Sol, sal e maré alta: o melhor do Algarve para este fim de semana
Das falésias douradas de Lagoa às mesas da Ria Formosa: duas praias, duas experiências e duas mesas para viver o verão algarvio.
Há uma luz que só existe no Algarve em junho: o calcário das falésias ganha tons de mel, o Atlântico aquieta-se em azuis impossíveis e o ar cheira a sal, a maresia e a sardinha na brasa. É nesta altura que a região está no seu melhor — antes da enchente de agosto, com a água já convidativa e as esplanadas a despertar para a época. Esta semana fomos do Barlavento ao Sotavento à procura do essencial: duas praias que resumem a costa, duas experiências para viver o mar por dentro e duas mesas onde o verão se come à colherada. Um guia para um fim de semana Algarve em estado puro.
Praias & Natureza
Começamos pelo clássico absoluto. A Praia da Marinha, na Caramujeira, concelho de Lagoa, é provavelmente a imagem mais reproduzida do litoral algarvio — e ao vivo é ainda melhor. As arribas douradas mergulham numa água transparente, os famosos arcos de pedra desenham um “M” sobre o mar e, na maré baixa, formam-se piscinas naturais perfeitas para snorkeling. O acesso faz-se pela N125 e depois pela M1154, com estacionamento gratuito no topo da falésia e descida por escadas. Em pleno verão, o parque enche a uma velocidade estonteante e a GNR chega a fechar a estrada de acesso: a regra de ouro é chegar antes das 10h da manhã — de preferência ao nascer do dia, quando a luz rasante incendeia as arribas e a praia ainda é quase só sua.
A poucos quilómetros, perto do Carvoeiro, esconde-se um segredo bem guardado: a Praia do Carvalho. Não se vê da estrada, não tem apoio de praia e é precisamente por isso que vale a pena. Desce-se por degraus talhados na rocha e atravessa-se um túnel escavado na falésia — uma entrada de filme de aventura que desemboca num areal recolhido, abraçado por paredes de calcário. A água é límpida, o ambiente é de enseada privada e as multidões ficam, quase sempre, do outro lado do túnel. Leve chinelos com boa aderência (os degraus com areia escorregam), água e chapéu: aqui o luxo é a simplicidade. O fim da manhã é a melhor hora, quando o sol entra a direito na baía.

Experiências de verão
Ver a costa de Lagoa a partir do mar é outra coisa — e fazê-lo a remar é melhor ainda. Os passeios de kayak às grutas de Benagil partem da Praia do Carvoeiro e de Benagil com operadores como a Carvoeiro Caves, que faz também o clássico passeio de barco às grutas. Conte com cerca de 30 euros por um kayak duplo (45 minutos) ou 20 a 30 euros pelos passeios de barco, entre meia hora e 1h15 de navegação por arcos, algares e cavernas — com o célebre olho aberto da gruta de Benagil como momento alto. Em junho, o mar costuma estar manso e a luz dentro da gruta, a meio da manhã, é pura magia. Reserve online com antecedência: nesta época, os lugares voam.
No Sotavento, a experiência é outra — mais lenta, mais silenciosa, igualmente inesquecível. A Natura Algarve, a operar a partir de Olhão e Faro, leva-o em passeios de barco ecológicos pelo Parque Natural da Ria Formosa, entre bancos de areia, sapais e ilhas-barreira. O passeio de birdwatching dura cerca de 2h30 e custa 35 euros por adulto (17 euros dos 6 aos 10 anos), com flamingos, garças e águias-pesqueiras como protagonistas. O início do verão é época de criação: a ria fervilha de vida e as marés baixas da manhã são o melhor momento para observar aves limícolas a alimentar-se. Reserva obrigatória no site.


À mesa no Algarve
Poucas refeições em Portugal têm uma moldura como esta. O Estaminé é o único restaurante da Ilha Deserta, ao largo de Faro, acessível apenas de barco — a travessia, organizada pela Animaris, já é meio caminho para a felicidade. Movido a energia solar e rodeado de areia branca a perder de vista, serve o melhor da Ria Formosa: ameijoas à Bulhão Pato, camarão da costa, salada algarvia, sardinha, robalo e sargo grelhados no ponto. Conte com cerca de 35 euros por pessoa (€€) e reserve com antecedência, sobretudo ao fim de semana — no verão, a ilha é pequena para tanta vontade.
Do outro lado da ria, em Santa Luzia, junto a Tavira, fica a capital do polvo — e é lá que mora a A Casa (Av. Eng.º Duarte Pacheco, 78), uma das mesas mais acarinhadas da vila. O polvo chega em todas as versões imagináveis, mas o verão pede a estupeta de atum, prato-bandeira do Sotavento que celebra a temporada do atum no litoral entre Tavira e Vila Real de Santo António: atum desfiado, tomate, cebola e pimento, tudo frio, tudo fresco, perfeito com vinho branco gelado. Preço amigável (€–€€), ambiente de tasca moderna e uma regra simples: em julho e agosto, sem reserva não há milagres — em junho, ainda vai a tempo.


Aí está: o que fazer no Algarve no verão de 2026 cabe num fim de semana — falésias ao amanhecer, um túnel que dá para o paraíso, remadas dentro de uma catedral de pedra, flamingos na ria e duas mesas onde o mar manda no menu. As férias Algarve 2026 começam assim, sem pressa e com sal na pele. Para a semana há mais: na próxima sexta-feira voltamos com novas praias, experiências e marisqueiras Algarve adentro. Até lá, bom mergulho.
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