“NEVOEIRO” ESTREIA NA CASA DE TEATRO DE SINTRA

O Teatro da Garagem em co-produção com a Companhia de Teatro de Sintra / Chão de Oliva, estreia dia 12 de Maio, pelas 21h30, na Casa de Teatro de Sintra a sua nova criação, “Nevoeiro”, com encenação de Carlos J. Pessoa.

“Nevoeiro” de Eugene O’Neill é uma peça num só acto de 1914 e faz parte de uma série de peças do autor que, directa ou indirectamente, se inspiram no naufrágio do Titanic (1912). A situação dos náufragos sobreviventes num bote salva-vidas, à deriva no mar alto, é especialmente apta para criar situações dilemáticas, do ponto de vista ético e humano, e suficientemente coesa, do ponto de vista da concentração do espaço, do tempo e da acção, para suscitar um desenvolvimento dramático clássico. Por outro lado, é expectável que a situação de sobrevivência, acompanhada dos habituais desesperos, decisões in extremis,
traições, arrependimentos, e surpresas, funcione como uma poderosa alegoria de situações quotidianas que nos são próximas.

Esta peça, contudo, oferece-nos muito mais do que uma situação limite de sobrevivência a começar pelos seus dois caracteres principais, o Homem de Negócios e o Poeta, e sobretudo, a meu ver, pela alegoria que decorre da consideração do título. No teatro, como nesta peça e, como Platão facilmente aceitaria, na vida, encontramo-nos muitas vezes no nevoeiro e na espera angustiada que o nevoeiro se levante, nunca sendo certo que aquilo que finalmente vemos com nitidez, se é que vemos alguma coisa, é aquilo que realmente
desejamos ver e está lá, aquilo que julgamos ver e não está lá ou outra coisa, entre as duas primeiras, que é apenas mais nevoeiro: uma nitidez que nos cega ou o lamento dos mortos. É sobretudo esta última dimensão do texto de O’Neill que o Teatro da Garagem e a Companhia de teatro de Sintra/Chão de Oliva adoptam, na encenação de Carlos J. Pessoa.



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