado no “Portugal Vermelho”, apesar de ser, lá está, o mau da fita.
Depois, tive ainda oportunidade de encontrar-me com o João Soares, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, antigo Ministro da Cultura e, claro, filho do Mário Soares. Esta história é mais curiosa. Ele recebeu o “Portugal Vermelho” de oferta e, depois de ler, disse-me que gostou bastante, que tinha apreciado a retratação do pai enquanto personagem de um livro de ficção e que tinha achado graça ao enredo. Confessou-me ainda que se chocou um pouco, curiosamente, com a brutalidade da personagem do Otelo. Disse-me que ele jamais seria, na vida real, aquilo que é no livro. Isto não me espantou porque, como eu dizia atrás, o senhor Otelo acabou por ficar com a fava de ser o “mauzão” da trama e, por inerência, foi a personagem mais distante da sua real persona.
RDB – Se tivesses de escolher um momento marcante do teu livro, um que te tenha dado especial gosto, ou reticência, ao escrevê-lo… Qual seria e porquê?
PCM – Esta pergunta é, quiçá, a mais difícil de responder. Escolher uma cena de entre tantas é quase como que escolher o filho favorito. Ainda assim, vejo-me obrigado a escolher uma em específico cuja escrita me destruiu emocionalmente. Trata-se do segundo capítulo do “Portugal Vermelho”.
No capítulo mencionado, eu descrevi os acontecimentos do 25 de abril. Ora, para regressar a esse dia foi necessário não só fazer uma cuidada e demorada investigação, mas também revisitar todas as agruras e desventuras pelas quais Portugal passou nas décadas que antecederam o dia da revolução. Fazer essa visita ao passado levou-me a enfrentar os males que o Estado Novo infligiu ao povo português, os crimes bárbaros que inocentes sofreram às mãos do regime, as censuras, as bocas caladas, a tristeza generalizada, a pobreza instaurada, o sofrimento constante… pobre povo português que teve o azar de viver nesses tempos. Tudo isto ainda me deixa pensativo, entristecido, algo enraivecido, sempre que releio o capítulo. Assim, é dos que mais me marcou.
RDB – Temas polémicos atraem haters. Como lidas com as opiniões menos positivas, possivelmente mais agressivas?
PCM – Existem dois tipos de opiniões menos positivas: aquelas que têm uma base lógica e que vêm, normalmente, de leitores que, depois de terem lido o livro, não gostaram assim tanto, e aquelas que vêm de pessoas que, não tendo o livro nem fazendo intenções de tal, se limitam a lançar críticas infundadas e profundamente injustas.
Perante o primeiro tipo de críticas, a reação é a única possível: recebo-as de coração aberto. Algum leitor que se dá ao trabalho de ler o meu livro e de me enviar a sua opinião merece toda a minha atenção e, se além disso ainda pretende fazer uma crítica construtiva, os seus comentários serão pesados e analisados com todo o cuidado. Em boa verdade, críticas construtivas têm o dom de ajudar um autor a melhorar a sua escrita e a sua forma de contar histórias, portanto, pobre autor que não sabe ouvi-las.
Já no que diz respeito às críticas infundadas, meros ataques de gente protegida pelo anonimato das redes sociais e que jamais lerá o livro, não me afetam absolutamente nada. Aquando do lançamento do “Quando o Vaticano Caiu”, não foi o caso, mas o “Portugal Vermelho” suscitou muitos comentários menos positivos nas redes sociais, e até uns quantos insultos contra mim, por parte de pessoas que, ignorando a verdadeira trama do livro e, lá está, sem o terem lido, apressaram-se a criticá-lo por entenderem que o livro é um ataque à esquerda. Chegou-se mesmo ao cúmulo de dizer que o lançamento do livro na semana das eleições poderia ter um impacto grave e significativo no resultado eleitoral da esquerda. Ora, isto parece-me tudo tão ridículo, tão infundado, tão louco e até tão injusto que não posso reagir de outra forma que não ignorar e esquecer. Em suma, não dedico um segundo do meu tempo a críticas deste tipo.
Só para acabar, partilho um insulto que, podendo parecer profundamente ofensivo, acabou por me divertir bastante e até por me ajudar no marketing do livro. Um qualquer senhor de identidade desconhecida (como sempre), depois de ver a capa do meu livro nas redes sociais e achando tratar-se de um livro de ataque à esquerda, foi tomado por uma qualquer fúria e chamou-me Pedro Cabrãozão Moura. Insultuoso? Talvez. Feio e desnecessário? Sim. Divertido? Muito!
RDB – Há o costume de se dizer que existem três tópicos tabus: religião, política e futebol. As tuas histórias já abrangeram dois deles. Já sabes qual será o teu próximo tema? Podes desvendar algo sobre isso?
PCM – Fui descoberto. Os meus livros são mesmo uma trilogia dedicada, lá está, a essa trindade de tabus e o próximo será uma realidade alternativa futebolística! Nesta realidade paralela, o Cristiano Ronaldo vai ser imperador de Portugal e o futebol é a única razão de viver do povo.
Estou a brincar, claro.
Nunca foi propriamente um objetivo escrever sobre temas mais quentes ou capazes de aflorar os piores sentimentos nas pessoas. Em boa verdade, o que me surge em primeiro lugar são mesmo as premissas, que, por coincidência, acabaram por encaixar-se nos temas da religião e da política.
Relativamente a um próximo livro, estou ainda muito longe de saber se publicarei um terceiro. Há muito trabalho pela frente, muita pesquisa para fazer, muita estrutura para planear e muitas personagens para criar, portanto, é muito cedo para aventar algo sobre um eventual futuro livro. A premissa em que tenho vindo a trabalhar nos últimos tempos segue a mesma linha dos anteriores, portanto, é realidade alternativa.
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