Alkantara Festival 2026 revela os primeiros nomes da programação
O festival internacional de artes performativas de Lisboa regressa em novembro com uma edição marcada por temas de legado, reinvenção e despedida.
Entre 13 e 29 de novembro de 2026, o Alkantara Festival ocupa Lisboa com uma programação que atravessa dança, teatro e performance internacional. A edição deste ano é revelada em etapas, com os primeiros quatro nomes confirmados: Carolina Bianchi, Idio Chichava, Cão Solteiro e Alessandro Sciarroni. Os espetáculos acontecem em espaços como a Culturgest, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Teatro Nacional D. Maria II e o Centro Cultural de Belém. A programação completa será anunciada nos próximos meses.
Uma edição marcada pelo fim e pelo recomeço
A co-diretora artística Carla Nobre Sousa resume a linha condutora da edição: “A edição de 2026 do Alkantara Festival é marcada por ideias de fim, de ciclo, de recomeço e por aquilo que persiste. É impossível seguir em frente sem nos perguntarmos o que queremos preservar e o que gostaríamos ainda de guardar.” O co-diretor David Cabecinha acrescenta: “Neste festival, deixamo-nos deslumbrar pela beleza das danças que nos movem. Acompanhamos a força dos coletivos, os que não param e os que recusam continuar como antes. Seguimos aquilo que nos fascina e olhamos, com frontalidade, para a perversão, a brutalidade e o terror.”
A programação de 2026 reúne artistas para quem a memória é uma força ativa e não um simples arquivo. A criação contemporânea surge aqui como lugar de imaginação e transformação: entre heranças culturais, experiências coletivas e enigmas por resolver, os espetáculos propõem diferentes maneiras de pensar aquilo que permanece e o que está por inventar.
O festival conta com o apoio da República Portuguesa — Ministério da Cultura, da Juventude e do Desporto, da DGArtes e da Câmara Municipal de Lisboa, e é co-produzido por instituições como o Centro Cultural de Belém, a Culturgest, o CAM — Fundação Calouste Gulbenkian, o Teatro do Bairro Alto, o MAAT, o MNAC e o Teatro Nacional D. Maria II.
passages Transfestival edition 2023 “Save the last dance for me” de Alessandro Sciarroni [Italia] à l’Arsenal de Metz avec Gianmaria Borzillo et Giovanfrancesco Giannini
photo credit: Raoul Gilibert – Passages Transfestival-Metz 2023
Carolina Bianchi regressa com “The Brotherhood”
Carolina Bianchi & Cara de Cavalo (BR) apresentam Trilogia Cadela Força — Capítulo II: The Brotherhood (2025), em estreia nacional nos dias 26, 27 e 28 de novembro, às 19h, na Culturgest — Auditório Rui Emílio Vilar. O segundo capítulo da trilogia aprofunda a investigação da criadora sobre masculinidade, violência e cumplicidade. Depois do impacto de A Noiva e a Boa Noite Cinderela, a artista brasileira radicada em Bruxelas regressa ao Alkantara com uma obra que usa o teatro para refletir sobre representação e trauma real, investigando as origens da misoginia e de uma sexualidade em crise.
Distinguida com o Leão de Prata da Bienal de Veneza 2025, Carolina Bianchi afirma-se hoje como uma das artistas mais influentes da cena internacional. A apresentação em Lisboa, com a Culturgest, acontece em co-apresentação com o Teatro Municipal do Porto.
Idio Chichava traz Maputo à Gulbenkian
O coreógrafo moçambicano Idio Chichava apresenta Dzudza (2025), em estreia nacional no dia 17 de novembro, às 21h, na Fundação Calouste Gulbenkian — Grande Auditório. Inspirada pelo Mercado Xiquelene, em Maputo, a peça de dança para doze intérpretes parte dos sons, ritmos e movimentos da vida urbana. Chichava constrói imagens em constante transformação, atravessadas por tensão, deslocação e celebração — vozes cantadas, passos rítmicos e uma fisicalidade intensa que transforma o quotidiano numa poderosa experiência coletiva.
Com obras apresentadas em mais de 30 países, Idio Chichava chega a Lisboa depois de ter sido distinguido, em 2024, com a primeira edição do Salavisa European Dance Award (SEDA), atribuído ex aequo a Dorothée Munyaneza. Criado pela Fundação Gulbenkian em homenagem a Jorge Salavisa, figura maior da dança portuguesa, o prémio reconhece artistas cujo percurso e singularidade merecem reconhecimento internacional.
Cão Solteiro despede-se no D. Maria II
Vinte e nove anos depois da sua fundação, a companhia de teatro Cão Solteiro apresenta o seu espetáculo de despedida: Menos (2026), criado com André Godinho, em estreia absoluta nos dias 13, 14 e 15 de novembro, no Teatro Nacional D. Maria II — Sala Garrett. A peça reúne teatro, cinema em tempo real, reencontro e festa numa criação que marca o fim de uma das trajetórias mais singulares do teatro português contemporâneo. Todos os que foram Cão estão convocados para esta despedida.
O espetáculo assinala também a reabertura da Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II após as obras de requalificação do edifício — uma dupla efeméride que torna a ocasião ainda mais simbólica para o teatro português.
Alessandro Sciarroni e a sobrevivência de uma tradição
O italiano Alessandro Sciarroni apresenta Save the Last Dance for Me (2019), em estreia nacional no dia 14 de novembro, no Centro Cultural de Belém. Partindo da polka chinata — uma dança tradicional de Bolonha que chegou ao século XXI com um reduzido número de praticantes — Sciarroni propõe uma coreografia delicada e emotiva sobre transmissão, intimidade e sobrevivência cultural. Leão de Ouro da Bienal de Dança de Veneza em 2019, o artista italiano transforma uma tradição ameaçada de desaparecimento numa experiência profundamente contemporânea.
A presença de Sciarroni fecha com coerência o ciclo temático desta primeira vaga de anúncios: um programa que, de norte a sul, interroga o que vale a pena preservar — e como fazê-lo sem trair aquilo que o torna único. A programação completa do Alkantara Festival 2026 pode ser consultada em alkantara.pt.
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