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Mortal Shell II: análise da sequela soulslike para PS5

Fallgrim continua a ser um lugar hostil, mas desta vez o Harbinger tem mais formas de sobreviver a ele.

Fallgrim continua a ser um lugar hostil, mas desta vez o Harbinger tem mais formas de sobreviver a ele.

Oito anos depois de o Cold Symmetry surpreender o género soulslike com Mortal Shell, o estúdio britânico regressa com Mortal Shell II, uma sequela standalone que chega à PlayStation Store PT esta semana. O jogo, publicado pela Playstack, lança-se oficialmente a 20 de agosto de 2026, com acesso antecipado desde dia 17 para quem adquiriu a Devout Edition. Depois de um beta aberto que gerou bastante conversa nas comunidades soulslike, chega agora a versão completa — e a pergunta é se a expansão de escala consegue manter a identidade sombria e minimalista que tornou o original um culto.

A primeira impressão: Fallgrim mais vivo do que nunca

Regressar a Fallgrim, o pântano esquecido que serve de palco a ambos os jogos, é reencontrar um mundo que se recusa a explicar-se. Mortal Shell II mantém essa filosofia de narrativa ambiental — não há tutoriais longos, não há diálogos expositivos a martelar contexto. O jogador é lançado no papel do Harbinger, uma entidade profetizada com a missão de recuperar o Ova roubado da Undermether, e é deixado a decifrar o resto sozinho, através de memórias fragmentadas e da arquitetura decrépita de templos, florestas proibidas e citadelas talhadas em osso.

A diferença mais imediata em relação ao primeiro jogo está na escala. Onde Mortal Shell original era compacto quase ao ponto de ser um corredor com ramificações, esta sequela oferece um mundo aberto interligado — ainda deliberadamente contido, mas com muito mais espaço para vaguear, descobrir e ser recompensado por isso. A sensação de opressão que definia a série mantém-se, mas agora há uma componente de exploração que se aproxima mais de um Elden Ring em miniatura do que do puzzle-box claustrofóbico de 2020.

Jogabilidade

O sistema de Shells — cascas de guerreiros caídos que o Harbinger pode possuir — continua a ser o coração mecânico da série, e aqui foi expandido de forma inteligente. Eredrim, o Venerável, regressa como o tanque de sempre, absorvendo dano e avançando lentamente; mas as novas adições, como Tiel, focado em furtividade e dual-wield ágil, ou Proxima, que usa um gancho no braço para puxar inimigos ou a si própria para o combate, introduzem variedade real de playstyle que faltava ao original.

A mudança mais radical, no entanto, é a remoção do medidor de stamina que limitava o combate no primeiro jogo. Mortal Shell II aposta em combate mais rápido e “desenfreado”, com maior ênfase em quebrar a postura inimiga através de combinações táticas em vez de gerir recursos. É uma decisão que divide — para quem gostava do ritmo deliberado e quase meditativo do original, a nova cadência pode parecer menos disciplinada. Mas para quem achava o primeiro jogo lento demais, é uma melhoria bem-vinda. O sistema de armas, com opções de upgrade mais profundas, também dá mais motivos para experimentar em vez de se fixar num único build.

Mortal Shell II — combate do Harbinger contra um inimigo numa masmorra
O novo sistema de combate abandona o medidor de stamina em favor de trocas mais rápidas.

História e mundo: o Ova, a Undermether e os falsos deuses

A narrativa de Mortal Shell II continua fiel ao ADN da série: fragmentada, ambígua, contada através de ambiente e não de cutscenes. O Harbinger, um ser não totalmente humano, existe para reclamar o Ova roubado da Undermether — uma entidade sagrada cujo destino está entrelaçado com o de Fallgrim. Ao longo do caminho, o jogador atravessa mais de 60 masmorras espalhadas pelo mundo aberto, cada uma com o seu próprio desafio de combate e fragmentos de lore.

O que distingue esta abordagem narrativa é a confiança que deposita no jogador. Não há indicadores de missão a apontar o próximo objetivo de forma óbvia; a progressão da história está entrelaçada com a exploração física do mundo. Para fãs de soulslikes que valorizam esse tipo de descoberta orgânica, é um dos maiores trunfos do jogo. Para quem prefere orientação mais clara, pode ser um ponto de fricção.

Mortal Shell II — o Harbinger diante de uma estrutura monumental talhada em osso
A narrativa é contada sobretudo através do ambiente, sem recurso a exposição direta.

Gráficos, som e desempenho

Tecnicamente, Mortal Shell II beneficia claramente do salto de recursos entre o estúdio original e a equipa atual, agora com cerca de 30 pessoas. Os cenários — pântanos gelados, ruínas cobertas de musgo, estruturas ósseas monumentais — têm uma direção de arte consistente e sombria, com iluminação que faz um trabalho notável a vender a atmosfera decadente de Fallgrim. Na PS5, o jogo corre com fluidez estável nos momentos de exploração e combate, embora, tratando-se de um título ainda em fase de lançamento, seja provável que patches de otimização continuem a chegar nas primeiras semanas.

A componente sonora acompanha o tom geral, com uma banda sonora ambiente discreta que raramente se impõe, deixando o silêncio e os ruídos do mundo fazerem o trabalho pesado de construir tensão — uma escolha de design consistente com o resto da série.

Mortal Shell II — paisagem gelada de Fallgrim vista de um ponto elevado
A direção de arte aposta em cenários sombrios e detalhados, dos pântanos às citadelas de osso.

Vale a pena comprar Mortal Shell II?

A edição Standard custa 49,99€, com a Devout Edition — que inclui oito skins exclusivas “Obsidian Shell” e acesso antecipado de três dias — a 59,99€. Existe ainda uma edição física “Revered” para PS5. Para quem gostou do primeiro Mortal Shell mas sentiu que era demasiado pequeno ou repetitivo, esta sequela resolve praticamente todas essas queixas sem abdicar do tom sombrio que definia a marca. Para quem chega de novo à série à procura de mais um Souls-like denso, também há aqui bastante para explorar. As análises da imprensa internacional começaram a ser publicadas apenas nos últimos dias, pelo que ainda não existe uma nota consolidada no Metacritic — mas o consenso inicial aponta para uma evolução sólida e bem-vinda da fórmula original.

Conclusão editorial: Mortal Shell II não reinventa o género soulslike, mas resolve de forma inteligente as principais limitações do jogo que lhe deu origem: mais mundo para explorar, mais Shells para experimentar, combate mais dinâmico. O risco, claro, é que ao abandonar parte da rigidez minimalista do original, perca também alguma da identidade que o tornava distinto num mercado saturado de imitadores de Dark Souls. Só as próximas semanas — e o veredicto acumulado da comunidade depois do lançamento oficial de 20 de agosto — dirão se Cold Symmetry encontrou o equilíbrio certo entre ambição e fidelidade às raízes. Para já, é seguramente um dos lançamentos PS5 mais interessantes deste mês de agosto.



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