Seis lugares em Lisboa, Porto e Algarve que valem a visita em maio
Do FIMFA às salinas de Castro Marim: as melhores experiências do mês nas três cidades
Maio está no seu melhor em Portugal — os dias são longos, a luz é generosa e as três cidades têm muito mais para oferecer do que aquilo que os guias habituais revelam. Em Lisboa, um festival que transforma a cidade num palco de formas animadas divide espaço com uma adega única onde o vinho nasce no coração de Belém. No Porto, a Alfândega recebe Van Gogh em formato imersivo enquanto Serralves inaugura a maior homenagem ao génio de Frank Gehry alguma vez vista em Portugal. E no Algarve, longe das praias mais concorridas, as salinas de Castro Marim e os canais tranquilos da Ria Formosa revelam uma região que é muito mais do que sol e areia. Seis razões para sair de casa este fim de semana.
Lisboa — a cidade que surpreende
Até 31 de maio, Lisboa é uma cidade invadida por marionetas. O FIMFA Lx26 — Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas ocupa 11 espaços culturais da capital com mais de 25 espetáculos, numa edição que cruza teatro de marionetas com dança, cinema, literatura e artes visuais. São projetos de Portugal, Bélgica, França, EUA, Noruega, Suécia, República Checa, Eslovénia, Finlândia, Reino Unido, Espanha e Brasil — um festival genuinamente internacional que tem no Teatro São Luiz o seu palco principal. A abertura coube à companhia norueguesa e nova-iorquina Wakka Wakka com Dead as a Dodo, numa estreia em Portugal que valeu palmas longas. Há ainda masterclasses, sessões de cinema e encontros com artistas para quem quiser ir mais fundo neste universo de formas que se animam. Bilhetes a partir de oito euros, com programação diária até ao final do mês.
A poucos metros do Mosteiro dos Jerónimos, escondida numa travessa tranquila de Belém, existe uma adega que não existe em mais nenhum sítio em Lisboa. A Adega Belém nasceu numa antiga oficina automóvel e é hoje o único projeto de vinificação urbana da capital: as uvas chegam de vinhedos próximos, são prensadas e engarrafadas ali mesmo, em lotes de 500 a 2500 garrafas, com intervenção mínima e castas ibéricas. Catarina e David — ela bióloga, ele antropólogo — criaram um espaço que é ao mesmo tempo laboratório, loja e sala de prova. Às sextas-feiras às 16h30 e aos sábados às 11h há visitas guiadas ao lagar com prova e petiscos incluídos. Uma experiência de nicho que faz todo o sentido num bairro com a densidade histórica de Belém — e que poucos lisboetas ainda conhecem.
Porto — entre o clássico e o contemporâneo
Nas Furnas da Alfândega do Porto, os arcos de pedra foram transformados em ecrãs de 360 graus onde 90 milhões de pixels projetam a obra de Vincent Van Gogh com uma intensidade que nenhum museu convencional consegue replicar. O Living Van Gogh é a primeira experiência imersiva totalmente dedicada ao pintor holandês em Portugal e estará na cidade até 29 de outubro — tempo suficiente para visitar mais do que uma vez. Mais de 150 pinturas em versão tridimensional envolvem o visitante numa narrativa que vai do íntimo ao épico, com a Sinfonia dos Girassóis como ponto alto: esculturas luminosas gigantes, efeitos de luz e a voz de Al Berto a recitar a última carta de Van Gogh ao irmão Théo. A visita dura entre 60 e 75 minutos. Bilhetes disponíveis no Fever e no site oficial. Rua Nova da Alfândega, Porto.
Também não há forma de falar do Porto neste maio sem mencionar o que está a acontecer em Serralves. A Fundação inaugurou este mês O Século de Gehry, uma exposição póstuma ao arquiteto canadiano-americano Frank Gehry — falecido em dezembro de 2025 —, organizada em parceria com o atelier Gehry Partners e a Getty Foundation. Na Ala Álvaro Siza, mais de 25 projetos são apresentados através de maquetes, desenhos, fotografias, esculturas e mobiliário: do Museu Guggenheim de Bilbau ao Walt Disney Concert Hall na Califórnia, passando pela Dancing House em Praga. A família de Gehry pediu expressamente que a exposição avançasse como homenagem, e Serralves respondeu à altura. O espólio ficará em Porto até novembro — mas a afluência já obriga a marcar visita com antecedência.
Algarve — além da praia
No extremo mais oriental do Algarve, onde o Rio Guadiana serve de fronteira com Espanha, as salinas de Castro Marim funcionam desde a época romana. Hoje, o Spa Salino transforma essa herança num ritual contemporâneo: as águas salobras, aquecidas naturalmente entre 25 e 35 graus e ricas em minerais, têm propriedades idênticas às do Mar Morto — relaxamento muscular, melhoria da circulação, efeito desintoxicante. Mas há mais do que o banho: as visitas guiadas incluem o processo completo de produção do sal artesanal, da água salgada à flor de sal que chega às mesas portuguesas. A Reserva Natural do Sapal, que envolve as salinas, foi a primeira reserva natural criada em Portugal e é hoje habitat de flamingos, garças e dezenas de espécies aquáticas que chegam nesta altura do ano. Uma tarde aqui é uma das experiências mais singulares que o Sotavento algarvio tem para oferecer.
A noroeste de Faro, a Ria Formosa é o Algarve que os turistas habituais raramente encontram: um sistema lagunar de 60 quilómetros protegido por ilhas barreira, onde a água é tão calma que se ouve o bater das asas das garças antes de as ver. Os passeios de barco ecológico — em embarcações elétricas silenciosas, conduzidas por biólogos — saem de Faro e de Olhão em direção às ilhas Culatra, Armona e Deserta, com paragens para nadar em praias sem estrada e sem bares. Maio é o mês ideal: sem a pressão do verão, com a natureza no seu pico de atividade e a possibilidade real de avistar golfinhos, polvos e aves migratórias antes de partirem para norte. A Lands, a Formosamar e a Natura Algarve são alguns dos operadores que fazem este percurso com consciência ambiental. Preços a partir de 25 euros por pessoa.
Portugal tem uma capacidade rara de surpreender quem o conhece bem. Estas seis propostas — de um festival de marionetas a um spa nas salinas medievais, de Van Gogh nas furnas do Porto a um passeio silencioso pela Ria Formosa — são um convite para olhar para o país com olhos de descoberta. Na semana que vem, mais razões para sair de casa. Entretanto, aproveite maio enquanto dura: os dias estão longos, a luz está certa e há muito por explorar em destinos fim de semana Portugal que valem cada quilómetro.
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