NEGÓCIO FECHADO

David Mamet trabalhou numa agência imobiliária nos anos 60. Vinte anos mais tarde, nos chamados “anos dourados” de Reagan, escreveu Negócio fechado (no original, Glengarry Glen Ross), peça que lhe valeu o Pulitzer. Inspirada no mundo impiedoso dos agentes imobiliários que Mamet observou a digladiarem-se por prémios de produtividade – à custa dos seus colegas, inevitavelmente –, Negócio fechado é uma crítica à sociedade americana sua contemporânea. Mas aquele que é considerado um dos maiores dramaturgos norte-americanos de todos os tempos soube transcender as idiossincrasias dos vendilhões de Chicago, escrevendo uma obra que assenta bem a qualquer tempo, língua ou lugar. Nesta versão, em que a Chicago de Mamet se transforma em Almada, “os segundos são os primeiros dos últimos” – mostrando ser universal a desilusão escondida no reverso da medalha do Sonho Americano, que foi também, nos anos 90, o pequeno Sonho Português.

David Mamet (n. 1947) monta os seus primeiros textos em Chicago e, a partir de 1975, no circuito off da Broadway: Perversidade sexual em Chicago (1974), Búfalo americano (1977) e Uma vida no teatro (1977). Mestre do diálogo, as suas peças breves mas densas assentam nas vidas das suas personagens, cuja solidão encontra eco na sociedade moderna. A linguagem de Mamet, um virtuoso construtor de enredos, distingue-se pelo ritmo quase musical, obtido através de pausas, de frases interrompidas e de um inconfundível jargão realista – simultaneamente violento e poético.

Intérpretes Adriano Carvalho, Alberto Quaresma, Federica Fiasca, Ivo Alexandre, Marques D’Arede, Miguel Eloy, Pedro Lima, Rui Dionísio

Cenário e figurinos Ana Paula Rocha
Luz Guilherme Frazão
Som Miguel Laureano
Caracterização Sano de Perpessac
Fotografia Rui Carlos Mateus

2 a 19 OUTUBRO, 2014 | LISBOA (Teatro da Trindade) //
Duração: 1H30
M/12



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