Premi Play e Voltei aos Anos 90: A We Are Rewind Testada
Há produtos que chegam à nossa mesa de review e que, logo na caixa, já contam uma história. O leitor de cassetes da We Are Rewind é um desses casos — e antes sequer de premir play, já sabíamos que este artigo ia ser tão sobre nostalgia como sobre tecnologia.
A experiência começa logo na abertura da caixa. A We Are Rewind não se limitou a embrulhar um gadget — construiu um pequeno ritual. Entre os acessórios incluídos está um detalhe que vai fazer sorrir qualquer pessoa que tenha crescido a trocar mixtapes: o clássico lápis para rebobinar cassetes à mão, aquele que outrora era salvação sempre que a fita se soltava ou o motor da aparelhagem decidia não colaborar. É um objeto sem função tecnológica nenhuma no mundo de 2026, e é exatamente por isso que faz tanto sentido estar ali — é um gesto de quem percebeu que este produto não vende apenas um leitor, vende uma memória.
Build quality: nada de plástico frágil
Uma das maiores surpresas ao pegar no aparelho é a solidez. Nada aqui parece descartável ou feito à pressa — a sensação é claramente de um dispositivo premium, com um peso e um acabamento que contrastam com a ideia que se possa ter de “gadget retro giro mas barato”. Os botões mecânicos respondem com um clique satisfatório, semelhante ao das aparelhagens antigas, e não há folgas ou rangidos que denunciem pressa de fabrico. Este é um dos pontos onde a We Are Rewind se distingue claramente da concorrência: não é só sobre parecer retro, é sobre ser bem construído.
Ligação Bluetooth: simples e sem dores de cabeça
Do lado da conectividade moderna, o emparelhamento Bluetooth funcionou sem qualquer entrave — sem quebras de ligação, sem processos de pareamento complicados. É este equilíbrio entre nostalgia analógica e conveniência atual que faz o dispositivo funcionar tão bem no dia a dia: podes ouvir uma cassete física através de colunas ou auscultadores sem fios modernos, sem qualquer fricção.
A função de gravação: mixtapes, mas em 2026
Um dos aspetos mais interessantes — e mais subestimados à primeira vista — é a opção de gravação. Basta uma ligação auxiliar a qualquer fonte de áudio (telemóvel, computador, coluna) para começar a gravar a tua própria mixtape ou até um álbum inteiro em cassete. Para quem cresceu a gravar da rádio ou a compilar mixtapes para amigos, é uma função com um peso emocional enorme; para quem nunca o fez, é uma introdução divertida e surpreendentemente simples a um ritual que a era do streaming apagou por completo.
Carregar em play: uma viagem no tempo
E depois há o momento em si. Carregar em play e ouvir aquele som de fundo característico da fita — aquele leve chiado, a textura quente e imperfeita do som analógico — é quase uma máquina do tempo. É um som que nos transporta imediatamente para outros tempos, outras salas, outras pessoas. Há ali qualquer coisa de mágico e ao mesmo tempo agridoce: a mesma textura sonora que nos devolve momentos brilhantes também nos lembra, sem pedir licença, que já lá vai algum tempo desde então.
Não é só nostalgia: a cassete está mesmo a voltar
Vale a pena sublinhar que este não é um fenómeno de duas ou três marcas saudosistas a tentar vender curiosidades. Os números da indústria confirmam uma tendência real: nos Estados Unidos, as vendas de cassetes chegaram a 446.500 unidades em 2025, um crescimento de 17,5% face ao ano anterior, segundo dados da Luminate e da RIAA. No Reino Unido, a British Phonographic Industry (BPI) registou um salto ainda mais dramático — mais de 200% de crescimento só no primeiro trimestre de 2025, ultrapassando as 63.000 unidades.
E os artistas têm acompanhado esta procura. Os Blackpink já lançaram edições em cassete de vários álbuns, incluindo Born Pink, e o formato tem vindo a ser adotado por nomes tão diferentes como Olivia Rodrigo, Billie Eilish ou artistas do rap britânico — a título de exemplo, Born Pink dos Blackpink e Noughty By Nature de Digga D chegaram a representar, por si só, cerca de 10% de todas as vendas de cassetes no Reino Unido num único ano. Já em 2026, dados preliminares da RIAA apontam para dezenas de lançamentos importantes em formato cassete apenas na primeira metade do ano. A fita deixou de ser um artigo de nicho para colecionadores nostálgicos e passou a ser uma opção de lançamento oficial, lado a lado com o vinil.
Onde a We Are Rewind se destaca
Existem hoje algumas alternativas no mercado de leitores de cassetes modernos, mas a maioria opta por um de dois caminhos: ou é puramente funcional e sem alma, ou aposta tanto na estética que esquece a qualidade. A We Are Rewind consegue o equilíbrio mais difícil — juntar uma construção sólida e fiável a uma imagem verdadeiramente retro, criando esse cruzamento entre passado e futuro que é, no fundo, o motivo pelo qual este tipo de produto nos apaixona. Não é um brinquedo, nem uma peça de museu; é um objeto pensado para ser usado todos os dias, por quem quer voltar a sentir a música como algo físico.
Unidade de review gentilmente cedida pela We Are Rewind.
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