EXD’11: Ciclo de Cinema Resíduos – Marguerite Duras amanhã na Cinemateca

A EXD’ 11 apresenta dois programas de cinema distintos entre si: Resíduos um programa documental elaborado à volta deste conceito e Colisões uma selecção dos filmes experimentais de animação de Robert Breer, que começa dia 10 de Novembro, quinta-feira. Programados por Ricardo Matos Cabo, os ciclos de cinema, resultam de uma co-produção da EXD’11 e Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.

Ciclo Resíduos

Apresenta filmes sobre o que fica e permanece das coisas, sobre a transmissão das técnicas do seu fabrico, mas também acerca do seu abandono, dos materiais que ficam para trás, a sua importância e reflexo no presente.

Amanhã, serão apresentados 4 filmes reunidos sob a ideia da relação com o passado, com a força primordial das coisas inexplicáveis e que resistem à erosão, entre a noite e o dia. LANDSCAPE FOR FIRE foi o primeiro filme de Anthony McCall e é o registo de uma das suas acções no exterior, filmando a precipitação de pequenos fogos nocturnos dentro de uma superfície geométrica, com uma atenção particular dada ao som.

O filme de Duras é um travelling pelas ruas de Paris ao raiar do dia e é uma declaração de amor por todos aqueles que foram esquecidos e deixados para trás – dirige-se aos trabalhadores imigrantes, aos que não têm abrigo, à população clandestina de uma cidade que ainda dorme, com os seus monumentos e edifícios históricos.

O filme de Raymonde Carasco e Régis Hebraud, é parte do fresco Taharumaras e filma a preparação das encenações da Paixão na aldeia de Norogachic no México, alternando as sequências nocturnas, a preto e branco, com as sequências a cores das pinturas corporais e das danças diurnas, acompanhadas pela leitura de um texto de Antonin Artaud.

“Na Primavera de 1958, na região petrolífera do Khuzistão, no coração da indústria petrolífera iraniana e da civilização persa, um poço de gás explode durante uma perfuração. A fonte é inesgotável, o fogo potente, indestrutível e gigantesco. É um dragão. Em todo o caso é assim que aparece em ‘UM FOGO’. Este documentário, filmado com uma Bolex de 16mm, na urgência do acontecimento, é de facto bem mais do que a narrativa da catástrofe. A força do filme deve-se aos seus encontros bastante contrastados e no entanto tão próximos, entre o real e o imaginário, o dia e a noite, infinitamente grande e infinitamente pequeno, entre o ranger do metal, o estertor surdo do fogo e o canto dos homens, o que é selvagem e o que está domado, o seco e o fértil. Um Fogo recompõe a comunidade humana, a potência ancestral dos astros, uma terra por vir” (Stéfani de Loppinot sobre YEK ATASH).



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