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The Hives @ Campo Pequeno (04.11.2025)

“Esta m*rda é que é boa”

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Texto por Hugo Pinheiro e fotografias por Graziela Costa.

Bem-vindos ao maior espectáculo do mundo, com o maior entertainer de sempre à frente dos gigantescos The Hives, a maior banda de rock a dignar o mundo com a sua mera presença, no último concerto da sua tournée, prontos para darem tudo o que têm e o que não têm e deixarem a pele em palco.

Podia ser uma excelente linha introdutória de um mestre de cerimónias externo, mas as palavras são mesmo de Pelle Almqvist na sua primeira intervenção da noite, que preparava assim a plateia para o que aí vinha. E nada os parou; nem mesmo uma guitarra elétrica pronta a entregar a sua alma ao criador. OK, os White Stripes quase os pararam, mas já lá vamos.

Eram 22h15 quando reparámos num ninja na frente do palco, a tentar passar despercebido mas a falhar redondamente na missão. Passados uns segundos, entram em palco Nicholaus Arson, Vigilante Carlstroem, Dr. Matt Destruction, Chris Dangerous e, claro, Howlin’ Pelle Almqvist para apresentar “The Hives Forever Forever the Hives”, passando por (quase) todos os hits que fazem já parte da nossa memória colectiva.

Começam com força e disparam com tanta intensidade e rapidez que era concerto para se “despachar” em menos de uma hora se não tivessem abrandado o ritmo, ou se fosse alguém que  não Pelle a liderar as hostilidades. «Enough is Enough» dá o pontapé de saída para logo de seguida surgir o conhecido «Walk Idiot Walk» e a plateia entoar o refrão com toda a sua força.

«Rigor Mortis Radio» é tocada rapidamente até que as luzes do Campo Pequeno se apagam, a banda congela no tempo e dispara logo de seguida «Paint a Picture», com Pelle aos saltos em palco.

Novo hit, que não há tempo a perder. «Main Offender» é o prato que se serve, não sem a guitarra de Nicholaus Arson resistir ao ritmo que lhe impunham e dar-lhe dores de cabeça. Pelle faz aquilo que mais gosta; dirige-se à plateia para a entreter e assegurar que nem mesmo um problema técnico os para. Ele tenta que o pessoal não esmoreça, mas a guitarra não quer participar. Ultrapassados estes percalços, «Born a Rebel», «Stick Up», «Bogus Operandi» e especialmente «Hate to say I told you so» exaltam os presentes, que se iludem por momentos a pensar que este é um verdadeiro concerto punk e fazem umas tímidas tentativas de mosh pits. Lá na frente voavam copos de cerveja. Foi bonito de se ver.

O ritmo continua até uma pequena pausa antes de «Countdown to Shutdown» e o momento mais estranho da noite. Ao ritmo de The White Stripes, entoava-se “esta merda é que é boa” e Pelle chateou-se. Reconheceu a música mas não a letra, perguntou o seu significado por várias vezes e, a cada falha de comunicação, gritava “Shut Up!”, “Again!”, numa vã esperança de que todo um Campo Pequeno se calasse e ele entendesse, no topo do palco, o que lhe tentavam dizer. O público estava indeciso entre achar piada ao momento e ficar desconfortável. Quase perdeu alguns, até que aliviou a tensão com uma qualquer tirada e um riso forçado.

Em frente, que não há tempo a perder. Há duas boas canções para tirar da cartola. «Come On» torna-se desculpa para chamar as primeiras duas bandas da noite, Snõõper e Yard Act para que todos entoassem o refrão e celebrassem em conjunto no palco. Tinha resultado melhor com o microfone aberto, mas ninguém se aborreceu com isso.

«Tick Tick Boom» é recebida em festa e abre novo (tímido) mosh pit antes do intervalo para o encore. Antes do rápido regresso Pelle apresenta os restantes membros da banda e Camila, uma fã com um cartaz que pedia para o coroar em palco, agradeceu aos deuses do Rock por acederem ao seu desejo.

O final do concerto acontece com «Legalize Living», «Bigger Hole to Fill» e «The Hives Forever», trio escolhido para terminar uma noite de festa e celebração perante uma plateia de coração cheio. Não são a melhor ou maior banda do mundo, mas são uma das mais divertidas.

Antes dos The Hives houve ainda Snõõper e Yard Act. Estes últimos voltaram a Lisboa depois da passagem pelo MEO Kalorama, num palco que pareceu-nos deixá-los mais à vontade e onde deram um excelente concerto. Com a mesma energia, e poses mais pensadas, começaram com «Tall Tales» e desde cedo convenceram quem ali estava. Entre canções conhecidas dos primeiros dois álbuns e o levantar do véu daquele que será, diz-nos James Smith, “o melhor terceiro álbum de sempre”, encheram o palco e fizeram-nos dançar. Há músicas orelhudas no registo que aí vem, isso é certo. Ficou a promessa de regressarem, e Lisboa agradece.



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