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Hamilton Leithauser @ LAV – Sala 2 (30.10.2025)

Depois da anunciada pausa da sua “outra banda”, os Walkmen, em 2013, Hamilton Leithauser, apresentou-se em Portugal logo no ano seguinte, no Festival Paredes de Coura, com o seu álbum de estreia, “Black Hours”.  Seguiu-se mais uma apresentação a norte, em 2017, desta vez no Festival Primavera Sound, no Porto, já com o álbum que partilhou com Rostam Batmanglij (multi-instrumentista e ex-Vampire Weekend), “I Had a Dream That You Were Mine”. 

No passado dia 30 de outubro, estreou-se em nome próprio, na sala 2 do LAV, trazendo consigo as canções do seu mais recente “This Side Of The Island” e tinha à sua espera uma boa audiência, que sabia bem ao que vinha. 

Hamilton Leithauser faz-se acompanhar pela sua banda de músicos, todos eles texanos, uma coincidência que assinalou por diversas vezes.

Depois de começar com «Fist of Flowers», primeiro single do seu novo disco, conta-nos a história de «Ocean Roar», canção que escreveu em três partes, sobre o seu amigo Richard Swift, músico que morreu em 2018, e com quem Hamilton partilhou muitos anos e histórias de música e amizade, mas com quem já não celebrou o seu 40º aniversário, contemplação que descreve na última parte da canção.  

Como seria de esperar, a noite decorreu em torno de “This Side Of The Island”, um bom disco, cujas canções beneficiam muito da energia que a prestação de Hamilton lhes confere durante a atuação ao vivo.

Muito comunicativo, toda a atuação foi pontuada por pequenas histórias ou comentários entre as canções, que se foram sucedendo a bom ritmo e com o público a corresponder. Canções sobre como fugir às responsabilidades, a contingência de ter de partilhar uma casa com alguém com quem já se terminou uma relação, e se arrasta a convivência para lá do que seria desejável. Sobre a prolífica e algo fracassada vida amorosa de amigos, que Hamilton garante, nunca virão a descobrir que as canções são sobre eles. Uma destas canções The Bride’s Dad», foi escrita depois de Hamilton e o seu primo Walt (Walter Martin companheiro de banda nos Walkmen), terem estado num casamento de alguém que não lhes era particularmente próximo, e terem assistido ao episódio que é descrito na canção, um pai que não estava convidado para o casamento, aparece, muito embriagado e faz um discurso acabando por ser expulso do espaço. A canção é escrita do ponto de vista do pai. 

As canções sucedem-se e Hamilton está no seu elemento, é evidente que o palco lhe assenta bem e que há uma familiaridade e uma facilidade nos gestos, na expressão e que se sente na forma como percorre as canções.

Inevitavelmente, Hamilton Leithauser será sempre a voz dos The Walkmen, apesar da sua relutância em nomeá-los, talvez porque saiba que nem é preciso, talvez porque queira manter uma certa distância desse passado. Mas a voz no limite quase a gritar as nossas dores, frustrações, histórias de amor, ao mesmo tempo que é capaz de embalar a nossa melancolia continua a mesma, as canções do seu primeiro disco, poderiam ter saído do sucessor de Heaven, o que pode indicar a necessidade da pausa que a banda decidiu fazer, no entanto, à medida que avança na sua carreira a solo, percebe-se que essa distância vai aumentando, traçando o seu próprio caminho. 

Não podemos deixar de destacar a primeira parte, muito bem assegurada pela portuguesa Jo Alice, com boas canções, uma voz algures entre a Sharon Van Etten e a Angel Olson, com menos quilómetros musicais, mas, pelo que foi possível perceber, com talento para os percorrer.



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