SONAE E FUNDAÇÃO DE SERRALVES LANÇAM RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS

A Sonae e a Fundação de Serralves associaram-se para o lançamento, pela primeira vez, de um Programa de Residências Artísticas, que vai permitir a artistas nacionais e internacionais disporem de um espaço de trabalho com condições excepcionais para criarem novas obras e receberem os vários agentes culturais.

A inglesa Charlotte Moth e a dupla portuguesa !Von Calhau!, constituída por Marta Baptista e João Alves, são os artistas convidados para este programa. Durante três meses, os três artistas vão desenvolver novas obras para uma exposição que vai estar aberta ao público entre 5 de Novembro e 15 de Dezembro, no Porto, no Instituto Araújo Porto, recebendo visitas de estudo e contribuindo para o debate e contacto entre artistas e entre estes e o público, através de conferências e workshops.

Charlotte Moth e os !Calhau! vão criar e apresentar os seus trabalhos no antigo Instituto Araújo Porto, uma escola para surdos-mudos, que funcionou durante grande parte do século passado e foi desactivada há dois anos.

Catarina Oliveira Fernandes, directora de Comunicação, Marca e Responsabilidade Corporativa da Sonae, afirma que ”Desde sempre que a Sonae tem apostado no fomento de novas tendências, novas visões e de apoio à investigação, inovação e desenvolvimento, nomeadamente, cultural, com o objectivo último de contribuir para o progresso das comunidades. A associação da Sonae com a Fundação de Serralves, da qual é membro fundador, tem sido muito profícua e tem contribuido para a promoção do bem-estar social e cultural da comunidade. Estamos confiantes que este novo projecto irá dinamizar de forma muito positiva o ambiente artístico, permitindo, simultaneamente, uma abertura e grande aproximação ao público em geral.

Ricardo Nicolau, director adjunto da Fundação de Serralves e curador deste projecto, refere que “sensibilizar o público para a arte contemporânea é a nossa missão, traduzida plenamente neste projecto que permite ao público acompanhar o processo de criação e debate-lo com artistas nacionais e internacionais.”

A escolha do Instituto Araújo Porto reflecte o recente interesse, por parte de muitos artistas, de repensar modelos pedagógicos e de transmissão de conhecimento, mas também responde à importância crescente que a oralidade tem assumido nas manifestações artísticas contemporâneas – concertos, textos ditos por actores, recurso a ferramentas teatrais.

O programa também pretende incentivar contactos entre agentes artísticos nacionais e estrangeiros, estando, para isso, previstas mesas-redondas, conferências, studio-visits e open-studios, para estimular a troca de experiências entre artistas, estudantes de arte e de curadoria e curadores.

Os Residentes

Charlotte Moth (1978, Reino Unido) desenvolve, desde 1999, um banco de imagens, composto por fotografias analógicas, a que chama Travelogue. Este arquivo, que se traduz numa leitura fenomenológica de espaços arquitectónicos, e que dedica uma especial atenção a exemplos de edifícios modernistas, e a nomes associados à arquitectura de entre Guerras (como Eillen Gray e Robert Mallet-Stevens), terá com toda a certeza na cidade do Porto – conhecida pela qualidade arquitectónica de muitos dos seus equipamentos arquitectónicos – uma oportunidade de expansão; como esta residência será entendida enquanto oportunidade para ampliar o leque de colaborações levadas a cabo pela artista com escritores, filósofos e músicos, oferecendo à artista a possibilidade de trabalhar com outros nomes de que estará próxima na cidade do Porto, desde logo os !Von Calhau!.

!Von Calhau! são uma dupla de artistas constítuida por Marta Ângela Baptista (Vila Nova de Famalicão, 1978) e João Alves (Lisboa, 1979), que faz música (editam discos, dão concertos, viajam em tourné), apresenta performances em espaços galerísticos e em festivais de performance (acções que às vezes mal se distinguem de concertos), concebe e realiza filmes mudos de 16 mm associados a música tocada pelo par ao vivo,  podendo ser projectados em espaços exclusivamente relacionados com música (festivais, bares, salas de espectáculo, todo o tipo de palcos) ou em locais associados às artes visuais (museus, galerias de arte, livrarias especializadas em arte e edições de artista). Parecem representar uma geração de artistas que quer fazer tudo, que quer ser tudo. O lema do jovem artista parece ser “funda uma banda, faz um filme, escreve um livro”; o jovem artista parece querer ocupar todas as posições dentro do sistema das artes, do curador ao crítico, do escritor de ficção e do músico ao encenador de teatro; não quer fazer parte de um sistema, quer ser e ter o seu próprio sistema. Independentemente do suporte explorado, os !Von Calhau! insistem no contacto directo com o público, acreditam na magia das actuações ao vivo, defendem a sua capacidade para criar momentos irrepetíveis.



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