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A.A. Williams @ Casa Capitão (13.02.2026)

Múltiplas dimensões

Os Spotlights apresenta-se à hora certa com o seu metal denso e atmosférico, em formato de santíssima trindade, guitarra, baixo e bateria, directamente de Pittsburgh. A guitarra funciona como um farol, em torno de que tudo o resto gira, musical e emocionalmente. Não menos interessantes são os momentos que combinam duas vozes, pela forma como conferem outra densidade a estas canções. Um metal etéreo salpicado de shoegaze. Aqui e ali há elementos sonoros introduzidos. São pequenas camadas extra que conferem uma aura experimental que invoca o post-rock.

Agradecimentos pela agradável recepção na primeira vez em Portugal, e em Lisboa, e a promessa de que A.A. Williams estará naquele palco em breve para destruir corações.

São 22h15 e eis que A.A. Williams surge, a contra-luz e de guitarra em punho ao som de «Golden», canção de “As The Moon Rests”, que dá um mote para o que aí vem… o constante arrepio de prazer na espinha. É viciante.

«Just a Shadow», o primeiro avanço do álbum que chegará durante 2026 e que começa exatamente como nos sentimos com um desejo imenso… “When the night comes i crave your kiss”

Williams pronúncia cada palavra com uma clareza que deveria servir de referência a muitos. E nunca será demais frisar que é um portento na guitarra.

“How long, how long / Have I wanted to reach in and pull that splinter out?”, são os versos iniciais de «Splinter», cancção que integra o EP registado ao vivo para a Audiotree.

A figura de Alex Williams é incontornável, mas é impossível não referir Matthew Daly, que se ocupa da guitarra e dos teclados – que tanto acrescentam a estas canções – e Wayne Proctor, sempre pronto para elevar a canção a novas alturas por de trás das bateria.

À quarta canção visitamos “Forever Blue”, o álbum de estreia, de 2020, com o corpo de Williams a ondular, perfeitamente sincronizado, enquanto nos envolve com as suas palavras “Still, always, it isn’t the same / I’ll steal away the light that you gave / Find a way to hate me again / Till I can give you love and pain”.

«Wolves» o mais recente single, tem direito a uma troca de guitarra, que confere à canção múltiplas dimensões, reforçada pela intensidade da mensagem.

Com os longos cabelos negros a cair sobre a face, Wiliams revisita “Forever Blue”, desta vez com «Glimmer». É como se tivéssemos uma seringa prestes a entrar pela nossa pele, mas que no derradeiro momento não penetra pele, deixando-nos respirar mais um pouco, sempre com os teclados a conduzir-nos por um crescendo, que depois desagua num momento que tem tanto de melódico, como melancólico, a receita que tornam todas estas canções tão viciantes.

E o silêncio que se faz sentir, apenas interrompido pelo aplausos entre canções?

«Pristine» surge orgânica, com aqueles acordes certeiros, que nos guiam por um labirinto de emoções, até ao momento que nos confrontamos com a monumental muralha sonora, que em momento algum perde o seu norte.

A canção homónima de “As The Moon Rest” começa com uma guitarra solitária e clareza cristalina da voz de A.A., “Quiet, I can feel your / Heartbeat / I can feel your soft words / Enveloping all of me”, para depois se elevar, com a guitarra aqui a pisar terrenos próximos do post-rock. A canção conclui volvidos sete minutos e alguns segundo e nós sentimo-nos ofegantes… Já «For Nothing» apresenta-se com acordes desérticos, épica. Na voz. Nos instrumentos. Na entrega. “To love is all for nothing”

O concerto encerra com duas canções cujo título reflectem mudanças no estado da matéria. Primeiro «Melt», por ventura, canção maior de “Forever Blue”, seguida de «Evaporate», densa, intensa e onde todas as palavras são certeiras. Sem encore, que não fez falta nenhuma.

Fotos cedidas pela Amplificasom e embora sendo do concerto do Porto, personificam o mesmo espírito.



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