As Sete Carruagens, de André Fernandes
“Mesmo quando o destino está traçado, a viagem é tua.”
As Sete Carruagens, de André Fernandes (Manuscrito, 2024), é um romance introspetivo, com um tema relevante, a depressão.
André Fernandes, é licenciado pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa, na área das Ciências da Comunicação, mentor e palestrante em escolas e empresas, e a título pessoal, onde faz sessões individuais de mentoria. Ser apaixonado pelas palavras e o seu poder transformador, já é autor de vários livros, desde autobiografias a livros de desenvolvimento pessoal, sendo As Sete Carruagens, o seu romance de estreia.
Entre as suas obras, já publicadas, podemos encontrar:
- Tia Guida
- Só Não Lhe Chames Amor
- Do Luto ao Amor

Este livro tem um enredo de tom intenso e profundo, portador de muitos significados e ensinamentos, não só para René, o protagonista, mas também para o leitor, e para todos os que sofram ou conheçam quem sofre de um dos piores males que aflige o ser humano, a depressão. Aquele monstro que tudo devora, e nada devolve, que só traz angústia, frustrações e sombras.
Há várias menções a números, nomeadamente, o número 3, quando refere 3 vezes e 3 beeps, e o número 7, ao mencionar as 7 carruagens, as 7 molduras, e os 7 minutos. Outras referências fazem alusão ao sono/sonho, e Alice no País das Maravilhas, além da música de Neil Diamond.
Quando se olhou ao espelho, confirmou aquilo que sabia: quem visse a fachada não adivinharia o estado da estrutura. A menos que o olhassem nos olhos. Mas quem é que, nos dias de hoje, se demora nos olhos de alguém?
René, é um homem que sobrevive dia a dia, resignado à vida de sempre, atormentado por traumas da sua infância e uma relação falhada.
Preso aos sentimentos negativos provenientes dessas memórias e luto da vida que gostaria de ter vivido, vê-se a repetir o mesmo momento no metro, rumo ao trabalho.
Com constantes momentos de déjà-vu, até finalmente aceitar a loucura do que lhe está a ocorrer, René vai entrar em sete carruagens e ser alvo de sete ensinamentos, para chegar ao final da sua viagem, à felicidade.
Entre culpa, revolta e ceticismo, René vai aprender a aceitar a dor do passado, a entender a sua criança interior, a ser autêntico, a ser ele mesmo, livre das correntes que o prendem a uma vida triste e desanimadora.
Não há arte sem dor, René. Viver é a maior das artes.
As Sete Carruagens, de André Fernandes, é um romance com vibe de livro de autoajuda/desenvolvimento pessoal, num ambiente ficcional, mas, ao mesmo tempo, demasiado real, que transmite ao leitor uma mensagem com uma elevada carga poética e trágica. Uma visão do efeito da depressão no ser humano, e da importância de pedir ajuda e não perder a fé em si. Uma viagem de autodescoberta/aceitação rumo ao verdadeiro amor e felicidade.
There are no comments
Add yoursTem de iniciar a sessão para publicar um comentário.

Artigos Relacionados