Tributo a J.G. Ballard em Serralves

Serralves organiza um ciclo de música, performance e cinema, associado à obra do escritor J.D. Ballard.
A abrir, no dia 29 de Outubro, às 22h, Beast Box e HHY apresentam uma performance cénica e sonora concebida a partir da montagem de fragmentos de “O mundo de cristal” de J. G. Ballard e de “O coração das trevas” de Joseph Conrad.

No dia 31 de Outubro, domingo, será exibido o filme “Aparelho voador a Baixa Altitude”, baseado no conto “Low-Flying Aircraft” de J.G. Ballard e realizado por Solveig Nordlung.

No fim-de-semana seguinte, no dia 5 de Novembro, Marc Behrens e Paulo Raposo sobem ao palco do Auditório de Serralves para reinterpretar os “Solos for Wounded CDS” de Yasunao Tone. Os dois são artistas com trabalho extenso no âmbito da música electrónica, electroacústica e da arte sonora.

Finalmente, no dia 6 de Novembro, os nova-iorquinos Outpost 13 apresentam em Serralves a sua interpretação electroacústica e parcialmente improvisada do primeiro capítulo da série de “contos condensados” de J.G. Ballard “The Atrocity Exhibition”, aqui numa leitura realizada por David Silver.

O espectáculo conta também com a participação dos artistas Patrick Quick, Robert Longo, Adrian Altenhaus, JohnChimples (edição) e Jennifer Jaffe que realizaram e editaram imagens vídeo que integram o projecto. Os Outpost 13 propõe-nos igualmente as bandas sonoras espontâneas que criaram para “Ice Planet” e “Serial Angels”, inspiradas por Ballard, e, a completar o alinhamento, algumas canções que estes músicos têm vindo a apresentar nos concertos recentes

J.D. Ballard, falecido em 2009, foi um aclamado romancista inglês e também um membro proeminente do movimento New Wave na ficção científica, embora na última fase da sua carreira, por muitos considerada a mais interessante, se tenha debruçado sobre os problemas da classe média. Violência, sexo, drogas, conflitos, crítica social e consciência política, são de certa forma os vectores da obra de Ballard.
“Ballardian” (ballardiano) é hoje um epíteto reconhecido pelo Oxford Dictionary, que remete para as qualidades e léxico do mundo que Ballard foi consistentemente construindo ao longo da sua obra literária e reflexões públicas.

Na música é reconhecida a importância da inspiração em Ballard para muitas bandas que surgiram durante o ‘pós-punk’ e ‘new rave’. No punk filtrado pela frieza dos sintetizadores e electrónica dos Cabaret Voltaire e This Heat ou no electro minimal de “Warm Leatherette” dos The Normal, ecoa a obra de Ballard, assim como nas atmosferas densas e massas tectónicas de graves que hoje encontramos no dubstep e que reclamam este autor enquanto influência maior. A mesma pode ser observada nos títulos e letras de canções dos Joy Division, de Gary Numan, dos Ultravox/John Foxx ou mesmo na música pop mais recente (p.e. os Empire of The Sun), onde encontramos referências mais ou menos directas à escrita de Ballard.

Também no cinema os exemplos se multiplicam. Os mais conhecidos serão a adaptação de Steven Spielberg em 1987 de “Empire of the Sun” (1984) – o premiado livro de Ballard baseado em experiências da sua infância vivida em Xangai, cidade para a qual o seu pai foi destacado antes do seu nascimento, na qualidade de director de uma gráfica, e de onde seriam forçados a mudarem-se para um campo de refugiados após o ataque a Peral Harbour – e Crash!, romance de Ballard de 1973 onde os carros simbolizam as complexas e mesmo doentias relações entre o homem e a tecnologia por si produzida, adaptado para cinema em 1996 pelo realizador David Cronenberg.



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