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Star Fox: análise ao regresso da lenda na Nintendo Switch 2

Quase dez anos depois, Fox McCloud volta a levantar voo — e nunca esteve tão bonito, mesmo que o destino seja o de sempre.

Lançado a 25 de junho de 2026 em exclusivo para a Nintendo Switch 2, Star Fox marca o regresso de Fox McCloud quase uma década depois de Star Fox Zero. Desenvolvido pela Velan Studios e publicado pela Nintendo, este remake de Star Fox 64 chega com renovação visual completa, diálogos dobrados e novos modos multijogador, por 49,99€ na eShop (59,99€ em formato físico). Nesta análise ao Star Fox para a Switch 2, avaliamos se a quinta versão da mesma história ainda tem combustível para voar. Duas semanas depois do lançamento, o jogo lidera as tabelas da eShop — e há boas razões para isso.

A primeira impressão: Corneria nunca brilhou assim

Os primeiros minutos de Star Fox são um exercício de nostalgia calculada. O briefing inicial, agora apresentado em cinemáticas totalmente dobradas e inéditas entre missões, dá contexto à ameaça de Andross antes de nos atirar para o cockpit do Arwing. Quando Corneria se abre à nossa frente — cidade costeira, água a refletir o céu, inimigos a rasgar o horizonte — percebe-se imediatamente porque é que a Video Games Chronicle lhe chamou um dos jogos mais bonitos que a Nintendo alguma vez produziu.

O onboarding é exemplar. Quem nunca tocou num Star Fox aprende as manobras essenciais — somersault, travagem, boost e o clássico barrel roll — de forma orgânica, guiado pelas vozes da equipa. Quem vem de 1997 sente-se em casa ao fim de trinta segundos. É um equilíbrio difícil de conseguir e que a Velan Studios resolve sem tutoriais intrusivos.

Star Fox — combate espacial no sistema Lylat
O Arwing em plena ação: o combate aéreo continua a ser o coração de Star Fox.

Jogabilidade: o que funciona (e o que não)

Na sua essência, Star Fox continua a ser um rail shooter na terceira pessoa: o Arwing avança automaticamente e cabe-nos gerir lasers, bombas e manobras defensivas, enquanto recolhemos anéis dourados e prateados para restaurar escudo e boost. Os níveis mantêm a estrutura ramificada de Star Fox 64, com objetivos opcionais que alteram o desfecho da campanha e três níveis de dificuldade que dão substância à rejogabilidade. É um loop de arcada puro, desenhado para pontuações e medalhas, e funciona tão bem em 2026 como funcionava há três décadas.

As novidades da Switch 2 são mais do que cosméticas. O Joy-Con 2 em modo rato permite apontar e disparar com precisão cirúrgica, tanto na campanha a solo como no novo cooperativo, em que um jogador pilota e o outro assume o papel de artilheiro — uma das melhores adições ao pacote. O multijogador competitivo divide os jogadores entre as equipas Star Fox e Star Wolf, com três arenas (Corneria, Sector Y e Fichina) e regras distintas. Há ainda suporte para o comando sem fios da Nintendo 64, um toque de fã-service mecânico.

O que não funciona tão bem? A estrutura. Por muito polida que esteja, esta é a quinta vez que a Nintendo conta exatamente esta história, e o jogo não esconde a idade do seu esqueleto. Quem esperava níveis inéditos ou uma expansão substancial da fórmula vai encontrar sobretudo o mesmo jogo, embelezado.

Star Fox — a equipa de Fox McCloud em voo
Fox, Falco, Peppy e Slippy voltam a voar em formação, agora com diálogos totalmente dobrados.

História e mundo: a quinta vida do sistema Lylat

A narrativa é a que conhecemos: Fox McCloud, filho do falecido James McCloud, lidera a nova equipa Star Fox numa missão para travar o cientista louco Andross, que ameaça destruir o sistema Lylat. O que muda é a apresentação. Os diálogos totalmente dobrados e as novas cinemáticas entre fases dão peso dramático a momentos que antes viviam de linhas de texto comprimidas, e os briefings inéditos aprofundam a relação entre Fox, Falco, Peppy e Slippy.

Os novos designs das personagens dividiram os fãs na revelação de maio — houve quem os achasse demasiado realistas — mas Takaya Imamura, o designer original da equipa, veio dizer que este visual era “exatamente” o que tinha em mente nos anos 90. Em movimento, a verdade é que funcionam: o tom mais cinematográfico assenta bem ao universo. Do litoral de Corneria aos oceanos poluídos de Zoness, cada planeta do percurso ganhou identidade própria e razões para ser revisitado.

Star Fox — batalha contra as forças de Andross
As forças de Andross regressam com um nível de detalhe impensável na Nintendo 64.

Gráficos, som e desempenho

É aqui que Star Fox justifica a existência. A renovação visual é total: iluminação, densidade de cenário e efeitos de partículas colocam este remake no topo da produção da Nintendo para a Switch 2. No modo TV, o jogo é fluido e estável mesmo nos momentos mais caóticos, com dezenas de inimigos e explosões em ecrã. Em modo portátil, a experiência mantém-se sólida e legível, o que numa experiência de reflexos como esta é essencial — os 14,8 GB de instalação são dos investimentos de espaço mais bem pagos do catálogo.

A banda sonora orquestral recupera os temas clássicos com uma produção épica que finalmente lhes faz justiça, e a dobragem integral dá nova vida às falas icónicas da equipa. A integração com o GameChat da Switch 2 é um bónus divertido: é possível usar filtros de câmara de qualquer membro da equipa Star Fox durante as sessões online. O GameShare permite ainda jogar com utilizadores da primeira Switch, uma decisão inteligente que alarga a base de jogadores online (1 a 8 jogadores) e local (1 a 2).

Star Fox — visual renovado na Nintendo Switch 2
A renovação visual completa faz de Star Fox um dos jogos mais bonitos da Switch 2.

Vale a pena comprar Star Fox?

Depende do que se procura. A crítica internacional respondeu de forma claramente positiva — média de 81 no Metacritic em mais de uma centena de análises, 83 entre os principais críticos do OpenCritic e 90% de recomendação — elogiando a jogabilidade, os gráficos e a fidelidade ao original, com a ressalva recorrente da falta de inovação. É um retrato justo: este é o melhor Star Fox 64 alguma vez feito, não um Star Fox novo.

Aos 49,99 euros; na eShop, abaixo do preço habitual dos exclusivos da Switch 2, a proposta torna-se bastante mais fácil de defender. Para recém-chegados à série, é o ponto de entrada definitivo. Para veteranos, a questão é se a nostalgia, o cooperativo piloto-artilheiro e o modo competitivo chegam para justificar a quinta viagem pelo mesmo sistema Lylat. Para a maioria, a resposta será sim — mas de olhos abertos.

Conclusão editorial

Star Fox na Switch 2 é a prova de que a Nintendo sabe embalar memória como ninguém — e também de que continua sem saber o que fazer à série. Como remake, é irrepreensível: bonito, fluido, respeitoso e inteligente no uso das capacidades da nova consola. Como reboot, deixa a pergunta no ar: e agora? Se estas vendas e esta liderança na eShop servirem de argumento interno para uma sequela verdadeiramente nova, esta análise ao Star Fox da Switch 2 terá sido escrita sobre o primeiro capítulo de algo maior. Fox merece voar para lá de 1997 — e nunca esteve tão bem preparado para isso.



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