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A Orelha Negra

À escuta com Fred Ferreira

Dizem eles que “querem levar Orelha Negra até onde os deixarem…” e o Fred Ferreira levou-nos até lá e deixou-nos saber o que para aí pode vir.

Porque eles é que nos deixam sempre com curiosidade. Porque são mais do que músicos e produtores. São artistas que querem gritar mais alto, sempre a subir. Dar a volta ao mundo e inspirar-nos com a sua filosofia.

O vosso estilo é inspirado em funk, soul, hip hop… todo esse groove marca um pouco um espírito urbano. O que querem transmitir com isto tudo?

Não existe nada muito pensado, nem estudado, em relação ao que queremos transmitir. O nosso ponto de partida é fazer algo que gostemos, acima de tudo. Essa é a nossa máxima.

E por falar nisso, a vossa parceria com Vhils, no vídeo para «M.I.R.I.A.M.», foi um sucesso. Há alguma ideia para este álbum que adopte de novo a arte urbana portuguesa?

Neste disco estudámos bastante um conceito de fotografia chamado “past in the present“. Foi uma coisa que procurámos muito fazer, mas é muito muito complicado, e optámos de certa forma por outro tipo de técnica que, juntamente com o Pedro Cláudio, fomos trabalhando ao longo do ano até chegarmos à imagem que temos neste momento. Quanto ao Vhils, somos grandes grandes fãs do trabalho dele e já conversámos sobre a possibilidade de uma nova parceria, desta vez com outra técnica, para o futuro… vamos ver…

Têm algum ritual criativo na criação das músicas?

O nosso ritual é sempre o mesmo desde o primeiro disco. Ensaios onde fazemos bastantes jam’s, muitas vezes com base num sample, e onde gravamos tudo. Fazemos umas seis ou sete sessões destas, depois ouvimos tudo e fazemos uma selecção dos melhores momentos e daí começamos a fazer ou a desenvolver uma canção.

Tanto no álbum anterior como no mais recente existe bastante trabalho de estúdio. Quão difícil é transpor isso para concerto?

É complicado mas também um desafio. No primeiro disco fizemos primeiro um concerto e depois gravámos o álbum. Neste foi um pouco diferente; começámos a gravar e fizemos um concerto no CCB em Janeiro onde apresentámos o disco na íntegra. Foi desafiante tentar pôr tudo o que tínhamos gravado em estúdio para um concerto, mas não foi muito difícil, pois o nosso método de trabalho, mesmo em estúdio, passa muitas vezes por tocarmos todos juntos, tipo live takes com a malta toda. Claro que músicas do disco onde existem três baterias ou seis guitarras é impossível fazermos ao vivo, mas até hoje conseguimos sempre dar a volta a essas situações e tocar ao vivo tudo o que pretendíamos.

Onde se inspiraram para o novo álbum?

Inspirámo-nos em tudo… nos nossos amigos, na família, nas músicas que passamos o dia a ouvir… foi muito importante para este disco o tempo que passámos juntos na estrada a tocar o outro álbum e o tempo que passámos no estúdio a compor. Houve uma melhor percepção do posicionamento de cada um na banda e ajudou muito.

Para quem ainda não conhece o novo álbum, como o descrevem?

É um álbum que segue a linha do primeiro, embora tendo bastantes terrenos por onde ainda não tínhamos passado, desde cenas mais de dança a coisas mais rock ou psicadélicas. É um álbum mais longo que o outro, mas com mais pormenores que com o tempo se vão apanhando. Tem mais momentos diferentes e é também por isso um disco bem mais equilibrado.

O facto de não haver, pelo menos pelo que temos assistido, um “separador” para os álbuns, ou seja, uma identidade que os separe completamente e, em vez disso, serem como que uma continuação uns dos outros, querem com isto contar uma história ou é apenas um registo Orelha Negra?

Acho que é mais um registo Orelha Negra. Não queremos contar nenhuma história, e por isso é que não demos título a este disco. Achamos que de certa forma, dar um título ao disco poderia induzir as pessoas a viajar por uma narrativa sugerida pelo mesmo, que não foi sequer pensada por nós. Queremos que cada pessoa faça o seu filme e crie as suas próprias imagens sobre cada música ou álbum.

Para além de terem um estilo muito próprio a nível musical, também se consegue distinguir o vosso estilo visual, a maneira como se escondem atrás das capas dos discos e agora o efeito “rasurado”. Querem também marcar o público através da linguagem visual?

A parte visual sempre foi algo que tivemos em conta. Ao princípio porque não queríamos mesmo revelar a nossa identidade, para que o primeiro contacto do público fosse com a música e não com as pessoas integrantes da banda. Com a ajuda do Pedro Cláudio conseguimos criar e desenvolver algumas fotografias de uma técnica chamada Sleeve Face. Neste segundo disco, novamente com o Pedro Cláudio, vimos muitas coisas que queríamos fazer, algumas muito difíceis, outras mais simples, mas tudo técnicas de manipulação de imagem que gostamos. Continuamos a acreditar que um objecto (vinil ou CD) bonito faz toda a diferença. Então, além do conteúdo musical, tentamos sempre inovar e procurar soluções originais e diferentes para apresentar a nossa imagem.

Depois do sucesso do primeiro álbum, sentem o peso da responsabilidade nos trabalhos futuros?

A nossa responsabilidade é fazermos algo que nos surpreenda, algo que nos desafie. Claro que adoramos ser apreciados pelo nosso trabalho, e quando fazemos as músicas pensamos também no pessoal que gosta de nós, mas a dica é mais do género, fazemos o que gostamos realmente sem pressão nenhuma. Fazer só!

Uma vez que vai ser a primeira vez que partilham o palco ao vivo com o Hyldon e o Kassin, que perspectivas têm para a vossa actuação no Rock in Rio?

Vai ser de facto um concerto diferente. Estamos entusiasmados com a ideia de podermos partilhar o palco com o Hyldon e o Kassin pois são dois músicos que muito apreciamos. Vamos estar juntos esta semana a ensaiar o concerto, vamos ter músicas nossas com eles a cantar, etc… Vai ser um concerto divertido e bem suado como os outros, mas diferente de tudo o que fizemos até hoje.

Até onde querem levar Orelha Negra?

Queremos levar os Orelha até onde nos deixarem… Queremos dar concertos e chegar ao máximo de pessoas possível, fazer CD’s, mixtapes, vídeos…. existe muita coisa para fazer e muitas ideias para desenvolver que só com o tempo vamos conseguir pôr de pé.



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